CAPÍTULO 6
CAPÍTULO 6
As fragrâncias da coleção de outono da Arseny foram divididas em quatro segmentos distintos de publicidade, com Aran como embaixador da marca para a temporada. Embora a sessão de fotos promocional tivesse acabado de terminar, ainda havia comerciais para filmar e fotos adicionais para tirar para as promoções sazonais em andamento.
Ontem, houve uma reunião pré-filmagem para finalizar os planos, e Peach, o fotógrafo principal da coleção, teve que comparecer para se preparar para capturar imagens dos bastidores e fotos promocionais durante as filmagens.
Durante aquela reunião, Peach viu Aran segurando um enorme buquê de flores. Era um arranjo elegante de várias flores em tons suaves de branco, com nada além de um cartão de visita preto elegante discretamente colocado entre elas. O modelo parecia visivelmente confuso, provavelmente se perguntando o que fazer com o gesto.
Sim, o remetente era o chefe da máfia russa, e os dois haviam trocado algumas palavras acaloradas há apenas alguns dias. Agora, do nada, um enorme buquê havia chegado, sem cartão, sem pedido de desculpas, apenas um cartão de visita enigmático indicando quem o enviara. Qualquer um que recebesse um presente como aquele se sentiria naturalmente preso e desconfortável.
Peach esfregou as têmporas, resistindo à vontade de gemer. Ele não esperava que Thee levasse seu conselho tão ao pé da letra! Ele não poderia pelo menos incluir um cartão simples dizendo “Sinto muito”?
Arriscando-se, Peach interveio para acalmar a situação, sugerindo que talvez o buquê fosse a maneira de Thee se desculpar pela discussão do outro dia. Os olhos grandes e de cervo de Aran se encheram de ceticismo enquanto ele agarrava o braço de Peach e o sacudia, como se exigisse saber como ele poderia ter tanta certeza.
Antes que Peach pudesse explicar completamente, Tawan apareceu inesperadamente. Ver Aran segurando o enorme buquê com um braço e segurando o braço de Peach com força com o outro foi o suficiente para despertar o temperamento de Tawan. O jovem fotógrafo rapidamente se afastou e deu três grandes passos para trás, balbuciando que as flores não eram dele.
O jovem ator se virou e lançou-lhe um olhar agudo antes de agarrar Peach pelo braço e arrastá-lo para fora do escritório na velocidade da luz. No caminho, ele pegou o buquê e o jogou no lixo sem pensar duas vezes.
Ele deveria ter perguntado sobre isso primeiro? Claro. Aran era atraente, mas isso não significava que todos estivessem loucamente apaixonados por ele, como Tawan parecia acreditar. Quantas vezes ele teria que se explicar antes que eles realmente ouvissem? Honestamente, talvez o Sr. Thee não fosse o único que precisava de um choque de realidade.
Peach suspirou e esfregou as têmporas, já considerando carregar um inalador aromático se todos os dias fossem tão estressantes assim.
Era o primeiro dia de uma filmagem comercial, e Peach estava no set para tirar fotos adicionais. Pela primeira vez, ele estava livre de bancar o chefão e deixara as rédeas nas mãos do diretor de publicidade. Com apenas sua fiel câmera pendurada no pescoço, ele vagava pelo set, capturando casualmente fotos interessantes.
Ele trocou cumprimentos com alguns colegas e mal havia começado a fotografar quando um membro da equipe correu até ele, ofegante. Sem dizer uma palavra, o membro da equipe lhe entregou uma caixa preta elegante.
Peach levantou uma sobrancelha, confuso, mas pegou a caixa mesmo assim. Era uma caixa de chocolates de alta qualidade, completamente preta, rotulada como chocolate amargo premium da América, com 90% de teor de cacau. A embalagem exalava luxo, e presa a ela estava uma pequena nota. A caligrafia era rápida e um tanto bagunçada, mas ainda elegante, e continha apenas algumas palavras:
“Deixo isso em suas mãos.”
Peach congelou, totalmente perplexo. Para quem era esse chocolate? E o que esperavam que ele fizesse com isso? Antes que pudesse ponderar mais, virou a nota. Lá, um cartão de visita preto elegante com bordas prateadas brilhantes o cumprimentou. Em letras grandes e inconfundíveis, estava escrito o nome Arseny Enterprises.
Ele virou a nota de volta, encarando a mensagem enigmática novamente. O que exatamente o chefe da máfia queria deixar para ele? Ou talvez significasse: “Você poderia dar isso a Aran por mim?”
Peach acenou para si mesmo, convencido de que devia ser o caso. Ontem, foram flores como um pedido de desculpas; hoje, chocolates para comemorar o primeiro dia da filmagem comercial. No entanto, o plano havia saído um pouco dos trilhos.
Ele o lembrara repetidamente para escolher algo doce, Aran adora sobremesas! Ainda assim, era chocolate premium. Talvez fosse a receita mais requintada e de primeira linha da loja ou algo assim.
Com isso em mente, Peach se sentiu em conflito. Claro, ele poderia ficar um pouco orgulhoso de que, pela primeira vez, ele estavam levando sua sugestão a sério. Mas agora que o plano havia se desviado do curso, não havia muito que ele pudesse fazer exceto improvisar para fazer isso parecer um sucesso. Quanto mais impressionante ele pudesse fazer parecer, mais pontos Arseny marcaria na lista de Aran, e mais seguro o próprio Peach estaria.
Peach dirigiu-se direto para a sala dos funcionários, caminhando até ver o nome de Aran na porta. Ele bateu uma vez e esperou o som suave de permissão antes de empurrar a porta.
Lá dentro, Aran, o modelo deslumbrantemente bonito, estava sentado em frente à penteadeira. Sua maquiagem já estava impecável, restando apenas o cabelo para pentear.
— Peach! Você está aqui também. — Aran o cumprimentou com um sorriso brilhante e alegre. Ele se virou para agradecer ao estilista antes de praticamente saltitar até Peach.
— Eu tive que vir tirar algumas fotos dos bastidores. Além disso, é seu primeiro comercial, eu tinha que aparecer e parabenizar você. — respondeu Peach com um sorriso, o que só fez Aran sorrir ainda mais.
O fotógrafo entregou-lhe um pequeno buquê, apenas três ou quatro flores, arranjadas de forma simples, mas doce, como um gesto de apoio para o grande dia de Aran. Mas quando Peach olhou para a mesa atrás de Aran, uma onda de constrangimento o atingiu.
A mesa estava transbordando de presentes e eram luxuosos. Seu modesto buquê parecia totalmente simples em comparação. E lá estava, um enorme buquê de rosas vermelhas, facilmente cerca de cem hastes em sua estimativa. Não era preciso prêmio para adivinhar de quem era. Definitivamente era de Tawan.
Será que essa era a maneira dele de se vingar de Theerakit pelo buquê de desculpas da última vez?
Peach não pôde deixar de se sentir divertido e irritado. Tawan, um jovem ator e filho único de um bilionário, era mimado e teimoso, sempre ansioso para vencer. Não era surpreendente que ele tivesse ido tão longe por algo assim.
Apesar de parecer problemático, Tawan não era totalmente ruim. No fundo, ele era educado, respeitoso e bem-comportado. Sua maneira encantadora de falar muitas vezes conquistava as pessoas. Até mesmo sua atitude exigente era vista por muitos como cativante.
Parecia que ele era o único que, toda vez que encontrava Tawan, era recebido com um olhar que gritava que ele queria vê-lo morto. Nem uma vez houve sequer um indício de bondade.
Peach suspirou, exasperado. Ele não tinha ideia do que mais poderia fazer para convencer o ator de que não estava interessado no modelo. Essa raiva irracional e ciumenta que Tawan exibia toda vez que Aran interagia com outro homem... o que havia de tão fascinante nisso? E, no entanto, os maquiadores gritavam sobre isso como se fosse o drama mais suculento que já tinham visto.
Afastando seus pensamentos errantes, Peach estendeu o buquê. Ele não se importava se seu pequeno presente parecia pouco impressionante em comparação com os outros. Ele estava ali apenas para mostrar alguma cortesia profissional como colega sênior, nada mais.
— Isso é meu. Desejando a você uma filmagem tranquila. — disse ele com um sorriso, entregando o buquê antes de entregar a luxuosa caixa de chocolates. — E isso é de alguém que queria parabenizá-lo pelo seu primeiro comercial.
Aran pegou o buquê, segurando-o com cuidado, depois pegou a caixa elegante. Suas sobrancelhas perfeitamente desenhadas franziram enquanto ele a virava, procurando um cartão que revelasse quem era o remetente.
— De quem é isso? — O modelo perguntou, levantando uma sobrancelha em confusão.
— O remetente do buquê branco de ontem.
Aran congelou. As feições delicadas do modelo mudaram, uma mistura de confusão e cautela cruzando seu rosto. Peach simplesmente sorriu para ele, sua expressão gentil, tentando tranquilizá-lo.
— Ele provavelmente só quer parabenizá-lo pelo seu primeiro comercial. Apenas aceite. — Insistiu Peach, tentando resolver tudo rapidamente. Ele estava apavorado que Aran pudesse recusar e devolver a caixa de chocolates. Ele nem queria imaginar o que aconteceria se falhasse nesta missão. Aquele chefe da máfia infernal mostraria sua verdadeira face? De jeito nenhum. Não havia absolutamente nenhuma chance de ele deixar seu pescoço, ou sua cabeça, acabar do lado errado de uma bala.
Aran hesitou por um momento antes de finalmente ceder e abrir a caixa. Um leve aroma agridoce se espalhou no instante em que a tampa foi levantada, e seus olhos brilharam de curiosidade. Pegando um pedaço, colocou na boca, apenas para franzir a testa imediatamente, lábios se pressionando em uma clara expressão de desgosto.
— É tão amargo, Peach! — Aran reclamou, tateando em busca de uma garrafa de água para engolir.
Peach apenas balançou a cabeça com um olhar de quem sabia. Claro, era amargo, era 90% cacau. O que Aran esperava?
Agora que a caixa estava oficialmente aberta, Peach não se conteve. Ele pegou um pedaço para si e deixou derreter na língua. O sabor intenso de chocolate se espalhou por sua boca, equilibrado por uma leve doçura no final. O leve cheiro de cacau pairando no ar era estranhamente relaxante.
Acenando para si mesmo, ele não pôde deixar de admitir: Este é um chocolate de primeira linha.
— Não tem gosto amargo para você, Peach? — Aran resmungou, olhando-o com cautela enquanto agarrava a garrafa de água como se fosse sua tábua de salvação.
— Não, só um pouco. É muito bom, no entanto. Realmente de alta qualidade.
Aran descansou o queixo na mão, observando enquanto Peach, distraído, pegava outro pedaço. Ele parecia tão absorto no sabor rico que Aran não resistiu a provocá-lo.
— Sabe, acho que aquele cara provavelmente queria dar esse chocolate para você, não para mim.
Peach congelou no meio da mordida, engasgando com o pedaço na boca. Ele tossiu violentamente, o som ecoando pela pequena sala enquanto Aran corria para pegar uma garrafa de água para ele. Peach tomou alguns goles antes de finalmente recuperar o fôlego, embora seus braços ainda estivessem cobertos de arrepios.
De jeito nenhum, nem em um milhão de anos aquele cara da máfia russa teria comprado os chocolates para ele. Só de pensar nisso sua pele se arrepiou.
— Não é isso, é para você. — explicou Peach rapidamente, hesitando antes de pegar outro pedaço de chocolate. De repente, o sabor rico não parecia tão atraente.
— Como é meu? — Aran retrucou, cruzando os braços. — Eu só como coisas doces. Sobremesas, bolos, qualquer coisa açucarada. A única pessoa que conheço que gosta de chocolate amargo é você, Peach.
Peach franziu a testa imediatamente. A pergunta havia passado por sua cabeça assim que recebeu os chocolates. Alguém como Arseny, um verdadeiro chefe da máfia, provavelmente não teria tempo, ou interesse, para escolher presentes pessoalmente. Isso era definitivamente algo que sua secretária teria cuidado.
Mas não havia como ele dizer isso em voz alta! Caso contrário, os pontos de simpatia da máfia com Aran seriam completamente arruinados.
— Ele provavelmente não sabia. — disse Peach rapidamente, tentando suavizar as coisas. — Provavelmente é apenas o melhor chocolate da loja, então ele pediu. Quer dizer, você só o encontrou uma vez, certo? Como ele saberia do que você gosta ou não gosta? Dê a ele uma chance de descobrir. Da próxima vez, tenho certeza de que ele trará algo mais doce para você.
E, por favor, pensou Peach, deixe aquele mafioso realmente ouvir e acertar da próxima vez!
Ele conversou com Aran um pouco mais antes de se levantar para tirar algumas fotos dos bastidores. Não demorou muito para que Aran tomasse seu lugar em frente à câmera, pronto para filmar o comercial.
Peach andava de um lado para o outro, procurando o ângulo perfeito para capturar a ação. Por um breve momento, sua mente vagou de volta para o chefe da máfia.
Aquela caixa de chocolates provavelmente tinha sido destinada a Aran, o modelo favorito do chefe da máfia, mas lá estava ele, já tendo comido metade dela. O chefe ficaria bravo se descobrisse?
O pensamento fez Peach franzir a testa, desconfortável. Depois de refletir, decidiu fazer algo a respeito. Pegando o telefone, tirou uma foto de Aran, certificando-se de capturar seu sorriso suave e encantador. Quando ficou satisfeito com a edição, enviou a foto para o homem que havia enviado os chocolates.
Depois de salvar o número em seu telefone, o aplicativo de mensagens adicionou automaticamente o chefe da máfia aos seus contatos, mas Peach nunca ousara contatá-lo antes. Hoje, no entanto, imaginou que provavelmente era uma boa ideia, pelo menos para sua própria segurança, como um subordinado leal que precisava manter o chefe informado.
PEACH: Missão cumprida com os chocolates. Aqui está algo extra para você. [Foto Enviada]
Peach viu a notificação de “lido” aparecer na mensagem e calmamente colocou o telefone de volta no bolso. Ele pensou que era isso. Mas assim que estava bloqueando a tela, o telefone vibrou insistentemente em sua mão.
Uma resposta.
THEE: Onde você está?
Peach piscou, confuso. Por que ele iria querer saber isso? Ainda assim, digitou rapidamente uma resposta educada.
PEACH: Estúdio A.
THEE: Estou a caminho.
Espera! O quê? Ele congelou. A caminho? Aqui? Por quê? Ele estava bravo? Teria ele descoberto de alguma forma que Peach tinha comido metade dos chocolates?
Peach sentiu vontade de gritar internamente enquanto segurava o telefone em uma mão e uma bola antiestresse imaginária na outra. Se ao menos ele pudesse inventar uma desculpa urgente para desaparecer deste lugar.
Por favor, apenas vá embora!
FIM DO CAPÍTULO