CAPÍTULO 10
CAPÍTULO 10
— O que você está com vontade de comer?
No momento em que Peach fechou a porta do carro, Thee, já sentado ao lado dele, fez a pergunta casualmente. Seus olhos, no entanto, permaneceram fixos no tablet em seu colo, examinando alguns documentos. Peach piscou de surpresa. Não era do feitio de Theerakit pedir a opinião de ninguém. Geralmente, ele apenas fazia o que queria sem pensar duas vezes.
— Qualquer coisa está bom para mim. — respondeu Peach, jogando a bola de volta para a quadra de Thee. Ele não era exigente com comida e, honestamente, sob a pressão da presença desse cara, seu cérebro não estava funcionando bem o suficiente para pensar em algo específico.
— Então iremos para o restaurante do hotel no centro.
O estômago de Peach revirou no momento em que ouviu isso. Seus olhos dispararam para sua roupa atual, uma camiseta branca velha, jeans e sandálias. Um lugar como aquele nunca o deixaria entrar vestido assim.
Mas você poderia culpá-lo? Não é como se ele tivesse muito tempo para se arrumar. Ele tinha colocado o que estava mais perto sem pensar duas vezes. Pelo menos não estava de pijama.
— Sr. Thee, acho que não vão me deixar entrar vestido assim. — Apontou cautelosamente.
Thee finalmente levantou os olhos do tablet. Ele ergueu uma sobrancelha, questionando silenciosamente por que não deixariam Peach entrar.
— Você está comigo. Quem te impediria?
Peach lutou contra a vontade de revirar os olhos. Ótimo, lá vamos nós de novo com a rotina de chefão!
— Não estou dizendo que não vão me deixar entrar. Estou dizendo que não parece certo. É desrespeitoso com o lugar. — Tentou explicar. Sendo fotógrafo, Peach tinha frequentado sua cota de jantares chiques e eventos de alto nível. Restaurantes sofisticados como aquele frequentemente tinham códigos de vestimenta por um motivo, por respeito ao estabelecimento e aos outros convidados. Aparecer com uma camiseta amassada e jeans não era exatamente apropriado.
— Não há necessidade de pensar demais nisso. Reservei uma sala privada.
Ele fechou o iPad, cruzou os braços e virou-se para Peach com uma expressão séria, claramente pronto para defender seu ponto de vista. Peach não pôde deixar de rir internamente. Às vezes esse chefe da máfia age como uma criança teimosa.
Peach congelou por um segundo quando esse pensamento o atingiu. O que ele estava fazendo, arriscando a vida achando esse cara adorável? Esse não era qualquer um, era um traficante de armas com guarda-costas armados e poder de fogo suficiente para derrubar um prédio. Ele tinha perdido completamente o juízo?
Ele balançou a cabeça levemente, tentando afastar o pensamento ridículo, e se forçou a focar.
— Não é sobre a sala privada, Thee. Entrar num lugar daqueles vestido assim? É desrespeitoso. Mostre algum respeito pelo lugar.
— Eu poderia comprar o restaurante inteiro!
Ah, por favor, entenda meu ponto! Peach resistiu à vontade de puxar o próprio cabelo. Claramente, tentar explicar isso era uma causa perdida. Como Thee poderia entender se achava que o dinheiro podia consertar absolutamente tudo?
— Eu não vou. — disse Peach com firmeza, abandonando a ideia de raciocinar completamente. Com o jeito que Thee operava, não havia como ele entender.
As sobrancelhas do chefe da máfia franziram instantaneamente, seu desagrado irradiando tão fortemente que Peach quase podia vê-lo. Ele estava calculando algo, provavelmente tentando encontrar uma alternativa.
Peach percebeu que precisava de uma distração, algo para mudar a conversa, rápido. Do nada, uma memória das palavras de sua irmã mais nova surgiu em sua cabeça.
— Que tal irmos comer Moo Kata em vez disso?
Assim que as palavras saíram de sua boca, Peach se arrependeu. O que diabos ele estava dizendo? Moo Kata? Para o chefe da máfia, sentado ali em um terno sob medida que provavelmente custava mais do que todas as economias de vida de Peach? Ele tinha que ter perdido o juízo.
Em sua mente, começou a rezar para Deus, implorando silenciosamente por um fim rápido e indolor. Quanto mais a carranca de Thee crescia, mais Peach queria desaparecer no banco do carro. Ele estava sobrecarregado de desconforto, desejando poder afundar no estofamento e sumir.
Thee esfregou levemente o queixo com os nós dos dedos, perdido em pensamentos. Então, para choque total de Peach, Thee assentiu e disse algo que pareceu estilhaçar seu mundo inteiro naquele momento.
— Moo Kata está bom, então.
Espere, o quê? Sério?
No final, Peach não teve coragem de arrastar um chefe da máfia para a churrascaria de beira de estrada que ele e sua irmã frequentavam. Após uma longa negociação que durou quase dez minutos, chegaram a um acordo e acabaram em um restaurante de grelhados de alto padrão. Não era exatamente o que Peach tinha imaginado, mas pelo menos não era um estabelecimento cinco estrelas.
O restaurante, localizado no coração de um shopping center, tinha um ambiente aconchegante com decoração em madeira. Graças aos seus preços exorbitantes, não estava lotado. Um rápido olhar ao redor confirmou as suspeitas de Peach, a maioria dos clientes parecia ter carteiras gordas o suficiente para resolver seus problemas da mesma forma que a máfia: jogando dinheiro neles.
Os guarda-costas de Thee haviam se dispersado, misturando-se perfeitamente com os outros clientes. Não era incomum que a multidão da tarde incluísse clientes em roupas de verão desfrutando de uma refeição em um lugar tão sofisticado.
Enquanto isso, Thee liderava o caminho enquanto se aventuravam mais fundo no restaurante, deslizando por trás de uma cortina e subindo uma escada para uma das salas privadas no andar superior. Apenas duas pessoas os seguiram para dentro do restaurante, ambos rostos familiares que estavam frequentemente no mesmo carro que o Sr. Thee.
O sempre eficiente secretário de Thee abriu a porta de uma sala. Peach acenou com a cabeça educadamente e ofereceu ao homem um pequeno e amigável sorriso. Pelo menos isso ajudou a acalmar seus nervos, até que a porta se fechou atrás dele, deixando-o sozinho com o Sr. Thee mais uma vez.
Aquele sorriso... Era para ser um encorajamento antes de me mandar para a guerra?
Peach soltou um suspiro silencioso enquanto deslizava para o assento em frente ao chefe da máfia sem protestar. Thee jogou o cardápio para ele antes de mergulhar imediatamente de volta em seu iPad, completamente desinteressado no que Peach poderia pedir.
Se eu estourar a conta pedindo todos os pratos caros do menu, Thee não terá o direito de reclamar depois. Peach pensou consigo mesmo com um toque de malícia. Então suspirou novamente, desta vez com leve diversão. O império Arseny nadava em riqueza. Mesmo que ele pedisse os itens mais caros do cardápio, não faria nem cócegas, provavelmente menos de um quarto de seus lucros trimestrais.
— Tem alguma coisa especial que você gostaria de comer? — perguntou Peach, segurando o cardápio enquanto pressionava os lábios nervosamente e lançava um olhar cauteloso para Thee. Ele estava morrendo de fome. Queria pedir tudo! Mas com Thee agindo tão indiferente, não ousou fazer um movimento.
— Apenas peça. Eu como qualquer coisa.
Assim que recebeu a bênção de Thee, o rosto de Peach se iluminou com um sorriso. Ele abriu o cardápio sem hesitação. Ele estava faminto, e já que Thee foi quem o arrastou para lá, e tinha explicitamente se oferecido para pagar, ele ia comer até se fartar.
Peach acabou apontando quase dez cortes de carne premium, sem incluir todos os acompanhamentos que adicionou só por garantia. O tempo todo, o chefe da máfia permaneceu grudado em seu iPad, sem lhe dar um único olhar.
Mas Peach não se importou. Muitos de seus amigos trabalhavam enquanto comiam juntos, ser adulto vinha com responsabilidades. Além disso, ele não era especial o suficiente para Thee pausar seu trabalho apenas para entretê-lo.
Não, Peach não se sentiu ofendido, nem um pouco. Nem se deu ao trabalho de perguntar no que Thee estava trabalhando. Em vez disso, pegou o celular e enviou uma mensagem rápida para sua irmã, lembrando-a de não exagerar na bebida pois a buscaria mais tarde. Feito isso, conversou distraidamente com ela sobre assuntos aleatórios enquanto esperava a comida.
Os pratos chegaram rapidamente. Fatias vibrantes de carne marmorizada, com a gordura entremeada como delicadas veias de mármore, foram dispostas lindamente nos pratos. Os cortes tinham a espessura ideal e, assim que a comida foi toda posta na mesa, Peach pegou ansiosamente a pinça e cuidadosamente colocou a carne na grelha, organizando-a em fileiras perfeitas, depois virou cada pedaço para frente e para trás com facilidade e prática, apreciando plenamente o processo.
Peach grelhou o primeiro pedaço de carne com perfeição, mas o Sr. Thee ainda estava absorto em seu iPad, sem nem mesmo olhar para cima. Peach, sentado ali inalando o aroma irresistível da carne grelhada, não ousou dar a primeira mordida. Em vez disso, continuou virando e arrumando a carne cuidadosamente nos pratos de servir.
Quando ele terminou de grelhar a segunda bandeja, os pratos estavam lindamente arrumados. Hesitando por um momento, ele finalmente decidiu se levantar e silenciosamente estender a mão por cima da mesa para pegar o prato vazio de Thee. Ele não esperava que o chefe da máfia de repente segurasse seu pulso com uma força tão grande que parecia que seus ossos poderiam quebrar.
— O que você pensa que está fazendo? — Thee rosnou, sua voz grave, baixa e fria. Ele virou a cabeça para olhar para Peach, seus olhos afiados brilhando com um olhar perigoso e predatório. Por um segundo, Peach se sentiu como uma presa encarando uma fera selvagem, com os dentes à mostra e se aproximando de sua garganta.
Isso é aterrorizante!
Engolindo em seco, Peach sentiu um calafrio de medo percorrer seu corpo. Seu pulso latejava sob o aperto de ferro de Thee, e seus olhos ardiam com lágrimas não derramadas. Mas ele não ousou puxar a mão. Seus dedos tremiam ligeiramente, forçando-o a tensionar os músculos para parar o tremor. Tudo o que podia fazer era morder o lábio inferior, tentando manter a compostura.
Peach tinha ficado confortável demais. Ele tinha esquecido a verdadeira natureza de Thee, embalado por raros momentos de indulgência. Ele era um chefe da máfia de corpo e alma.
— Sinto muito. Grelhei um pouco de carne para você e pensei em trocar seu prato, já que você parecia ocupado com o trabalho e não tinha comido ainda.
Ele forçou um sorriso trêmulo, mesmo quando seu pulso começou a ficar dormente. A julgar pela sensação de formigamento, seu fluxo sanguíneo provavelmente estava sendo cortado.
Theerakit congelou por um momento, seu olhar vagando para a mesa. Com certeza, a mão de Peach estava alcançando um prato vazio. Ao lado dele estava outro prato, cuidadosamente empilhado com fatias de carne perfeitamente grelhadas, sem mencionar os cubos de bife chiando ainda na grelha, liberando um aroma irresistível.
Depois de um momento, os olhos do chefe da máfia voltaram para Peach. Lentamente, quase relutantemente, ele afrouxou o aperto no pulso de Peach.
Peach, que estava segurando seu sorriso frágil como se sua vida dependesse disso, imediatamente deslizou o prato limpo para a frente de Thee, agarrou o vazio e recuou rapidamente para seu assento. Ele soltou um suspiro silencioso, olhando para suas mãos, que ainda tremiam ligeiramente. Seu pulso pálido exibia marcas vermelhas e irritadas, a marca clara do aperto de Thee.
Cerrando e abrindo os punhos algumas vezes, tentou afastar a tensão persistente e firmar os nervos. Com uma respiração trêmula, voltou sua atenção para a grelha.
O nó apertado de medo em seu peito não havia se desfeito totalmente, então ele se concentrou em sua comida, comendo em silêncio sem dizer uma palavra. Ele não olhou para Thee diretamente, mas pelo canto do olho, notou o chefe da máfia guardando seu iPad; a mão de Thee se moveu para pegar um par de pauzinhos em vez disso. Seus dedos eram longos, fortes e precisos, não é de admirar que seu aperto tivesse deixado marcas tão vivas.
— Eu não estava bravo com você.
A voz de Thee estava mais suave agora, mas Peach respondeu apenas com um leve sorriso e um murmúrio quieto de reconhecimento, mantendo a cabeça baixa. Ele apertou os pauzinhos um pouco mais forte para impedir que suas mãos tremessem. Do nada, seu apetite pareceu desaparecer, apesar de quão faminto ele estava apenas minutos atrás.
Ele não deveria ter vindo.
Forçando-se, Peach pegou um pedaço de carne e colocou na boca. O sabor rico e amanteigado da carne macia derreteu em sua língua, uma iguaria que ele raramente conseguia desfrutar.
Eu deveria aproveitar isso ao máximo, pensou. Quem sabe? Esta pode ser a última refeição chique que eu tenho.
— Como você sabia o que eu queria comer?
A pergunta veio do nada, suave o suficiente para quase soar como se Thee estivesse falando consigo mesmo. Mas na sala quase silenciosa, onde o único outro som era o estalo suave do carvão, Peach ouviu alto e claro. Seu corpo ficou tenso. Ele não sabia dizer se a pergunta era um elogio ou uma crítica.
— Eu apenas notei as coisas. Da última vez, você pediu um bife mal passado. E como já é tarde, pensei que muita comida gordurosa poderia irritar seu estômago. Ele hesitou, subitamente inseguro de si mesmo. — Se eu estava errado, sinto muito.
Thee não respondeu, ele simplesmente pegou um pedaço de carne e comeu sem mais uma palavra. Peach não pressionou por uma resposta. Em vez disso, focou na grelha à sua frente, embora não conseguisse se impedir de ocasionalmente colocar pedaços de carne perfeitamente grelhados no prato de Thee.
Mas uma coisa era certa, ele evitou completamente fazer contato visual com Thee.
Ele percebeu que havia baixado a guarda demais. Não importava o quão calmo ou até gentil Thee parecesse às vezes, isso não mudava o fato de que ele ainda era um chefe da máfia.
E Peach não era Aran, a pessoa por quem Thee havia se apaixonado.
Se ele esquecesse isso, da próxima vez, poderia custar sua vida.
FIM DO CAPÍTULO