CAPÍTULO 8
CAPÍTULO 8
Um famoso restaurante japonês no coração da cidade, conhecido não apenas por seus ingredientes japoneses autênticos, mas também por trazer chefs diretamente de restaurantes renomados no Japão. Nenhum esforço foi poupado em oferecer os melhores pratos, o que explicava por que cada prato era tão caro que economizar por um ano inteiro só lhe daria uma única porção.
No andar superior, em uma das salas privadas com vista aberta para o rio, dois homens estavam sentados no meio de uma série de pratos requintados espalhados pela mesa. Esta sala, notoriamente difícil de reservar, era o local mais cobiçado do restaurante. Não era preciso ser um gênio para perceber que tipo de conexões eram necessárias para garantir aquela sala em tão pouco tempo.
No entanto, o homem que havia puxado os pauzinhos para obter este cenário luxuoso parecia completamente desinteressado em apreciar a atmosfera ou saborear os pratos cuidadosamente elaborados diante dele. Em vez disso, sua irritação era quase palpável, tornando o ar na sala ainda mais pesado do que já era.
O nó de frustração no peito de Thee, que vinha crescendo desde que saíra do estúdio, não havia se soltado nem um pouco. Ele viera aqui com o único propósito de encontrar aquele fotógrafo. Ele até instruiu seu secretário a fazer a reserva apressadamente apenas para garantir que pudessem se encontrar hoje.
Mas quando chegou, a pessoa por quem ele havia passado por todo esse trabalho mal reconheceu sua existência. O cara nem olhou para ele... Em vez disso, inclinou-se, sussurrando e agindo todo amigável com o diretor.
Thee disse a si mesmo para se acalmar. Pelo menos Peach ainda estava tentando cumprir suas responsabilidades. Soltando uma respiração lenta e controlada, Thee tentou se concentrar novamente. Não havia sentido em ficar com raiva quando ele nem conseguia identificar o que exatamente o estava incomodando em primeiro lugar. Ele precisava se concentrar no aqui e agora.
— A comida parece incrível. — Aran deixou escapar, quebrando o silêncio constrangedor com um tom nervoso, cada músculo de seu corpo tenso. Não apenas por causa de Thee, o homem com quem ele tinha um histórico de inimizade, mas também porque Thee era o presidente da empresa para a qual ele trabalhava e, para completar, o chefe da máfia. Se não fosse por querer ajudar Peach, Aran não teria concordado em estar aqui, nem em um milhão de anos.
Theerakit não disse uma palavra. Sua figura alta estava relaxada enquanto ele se recostava com os braços cruzados, seu olhar ilegível. A falta de qualquer emoção visível apenas fazia Aran se sentir mais deslocado.
— É uma pena que Peach não pôde vir… — Aran arriscou, tentando conversar enquanto mexia com seus pauzinhos. Seu tom brilhou ligeiramente ao acrescentar. — Peach adora comida japonesa, mas eu na verdade prefiro comida tailandesa.
— Parece que sim. — respondeu Thee, seu tom monótono, embora houvesse um tremor quase imperceptível no canto dos lábios.
— Sim, Peach não gosta de nada muito picante. Ele tem problemas de estômago, então comida japonesa é perfeita para ele, geralmente é suave. — disse Aran, relaxando um pouco ao direcionar o tópico para outra pessoa. Ele pegou um pedaço de tamagoyaki e colocou na boca, saboreando seu sabor doce. Comida picante era mais seu estilo, no entanto, e quando se tratava de sobremesas, ele era um verdadeiro fã de tudo que fosse doce.
— Ah, a propósito, eu ainda não te agradeci. Obrigado pelo arranjo de flores... e também pelos chocolates hoje.
Os olhos de Thee se levantaram imediatamente, suas sobrancelhas grossas franzindo em um instante. Ele parecia genuinamente surpreso, como se tivesse esquecido algo importante.
— Me agradecer? Pelo quê?
— Pelo arranjo de flores. Eram lindas, eu amei. — Esclareceu Aran, seu sorriso desaparecendo ligeiramente à medida que a incerteza se instalava. Por um momento, ele se perguntou se alguém havia fofocado sobre o buquê que havia sido jogado fora antes. Independentemente disso, imaginou que deveria reconhecer o gesto e mostrar seu apreço. — E os chocolates que você enviou através do Peach, obrigado por eles também. Cheiravam incrível. Embora, um pouco amargos demais para o meu gosto. Peach realmente gostou deles, no entanto.
— ...
Arseny, o dono da marca, permaneceu em silêncio, uma mistura estranha e desconhecida de emoções surgindo dentro de seu peito. Um chefe da máfia que sempre conseguia o que queria e era notoriamente possessivo. Tudo, ou qualquer um, que ele considerava seu era ferozmente guardado, às vezes a ponto de irritar. Fosse seus bens ou seu povo, ele nunca deixava de afirmar sua reivindicação.
Mas agora, ele não tinha certeza do que o irritava mais. Era o fato de que o modelo à sua frente continuava falando sobre aquele fotógrafo? Ou era que os chocolates que ele pretendia dar para outra pessoa acabaram sendo apreciados por alguém completamente diferente?
Ele franziu a testa, baixando o olhar enquanto tentava se recompor. Uma vez que suas emoções estavam sob controle, levantou os olhos para encontrar o olhar da pessoa à sua frente.
A pessoa sentada à sua frente ainda conseguia capturar sua atenção. Aquele rosto marcante, bonito e sedutor, era exatamente o seu tipo. Aquelas bochechas coradas pareciam implorar por um toque, e aqueles olhos grandes e brilhantes continuavam disparando em sua direção nervosamente. Ele achava a energia nervosa cativante, quase protetora de certa forma.
Esta era a pessoa em quem ele estava interessado, a mesma pessoa em quem ele havia colocado seus olhos naquele dia. Percebendo isso, Theerakit relaxou visivelmente e voltou o foco para a conversa, afastando a imagem persistente do sorriso simples e honesto do fotógrafo de sua mente.
— Como tem sido o trabalho? — perguntou casualmente.
— Tem sido ótimo! Todo mundo na equipe é tão legal. — respondeu Aran com um sorriso suave, sentindo-se um pouco mais à vontade agora que Theerakit estava continuando a conversa. — Peach tira fotos incríveis também. Ele estava me guiando o tempo todo. Se não fosse por ele, as fotos não teriam ficado nem de longe tão boas quanto ficaram.
— É uma pena que eu ainda não as tenha visto. — Comentou Theerakit, fazendo uma anotação mental para que seu assistente rastreasse as fotos para ele.
— Os originais ainda devem estar com o Peach. Ele disse que precisava fazer algumas edições primeiro para que a equipe de arte não tivesse tanto trabalho. Posso avisá-lo para enviá-las para você, se quiser. — Ofereceu Aran, notando como Thee parou por um momento.
Thee hesitou, um lampejo de satisfação brilhando em seus olhos afiados. Qualquer pensamento de pedir ao seu assistente para lidar com isso desapareceu de sua mente quase instantaneamente.
— Não precisa. Vou perguntar ao Peach sobre elas mais tarde. — disse ele, um leve sorriso aparecendo no canto dos lábios antes de desaparecer rapidamente. Seu olhar penetrante mudou para seu companheiro, que imediatamente ficou tenso novamente, seus olhos correndo ao redor como se estivesse perdido em pensamentos, claramente pensando demais na situação.
As pessoas sempre reagiam dessa maneira perto dele, nervosas, uma mistura de apreensão e medo. Se não fosse isso, então era ganância, aqueles olhos expectantes esperando ganhar algo dele. Era raro, se não inédito, alguém ficar genuinamente relaxado em sua presença. Exceto talvez aquele fotógrafo, que sempre parecia imune, especialmente quando comida estava envolvida. Então, o humor de Peach se tornava completamente alegre.
Theerakit congelou, percebendo que de alguma forma Peachayarat havia entrado em seus pensamentos novamente, apesar de ter acabado de prometer a si mesmo que não pensaria mais nele.
— Você e aquele fotógrafo... vocês são próximos?
As palavras escaparam antes que ele pudesse detê-las, sua mente ainda emaranhada e em conflito. À sua frente, Aran visivelmente se iluminou com a menção de seu querido amigo, embora seu sorriso permanecesse ligeiramente rígido e nervoso.
— Somos muito próximos, na verdade. Penso em Peach como um irmão mais velho. — disse Aran, baixando os olhos para o peixe em seu prato. Ele o cutucou cuidadosamente antes de continuar. — Ele é tão gentil e doce. Honestamente, não entendo como algumas daquelas mulheres podem tratá-lo tão cruelmente.
A carranca de Theerakit se aprofundou a cada palavra, embora ele ainda não conseguisse entender muito bem o que o irritava tanto. Ele baixou o olhar e distraidamente pegou a taça de vinho ao seu lado, girando-a lentamente entre os dedos.
— Como vocês dois se conheceram?
— Eu estava me sentindo muito mal na época, tinha acabado de descobrir que não fui aceito na universidade que queria. Peach estava lá e me pediu para modelar para algumas fotos. Foi assim que tudo começou. Se não fosse por ele, eu não seria modelo hoje. Devo tudo a ele. — Aran soltou uma risada suave, o som tingido de genuína ternura. Pela primeira vez, sentiu-se grato por aquele exame reprovado, um momento que acabou sendo uma bênção disfarçada. — Naquele dia, eu não queria ir para casa, então Peach até me deixou ficar na casa dele. Ele é tão gentil, até com um estranho.
O aperto de Theerakit em sua taça de vinho aumentou, seus nós dos dedos ficando pálidos enquanto sua carranca se aprofundava em aborrecimento. Durou apenas um momento, no entanto, e assim que percebeu sua reação, forçou-se a relaxar, afrouxando o aperto.
Ele não podia perder a compostura pelo fato de Aran ter dormido uma vez na casa daquele fotógrafo. Ele disse isso a si mesmo com firmeza, embora a frustração latente em seu peito não se dissipasse tão facilmente. Seus olhos afiados escureceram de irritação, e ele teve que fechá-los brevemente para recuperar o controle de suas emoções. Quando os abriu novamente, seu olhar estava mais calmo, embora a leve ponta de aborrecimento não tivesse desaparecido completamente.
Ele terminou sua taça de vinho antes de direcionar a conversa para outra direção.
— E aquele jovem ator? Vocês dois estão namorando?
A pergunta fez o rosto delicado de Aran corar enquanto ele mordia o lábio e evitava o olhar de Theerakit. Suas bochechas ficaram rosa claro, e embora balançasse a cabeça, seu constrangimento era óbvio.
— … Não estamos namorando — murmurou.
Os olhos de Theerakit se estreitaram ligeiramente enquanto observava a cena diante dele. A visão era inesperadamente cativante, o rubor se espalhando pelas bochechas de Aran, aqueles olhos grandes brilhando como se estivessem à beira das lágrimas, e seus lábios macios pressionados nervosamente. Era uma imagem de inocência e doçura. Corar com a simples menção de outro homem... Estranhamente, desta vez, Theerakit não se sentiu irritado.
— Então, você está me dizendo que vocês dois estão se cortejando? — Ele perguntou, testando as águas.
Aran hesitou por um momento, mas finalmente deu um pequeno aceno de cabeça.
— Nesse caso… — Theerakit disse de brincadeira. — Se eu desse o primeiro passo, isso significaria que ainda tenho uma chance, certo?
A resposta inesperada fez a cabeça de Aran se erguer, seus olhos arregalados cheios de surpresa. O leve rubor em suas bochechas se aprofundou em um rubor total, subindo até as pontas de suas orelhas redondas.
— O-o quê? Eu? — Aran gaguejou, olhando em volta nervosamente como se procurasse uma fuga. — Isso... isso não está certo! Eu não gosto de falar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Prefiro focar em conhecer alguém adequadamente, passo a passo!
— Eu não preciso falar com você, eu só planejo te cortejar. — disse Theerakit, recostando-se na cadeira e cruzando os braços. Embora sua reação nervosa fosse divertida, como um pequeno animal assustado buscando refúgio, seu coração permaneceu completamente inalterado.
Não era surpreendente. Desde que assumira oficialmente como sucessor de seu pai, nada conseguira abalá-lo. Ele fora forçado a aprender que permitir que qualquer coisa afetasse suas emoções poderia torná-lo vulnerável, uma fraqueza que ele nunca poderia pagar.
— Espere, você vai me cortejar sem falar comigo? — Aran repetiu, piscando confuso. — Isso não soa um pouco... estranho?
Theerakit lançou um olhar de soslaio para o modelo perplexo, depois desviou o olhar. Aran não parecia emocionado com a ideia, mas estava intimidado demais para rejeitá-lo abertamente. Em vez disso, gaguejou e hesitou, o que só o fazia parecer ainda mais exasperante.
Havia apenas uma pessoa que já ousara falar com ele francamente, aquele fotógrafo.
Sua mão, que brincava ociosamente com a taça de vinho, parou por um momento. Por razões que não conseguia explicar, seus pensamentos vagaram de volta para aquele homem mais uma vez. Apesar de ter o modelo bem na sua frente, determinado a conquistá-lo, sua atenção vagava para outro lugar.
Ainda mais estranho, o desejo ardente de reivindicar a pessoa diante dele, o calor que geralmente o movia, começou a desaparecer pouco a pouco. Ele nem tinha beijado Aran ainda, mas uma sensação de cansaço já estava se infiltrando. Não era uma sensação nova. Ele passara por inúmeros casos fugazes e noites apaixonadas com uma sucessão de rostos. No momento em que o tédio ou a irritação se instalavam, seu interesse desaparecia em um piscar de olhos.
Mas perder o interesse tão rapidamente, antes mesmo de um único beijo, era definitivamente algo novo.
Theerakit tomou outro gole lento de vinho, deixando seu calor acalmá-lo. No fundo, sentiu-se estranhamente aliviado por ter chegado a uma conclusão. Afinal, ele era um chefe da máfia, um homem que vivia por suas próprias regras. Ele não precisava correr atrás de razões para nada. Ele já estava cansado desse modelo.
E havia outra pessoa, alguém muito mais intrigante, ocupando seus pensamentos.
— Há quanto tempo você trabalha com o Peach?
Aran piscou, surpreso. Sua timidez anterior desapareceu rapidamente, substituída por confusão. Momentos atrás, eles estavam falando sobre algo totalmente diferente. Ele não esperava que a conversa tomasse um rumo tão abrupto.
— Conheço o Peach há cerca de cinco anos. — disse ele após uma pausa. — Mas só trabalhamos juntos talvez quatro ou cinco vezes. — Ele parou, pensando por um momento, e os cantos de sua boca se levantaram em um sorriso pequeno e doce. — Mas se estamos falando de projetos de longo prazo, este é o primeiro. A campanha com a Arseny é a minha primeira.
O conjunto, que incluía perfumes e acessórios, foi projetado para ser lançado em quatro coleções, cada uma ligada a uma estação diferente. Aran e Tawan eram os principais embaixadores da marca, alternando campanhas ao longo das quatro estações. Peachayarat, um fotógrafo renomado, fora encarregado de todas as filmagens promocionais.
— Está bem. — respondeu Theerakit, seu olhar afiado levantando para encontrar o de Aran. — Coma o quanto quiser, é por minha conta. Mas eu tenho que ir.
Aran rapidamente baixou a cabeça em cortesia, oferecendo uma despedida formal.
Theerakit deu-lhe um breve aceno de cabeça, levantou-se de seu assento e virou-se para dar algumas instruções silenciosas aos seus homens. Então, assim que estava prestes a sair, virou-se para Aran com um tom firme.
— Eu disse ao meu pessoal para te levar para casa. Eles vão te levar de volta para o seu condomínio.
— …
— Nunca mais durma no quarto do Peach.
FIM DO CAPÍTULO