CAPÍTULO 7
CAPÍTULO 7
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Peach continuou tirando fotos, desempenhando suas funções perfeitamente, embora sua mente continuasse vagando de volta para a mensagem anterior. Seu coração batia tão forte que era alarmante. Não, isso não era uma emoção romântica. Seu coração acelerado era alimentado por puro pânico, nada mais.
Ele soltou um suspiro silencioso, ainda incapaz de entender por que o chefe da máfia russa se daria ao trabalho de vir a um estúdio tão pequeno. Claro, essa filmagem comercial estava sob o guarda-chuva de sua empresa, mas o CEO realmente precisava supervisioná-la pessoalmente?
Peach tirou outra foto e depois olhou para baixo para revisar seu trabalho. A última foto era de Aran, o jovem modelo virando-se para sorrir para a câmera. Seu sorriso se abriu, seus olhos se estreitando daquela maneira encantadora que fazia qualquer um que olhasse para a foto sorrir também. Ele era verdadeiramente um modelo naturalmente cativante.
Peach se viu perdido por um momento antes de congelar. Uma memória surgiu de repente. O que ele tinha dito a Thee antes? Ah, certo, ele tinha enviado uma foto. Uma foto de Aran, pronto no set, parecendo fresco e alegre, e a intitulou como uma “Lembrança” para o chefe da máfia que estava tão obcecado pelo jovem modelo.
É isso! Ele está aqui por causa do Aran.
Com essa percepção, Peach sentiu um pouco da tensão em seus ombros diminuir. A urgência nas mensagens de Thee, sua rápida chegada, tudo fazia sentido agora. Ele queria ver Aran. Nas últimas semanas, os dois não tiveram chance de se encontrar. As coisas estavam tão estagnadas entre eles que o chefe da máfia nem tinha o número de telefone de Aran!
Mas, por outro lado, talvez Thee já tivesse o número de Aran. Com sua influência, obter as informações de contato de um modelo não seria difícil. Ainda assim, ele provavelmente não ousaria ligar e marcar um encontro por conta própria.
Isso provavelmente era o melhor. Se Aran descobrisse que Thee havia conseguido seu número por meios questionáveis, isso poderia deixar uma má impressão.
Sentindo-se um pouco mais à vontade com esse pensamento, Peach voltou a tirar fotos. O tempo voou, e a próxima coisa que notou foi uma comoção em um canto do estúdio. No entanto, estava tão focado em seu trabalho que não prestou muita atenção.
Não percebeu nada até que o diretor pediu um intervalo, permitindo que Aran trocasse de roupa para a próxima sessão, foi quando Peach começou a sentir que algo estava errado. Enquanto revisava as fotos em sua câmera, percebeu que alguém o observava. Olhando para cima, encontrou um olhar agudo e intenso que o fez pular levemente.
Lá, sentado atrás do diretor com os braços cruzados, estava a figura imponente do chefe da máfia russo-tailandês. Mas os olhos penetrantes de Thee não estavam focados no monitor do diretor como deveriam. Em vez disso, estavam travados em Peach com um brilho predatório, como se ele tivesse encontrado sua presa. A intensidade de seu olhar enviou um calafrio pela espinha de Peach, fazendo os pelos da nuca se arrepiarem.
Por que ele está olhando para mim? Eu fiz algo errado?
Peach franziu a testa, quebrando o contato visual e fingindo focar em sua câmera, embora sua mente estivesse acelerada. Depois de um momento, ao olhar para o visor de tempo da câmera, algo clicou.
Já é tarde.
Talvez ele esteja apenas esperando por Aran. Ou talvez esteja chateado porque não agendei as coisas corretamente para ele.
Peach roubou um olhar para o diretor, que parecia visivelmente desconfortável com Thee sentado logo atrás dele. O pobre homem finalmente se desculpou e saiu para verificar o set, provavelmente para escapar da pressão esmagadora da presença do chefe da máfia.
Aproveitando o momento, Peach se aproximou, fazendo uma leve reverência ao diretor de meia-idade antes de se inclinar para sussurrar suavemente.
— Acho que devemos encerrar por hoje. — sugeriu Peach baixinho, lançando outro olhar para o chefe da máfia, cujo olhar parecia ainda mais afiado do que antes. O diretor enxugou a testa, claramente inquieto. Após um rápido olhar para seu convidado formidável, ele concordou com a cabeça.
Peach recuou enquanto o diretor anunciava o fim da filmagem, gritando para que todos arrumassem as coisas. Dando um sorriso rápido para seus colegas, dirigiu-se diretamente ao camarim do modelo com passos determinados.
Ele bateu na porta e, quando uma voz de dentro disse para entrar, empurrou-a. Dentro, Aran estava removendo a maquiagem, parecendo relaxado. Alguém provavelmente já o havia informado de que a filmagem havia acabado por hoje.
Quando viu quem era, imediatamente se animou e perguntou: — Por que cancelaram, Peach?
— Terminamos mais cedo do que o planejado, então o diretor disse que poderíamos fazer uma pausa. — respondeu Peach, meio sério, meio brincando.
Ele se aproximou, hesitando por um momento enquanto tentava encontrar as palavras certas para o que tinha a dizer. Finalmente, conseguiu dizer.
— Aran, o Sr. Arseny passou aqui hoje.
O jovem congelou, virando-se totalmente para ele, seus grandes olhos se arregalando com uma mistura de surpresa e cautela. Parecia um animalzinho assustado, frágil e vulnerável. Peach não pôde deixar de sorrir levemente, estendendo a mão para dar um tapinha gentil na cabeça do jovem algumas vezes na tentativa de confortá-lo. Apenas por um momento, ele rapidamente puxou a mão de volta. Sabia muito bem que se Tawan entrasse e visse isso, provavelmente acabaria com um olho roxo.
— Por que ele está aqui? Ele está bravo comigo? — Aran franziu a testa profundamente, seus lábios se pressionando em uma linha fina enquanto a dúvida cruzava seu rosto.
Peach não pôde deixar de rir, tentado a perguntar como diabos Aran havia chegado a essa conclusão.
Aquele chefe da máfia provavelmente te comeria vivo se pudesse! Peach guardou esse pensamento para si. De jeito nenhum ele diria isso em voz alta e enviaria o cara à sua frente para um pânico total. Se isso acontecesse, Peach imaginou que provavelmente seria ele quem levaria um tiro.
— Talvez ele só queira acertar as coisas com você. — disse Peach casualmente, seu tom suave e relaxado. — Vocês vão trabalhar juntos por um tempo, não vão?
Claro, Peach sabia que um presidente de empresa não se incomodaria em fazer as pazes com um modelo só porque ele era o embaixador da marca nesta temporada. Mas ei, era a desculpa mais razoável que conseguia inventar para aliviar os nervos de Aran.
O modelo permaneceu em silêncio, seu rosto marcado por profunda concentração. Peach decidiu dar-lhe um empurrãozinho.
— Vamos lá, por que você não sai e diz oi? É a coisa educada a fazer. — Sugeriu Peach. Então, sentindo a hesitação de Aran, acrescentou. — Ah, e eu não ficaria surpreso se alguém mencionasse que Tawan jogou fora o buquê de Arseny. Melhor esclarecer as coisas antes que cause algum drama, não acha?
A carranca de Aran se aprofundou com isso, mas ele acabou assentindo lentamente, embora com relutância. Vendo-o ceder, Peach abriu um largo sorriso.
Ele estava prestes a sugerir que Aran se refrescasse um pouco quando seu telefone vibrou no bolso. Peach o puxou, deixando Aran continuar arrumando suas coisas. A notificação na tela era difícil de perder:
THEE: Já está escuro lá fora. Você não vai jantar?
Peach piscou, olhando para a mensagem como se ela tivesse aparecido do nada. O que isso quer dizer? Thee estava sugerindo que ele deveria convidar Aran para jantar ou algo assim?
O fotógrafo suspirou e beliscou a ponte do nariz, sentindo uma gota imaginária de suor escorrer pela testa. Só hoje, quantas vezes ele bancou o mediador, mentiu e se desdobrou por esses dois? Por que eles não podiam simplesmente se apaixonar ou começar a namorar sem arrastar o resto do mundo para isso?
Peach gemeu internamente, sua frustração transbordando. Ele queria agarrar o Cupido pelo colarinho e sacudi-lo.
Por que você não está fazendo o seu trabalho? Por que está despejando tudo isso em mim?
Mas no momento em que imaginou o rosto do Cupido, ele se parecia suspeitosamente com o do chefe da máfia.
Resignado, Peach suspirou novamente e aceitou seu papel neste drama ridículo, não importava quanta dor de cabeça isso causasse.
Em pouco tempo, Aran ajustou a alça de sua bolsa e caminhou em direção a Peach, assentindo como um soldado se preparando para a batalha. Peach mudou rapidamente seu comportamento, suavizando sua expressão em um sorriso gentil para tranquilizá-lo. Ele se aproximou do gerente e disse que ele poderia ir embora agora, Peach seria quem acompanharia o modelo.
Afinal, Thee estava esperando. Ele sempre poderia passar o bastão mais tarde.
Eles caminharam lado a lado, Peach mantendo a conversa leve, jogando piadas brincalhonas para arrancar uma risada ou duas de Aran. Aos poucos, o modelo relaxou e a tensão em seus ombros diminuiu.
Não demorou muito para chegarem à saída do estúdio, onde o Sr. Thee já estava esperando com braços cruzados, exalando sua habitual presença de comando. Peach inclinou a cabeça e deu um passo à frente com um sorriso forçado.
— Boa noite, Sr. Thee. Que honra ter você supervisionando pessoalmente nosso trabalho.
A carranca de Thee se aprofundou instantaneamente, sua expressão escurecendo com clara desaprovação. Sem nem tentar esconder sua irritação, ele lançou a Peach um olhar cheio de fúria mal disfarçada.
Mas Peach não se importou. Missão cumprida: ele tinha arrastado Aran com sucesso até aqui. E com Tawan fora de cena naquele dia, não haveria oportunidade melhor do que esta.
Peach sorriu largamente e gesticulou em direção ao modelo.
— Permita-me apresentar formalmente Aran, nosso modelo principal para a coleção de outono. — Então, virando-se para Aran, ele o cutucou levemente. — Vá em frente, Ran, diga olá. Este é Theerakit Arseny, presidente da Arseny Corporation.
Aran olhou para Thee brevemente antes de fazer uma reverência educada com as mãos juntas de maneira perfeita. Peach soltou um suspiro sutil de alívio, grato por Aran ainda ter a presença de espírito para fazer as coisas corretamente quando importava.
Os olhos cinza penetrantes do chefe da máfia suavizaram, apenas um pouco, mas Peach percebeu. Dando um tapinha mental nas costas pelo sucesso, ele não perdeu tempo indo direto ao ponto.
— Uau, já está tarde, não está? Esqueci completamente que tenho uma reunião urgente hoje à noite. — disse Peach, batendo na testa em exagerada realização. — Não acredito que esqueci dos nossos planos de jantar, Sr. Thee. Sinto muito!
Thee virou-se para ele bruscamente, seus olhos cinza-aço agora cheios de uma intensidade quase predatória. Seu desagrado era palpável, tanto que um de seus subordinados próximos instintivamente deu um passo para trás.
Mas Peach, felizmente alheio, permaneceu imperturbável. Em vez disso, virou-se para Aran, tomando as mãos dele nas suas e usando sua voz mais lamentável para implorar.
— O Sr. Thee está realmente envolvido neste projeto da coleção de outono. E já que você não tem nada agendado hoje, eu te imploro, Ran, você poderia, por favor, conversar com ele por mim? No caminho de volta, tenho certeza de que a equipe do Thee pode te deixar em casa.
— Eu não preciso de carona, Peach, posso ir para casa sozinho. — respondeu Aran, balançando a cabeça tão rapidamente que seu cabelo voou em todas as direções. Mas Peach não estava pensando em desistir agora, não quando já havia se comprometido com esse esquema. Ele intensificou o aperto nas mãos de Aran, olhando para ele com a expressão mais suplicante que conseguiu reunir.
— Eu prometi ao nosso gerente, Ran. Como posso quebrar minha palavra? Além disso, você está ficando mais popular. E se você entrar no carro errado ou encontrar algum fã obsessivo? O que você faria então?
Peach despejou suas palavras em um único fôlego, não dando a Aran a chance de argumentar. Sem perder o ritmo, Peach virou-se para Thee, agarrou sua mão maior e a colocou sobre a menor de Aran, pressionando fisicamente suas mãos juntas.
Em seu pânico apressado, Peach esqueceu completamente que não deveria tocar em Thee tão casualmente. Mas lá estava ele, empurrando a mão delicada de Aran na palma larga de Thee como se estivesse selando algum tipo de acordo.
— Tudo bem então, estou deixando ele em suas mãos! — Peach declarou com uma rápida reverência. Antes que qualquer um deles pudesse reagir, ele soltou as mãos, girou nos calcanhares e correu em direção a um táxi que esperava.
Profissionalismo no seu melhor! Pensou ele, já se imaginando desfrutando de um bife wagyu depois de realizar tal truque magistral.
...
Theerakit ficou congelado por um momento. Ninguém nunca havia forçado algo, ou alguém, sobre ele daquele jeito e depois fugido. Seus olhos afiados seguiram Peach até que o fotógrafo desapareceu no táxi. As sobrancelhas de Thee franziram, uma mistura de irritação e confusão escurecendo suas feições.
Mas antes que pudesse parar para processar a audácia de tudo isso, o som de seu telefone vibrando o trouxe de volta ao momento. Soltando a mão de Aran, ele pegou o telefone. Seu olhar demorou na notificação piscando na tela, e sua expressão mudou para algo mais complexo, como se as emoções dentro dele estivessem se agitando de uma maneira que nem ele conseguia entender completamente.
PEACH: Eu te entreguei a oportunidade perfeita. Agora é tudo com você. Boa sorte!
Thee pressionou os lábios e colocou o telefone de volta no bolso. Quando olhou para cima, Aran já estava lá, olhando para ele nervosamente, sua expressão uma mistura de preocupação e leve medo. Algo naquilo tocou seu coração, suavizando a tempestade que vinha se formando dentro dele.
Ele não podia negar, Aran era de tirar o fôlego. Um homem com traços delicados, quase etéreos, uma estrutura esbelta que ainda continha um toque de músculo, e uma pele tão clara e lisa que praticamente brilhava. Thee ainda podia sentir o calor suave daquela pele de quando havia segurado a mão de Aran antes.
E, no entanto, estranhamente, a sensação que mais persistia não era aquele calor, era o calor áspero da mão de outra pessoa.
— Uh... você já comeu, Sr. Thee? — A voz hesitante de Aran quebrou o silêncio. Seu tom vacilou, mas havia determinação em suas palavras. — Estou disposto a responder a quaisquer perguntas sobre a filmagem da coleção de outono em nome do Peach. Quero dizer, ele sabe a maioria dos detalhes, mas... eu tenho verificado frequentemente para monitorar o progresso. Talvez eu possa substituí-lo, pelo menos um pouco.
Theerakit baixou o olhar, o peito ainda apertado com a irritação persistente. O que mais o frustrava era que ele não conseguia identificar exatamente por que estava tão chateado. Respirando fundo, forçou para baixo o turbilhão dentro dele e respondeu em um tom seco e autoritário.
— Entre no carro.
Peach tinha passado por tanto trabalho para armar isso para ele. O mínimo que podia fazer era aproveitar a oportunidade que lhe fora dada. Mesmo que sua mente estivesse mais emaranhada e confusa do que nunca.
FIM DO CAPÍTULO