CAPÍTULO 9
CAPÍTULO 9
Peach tinha acabado de enviar o último lote de fotos para a equipe de arte às seis da manhã. Com a pouca energia que lhe restava, conseguiu conectar o carregador do telefone antes de desabar na cama. Enrolando-se confortavelmente em um cobertor, desligou todos os seus sentidos e mergulhou em um sono profundo quase instantaneamente.
Virar a noite antes de desmaiar havia se tornado uma segunda natureza para ele. Além disso, a noite anterior tinha sido calma. Uma vez que conseguiu entregar o modelo ao chefe da máfia, sentiu um imenso alívio. Sua mente clareou, as ideias fluíram como um sonho e, antes do amanhecer, ele havia terminado todo o seu trabalho.
Peach já havia calculado, amanhã seria seu dia de folga, e no dia seguinte, ele só tinha uma reunião agendada à tarde. Isso lhe deixava com um dia e meio inteiro para si mesmo. Dormir o dia todo e acordar à noite parecia um plano sólido.
Mas apenas duas horas após seu sono abençoado, o telefone na mesa de cabeceira começou a tocar alto, arrastando-o de volta ao mundo consciente em uma névoa de exaustão.
Gemendo, o jovem fotógrafo tateou em busca do telefone. Quando finalmente conseguiu atender, sua voz estava rouca e meio adormecida.
— “Peach, quando você enviou os arquivos? Não consigo encontrá-los.” — Veio a voz de Plub, uma de suas colegas de equipe, que também era sua irmã mais nova, borrada pelo ruído de fundo de pessoas gritando.
Sem se preocupar em abrir os olhos, Peach soube instantaneamente quem era. Sua irmã, que também era sua colega no departamento de arte, era sem dúvida brilhante em seu trabalho, mas tinha um talento para perder coisas. Ela extraviava arquivos com tanta frequência que Peach começara a manter cópias de backup ele mesmo.
Resmungando, ele deu uma resposta preguiçosa sem nem considerar se levantar para verificar seu computador.
— Verifique seu e-mail. Eu os enviei esta manhã.
Suas palavras eram mais resmungos fragmentados do que frases coerentes, mas isso não a incomodou. Ela estava acostumada com seus balbucios meio adormecidos e continuou a conversa sem perder o ritmo.
— “E as fotos dos bastidores para a entrevista da revista? Quando estarão prontas? Preciso agendar as próximas etapas.”
Peach soltou um longo suspiro. Quanto mais ela falava, mais ele queria se enterrar sob o cobertor e fingir que o mundo não existia.
— Apenas abra os arquivos, Plub.
— “Hã? Espera. Já está tudo pronto? Você nem dormiu ontem à noite?”
— Estou dormindo agora. — murmurou ele, cansado demais para reunir energia para repreendê-la adequadamente.
— “Vamos fazer um churrasco hoje à noite. Você vem, Peach?”
— Não.
Com isso, ele desligou, totalmente ciente de que ela não tinha nenhum motivo real para ligar além de interromper seu descanso tão necessário. Ele jogou o cobertor sobre a cabeça, abraçou o travesseiro e tentou voltar para seus sonhos.
Mas assim que estava prestes a cair para a inconsciência novamente, seu telefone tocou mais uma vez.
— “Peach, vamos lá! Vamos sair hoje à noite. Eu quero beber.”
— Eu não vou. E não mais do que dois drinks pra você, entendeu? — Peach respondeu, encerrando a chamada sem paciência para as travessuras dela. Ele jogou o telefone para longe, mas a maldita coisa tocou quase imediatamente de novo.
Desta vez, a irritação surgiu nele. Sem abrir os olhos, deslizou para atender e retrucou.
— Plub. Eu disse que não vou. Estou tentando dormir. Conversamos à noite.
Ele desligou antes que ela pudesse dizer outra palavra, jogou o telefone ainda mais longe e se enterrou de volta em seu casulo de cobertores. O sono o envolveu mais uma vez, como se nada mais no mundo importasse.
Quando Peach finalmente acordou, parecia que ele estivera inconsciente por um século. Ele se sentou grogue, cada membro se movendo lentamente, como se a ferrugem tivesse se instalado em suas articulações.
Seu quarto estava completamente escuro. Cortinas blackout pesadas bloqueavam todos os vestígios de luz solar, deixando-o totalmente desorientado sobre a hora do dia. No piloto automático, sua mão tateou pelo telefone, lembrando vagamente que o havia jogado perto da cabeceira.
No momento em que seus olhos pousaram na tela, qualquer sonolência persistente desapareceu instantaneamente.
Já eram 6 da tarde, mas a tela do telefone de Peach ainda estava inundada de notificações: chamadas perdidas e mensagens não lidas acumulando-se implacavelmente desde as 8 da manhã, com a mais recente chegando há apenas quinze minutos. A contagem incluía quase dez chamadas perdidas e um fluxo interminável de textos esperando por sua atenção.
THEE: Quem é Plub?
THEE: Que horas é a sua “noite”? Você tem dez minutos restantes.
Peach olhou com os olhos arregalados para a última mensagem, enviada há trinta minutos. Sua boca estava aberta enquanto a confusão girava em sua mente, tentando desesperadamente juntar os detalhes borrados. Ele abriu rapidamente o registro de chamadas.
A última ligação que ele atendeu antes de desmaiar não foi de Plub ligando de volta para insistir, foi do chefe da máfia russa.
Depois de desligar aquela ligação, Peach deve ter colocado o telefone no silencioso, o que explicava o porquê de as dez chamadas perdidas que se seguiram não perturbaram seu sono tranquilo.
Mas por que diabos ele estava ligando tão cedo!?
Peach não tinha ideia se a contagem regressiva ameaçadora de dez minutos de Thee ainda estava em vigor ou se ele já havia perdido a paciência. De qualquer forma, o pânico surgiu nele, e Peach disparou da cama em direção ao banheiro.
Sua pressa foi tão frenética que tropeçou na pilha de cobertores no chão, batendo a cabeça contra o guarda-roupa com um baque audível. Felizmente, não atingiu uma ponta afiada, então não houve sangue. Sem parar para lamentar seu orgulho ferido, pulou no chuveiro, trocou de roupa e correu para fora de seu apartamento.
Praticamente correndo, Peach alcançou o elevador, bateu no botão para o térreo e saiu disparado assim que as portas se abriram. Ele derrapou até parar no saguão do condomínio, curvando-se com as mãos nos joelhos para recuperar o fôlego. Pelo canto do olho, notou um par de guarda-costas em ternos pretos, tensos e prontos para se mover, antes de retornarem rapidamente à sua postura composta e imóvel.
O coração de Peach quase saltou do peito. Quase fiz eles sacarem as armas!
— Quarenta e cinco minutos.
O tom frio do homem sentado à sua frente enviou um calafrio pela espinha de Peach. Assim que estabilizou a respiração, levantou cautelosamente o olhar, sentindo um tremor de inquietação no fundo do peito. A visão daqueles olhos penetrantes e cinza-fumaça fixos nele com uma mistura de desdém e indiferença gelada só fez seu coração afundar ainda mais.
Até agora, o Sr. Thee sempre tinha sido intimidador, claro, mas a atmosfera nunca fora tão sufocante.
— Sinto muito. — murmurou Peach, baixando o olhar enquanto inclinava a cabeça respeitosamente. No fundo, porém, uma parte dele ainda resmungava. Isso foi realmente culpa minha?
Ainda assim, com esse chefe da máfia imprevisível tendo esperado quarenta e cinco minutos por ele, Peach imaginou que pedir desculpas era o mínimo que podia fazer.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor, deixando Peach cada vez mais nervoso. Ele arriscou um olhar rápido para cima, apenas para encontrar o olhar inabalável de Thee ainda fixo nele. Quanto mais Thee permanecia em silêncio, mais difícil se tornava respirar.
Depois do que pareceu uma eternidade, a mão de Thee se moveu. Peach instintivamente fechou os olhos com força, o coração batendo forte enquanto se preparava. Ele vai me bater?
Em vez disso, pontas dos dedos quentes roçaram sua testa, segurando sua cabeça gentilmente. O polegar de Thee pressionou levemente o centro da testa de Peach, um toque tão inesperadamente terno que o deixou momentaneamente atordoado.
— Quem fez isso? — A voz de Thee, casual mas carregada de aço, enviou outro calafrio por Peach. Seus guarda-costas, que observavam silenciosamente das laterais, visivelmente tensos, os pelos dos braços em pé. Mas Peach não viu nada disso. Tudo o que sabia era que a voz de Thee havia suavizado ligeiramente, e a tensão opressiva havia diminuído o suficiente para ele respirar novamente.
— Eu corri para o meu guarda-roupa como um idiota. Mas a culpa é sua por me apressar desse jeito! — Agora que ele não o encarava mais com raiva, Peach sentiu um pouco de sua coragem retornando. Decidiu se defender. — Eu não consegui dormir até às seis e meia da manhã, e antes disso, meu telefone tocava sem parar. Achei que sua ligação fosse de um membro da equipe, então apenas silenciei.
— Quem é Plub?
A pergunta completamente não relacionada deixou Peach perplexo. Mas com os dedos firmes de Thee segurando-o no lugar e seu rosto pressionado perto, Peach nem conseguia levantar a cabeça o suficiente para ver a expressão do homem. Sua linha de visão estava frustrantemente baixa, tornando toda a situação ainda mais opressiva.
— Plub é minha irmã mais nova. Ela faz parte da equipe de arte da marca Arseny.
Ele não pôde deixar de sentir uma pontada de preocupação, Thee pensaria que ele havia puxado pauzinhos para chegar onde estava?
— Ela trabalha na Arseny há muito tempo. Ela é muito talentosa, eu prometo. Quanto a mim, acabei de fazer alguns trabalhos freelance para a marca. Quando esse projeto surgiu, Plub me convidou para participar da reunião com ela. Juro que não usei nenhuma conexão para me envolver.
O ar se encheu de silêncio, quebrado apenas pela pressão suave e rítmica do polegar de Thee roçando levemente sua testa. Peach sentiu como se estivesse na forca, orando silenciosamente por misericórdia. Por favor, deixe-o ser razoável, ele implorou interiormente.
Finalmente, como se sua oração tivesse sido ouvida, Theerakit afrouxou o aperto e lentamente deixou a mão cair. Peach, que estava ligeiramente curvado o tempo todo, endireitou-se e respirou fundo. Seu coração, que martelava no peito, começou a desacelerar. Parece que fui absolvido!
— Então, tem algum motivo para você ter vindo me ver hoje? — Ele perguntou timidamente, ainda testando as águas. O pensamento o lembrou de um certo jovem modelo, e Peach não pôde deixar de se perguntar se o mau humor de Thee era resultado de um encontro fracassado.
Ele suspirou internamente. Com o comportamento imprevisível de Theerakit e a tendência intrometida de Aran, confiar em alguém parecia uma aposta arriscada ultimamente.
— Estou apenas entediado.
— …
Peach piscou e instintivamente franziu a testa antes que pudesse se conter. Por um momento, ficou completamente perdido.
Da última vez, o Sr. Thee tinha dito que o queria tanto que praticamente quase o arrastou para a cama. Isso nem tinha sido uma semana atrás! Peach tinha se esforçado para marcar um jantar agradável, só para Thee aparecer agora e declarar casualmente que estava entediado.
Ele esfregou as têmporas, sentindo-se exasperado. É isso que as pessoas querem dizer quando chamam alguém de ‘garoto rico com brinquedos demais’? Eles ficavam entediados e jogavam as coisas fora assim. Aran nem tinha chegado à fase de “brinquedo” ainda.
Claro, Peach não queria que seu amigo modelo júnior acabasse como um brinquedo descartável. Se houvesse alguma chance de um relacionamento real florescer, ele queria que fosse algo genuíno. Especialmente quando aquele cara grudento do Tawan continuava espreitando sem deixar nada claro. Alguém tem que tomar uma atitude e esclarecer as coisas logo.
— O que você quer dizer com ‘entediado’? Aconteceu alguma coisa? Aran fez algo para te chatear?
Ele estava genuinamente preocupado com o modelo mais jovem. Se Aran tivesse de alguma forma conseguido irritar o chefe da máfia à sua frente, ele precisava garantir que ele saísse dessa situação inteiro.
— Estou apenas entediado. — Theerakit deu de ombros, um leve olhar de irritação cruzando seus traços nítidos antes de acenar com a mão dispensando. — É hora do jantar.
Com isso, o chefe da máfia se levantou do sofá, girou nos calcanhares e saiu do condomínio sem se preocupar em esperar por Peach.
O fotógrafo piscou, completamente perplexo. O que isso quer dizer? Ele quer dizer que vai comer sem mim? Ou quer dizer que vamos comer juntos?
Peachayarat, o fotógrafo, estava bem ciente de que não era Aran, nem um modelo. Ele hesitou apenas por um momento antes de decidir voltar para o quarto. Ele girou nos calcanhares e deu apenas um passo antes que os guarda-costas de terno preto que cercavam a sala o agarrassem pelos braços, o levantassem do chão e o girassem para encarar o chefe da máfia, que agora estava com os braços cruzados, olhando para ele com uma intensidade que poderia queimar aço.
— Onde você pensa que vai?
O tom gelado do chefe da máfia enviou um calafrio pela espinha de Peach. Os apertos fortes dos guarda-costas o mantinham suspenso no ar, e ele não ousou proferir uma única reclamação.
— De volta para o meu quarto, obviamente. Não trouxe nada comigo. — Não havia sentido em lutar. Você viu os músculos desses caras? Um soco deles, e eu acordaria numa cama de hospital.
— Não há necessidade. Tudo depende de mim.
— Quando exatamente concordamos em jantar juntos?
Peach piscou algumas vezes, completamente perplexo, sua confusão só aumentando à medida que sua fome se intensificava. No momento em que as palavras saíram de sua boca, percebeu que havia cometido um erro. O olhar de Thee tornou-se ainda mais frio, praticamente congelando-o no lugar.
Lutando para consertar a situação, Peach forçou um sorriso nervoso, desviando o olhar desajeitadamente. Ele queria perguntar: Você realmente disse algo sobre o jantar? Mas o peso do olhar frio de Thee foi suficiente para mantê-lo em silêncio.
Calma, Peach. Você não é o Aran. Não abuse da sorte a menos que queira problemas.
— Sr. Thee, eu já tenho planos com minha irmã hoje à noite. — disse Peach com firmeza. — Não posso ir com você.
— Eu ouvi você dizer a ela que não iria.
— Mesmo assim, ainda estou preocupado com ela. Ela planeja sair para beber, e como irmão dela, quero buscá-la mais tarde. — Insistiu Peach, desta vez com mais convicção. Sua irmã sempre vinha em primeiro lugar, não havia espaço para compromissos quando se tratava da segurança dela.
— Vamos comer primeiro e depois você pode buscá-la.
Sem esperar resposta, Theerakit se virou e entrou no carro. Peach, que não tinha nada com ele além do telefone, de repente se viu sendo empurrado para frente pelos guarda-costas. Alguns passos depois, eles o empurraram sem cerimônia para dentro do carro, bem ao lado do chefe da máfia.
Pensei que tinha entregado toda essa bagunça para o Aran. Como diabos isso acabou no meu colo?
FIM DO CAPÍTULO