CAPÍTULO 5
CAPÍTULO 5
Este almoço entraria para a história como uma das refeições mais inesquecíveis da vida de Peach. Não apenas porque aconteceu no restaurante dos seus sonhos, aquele que ele desejava visitar há muito tempo, ou porque a comida superou todas as expectativas, mas por causa do homem sentado à sua frente. Um verdadeiro chefe da máfia russa, completo com uma arma e guarda-costas ao seu lado. Isso por si só já teria sido suficiente para tornar esta refeição memorável.
Se a comida não fosse tão ridiculamente cara e insanamente boa, Peach teria fugido no momento em que se sentou. Em vez disso, ele ficou, seus nervos tão tensos que sentia que seu estômago poderia simplesmente parar de funcionar. Ele jogou alguns antiácidos e pílulas digestivas na boca, engolindo com água sem pensar duas vezes sobre quando deveria tomá-los. Honestamente, o fato de não estar engolindo também um remédio para enxaqueca era nada menos que um milagre.
— Bem, acho que devo ir agora. Obrigado pela refeição.
Peach disse com um sorriso estranho, sua voz rígida. Agora que havia terminado de comer, a conversa havia morrido, deixando-o inseguro sobre o que fazer consigo mesmo. Ele queria se virar e ir embora, mas o outro homem ainda estava lá, observando-o silenciosamente. O peso do olhar de Thee congelou Peach no lugar, seus pés se recusando a se mover.
Thee estava com os braços cruzados, sua expressão ilegível, como se estivesse decidindo algo em sua mente. Após um longo momento, ele finalmente falou.
— Você deu bons conselhos. Quanto você quer por isso? Dez mil? Seria o suficiente?
— Hã?
Peach piscou, completamente perdido. Como a conversa havia voltado para dinheiro?
O chefe da máfia, no entanto, parecia não se incomodar com a confusão de Peach. Em vez de esclarecer, Thee tocou o queixo, parecendo pensativo.
— Não é o suficiente? Eu tinha pensado originalmente em pagar dez mil por conselho, e seu conselho foi bastante sólido. Tudo bem, vou aumentar para cinquenta. Feliz agora?
O jovem fotógrafo gemeu, esfregando as têmporas como se tentasse impedir sua cabeça de explodir. Ele realmente sentia vontade de chorar. Por que era tão diabolicamente difícil conversar com um chefe da máfia russo?
Claro, as palavras do cara eram frustrantes pra caramba, como se ele pensasse que poderia resolver todos os problemas jogando dinheiro neles, mas Peach não podia explodir com ele. Perder a paciência poderia muito bem fazer com que ele fosse “tratado” antes mesmo que sua próxima sessão de fotos terminasse.
Ele queria dinheiro? Claro. Mas aceitá-lo seria como assinar para ser o lacaio pessoal desse homem, e ele tinha certeza de que se envolver com Thee não terminaria bem. Muito provavelmente, ele estaria morto muito antes de poder gastar um centavo disso.
Peach respirou fundo, acalmando-se e perguntou: — Por que você está tentando me dar dinheiro?
— Você fez um bom trabalho. Estou satisfeito. Eu recompenso as pessoas quando estou satisfeito.
Peach soltou um suspiro longo e cansado. Ele realmente tinha que explicar o básico?
— Por favor, me faça um favor e nunca diga isso para Aran. Ele vai ficar irritado. — disse Peach, expirando dramaticamente como se o peso do mundo estivesse em seus ombros. Ele nem tinha certeza de como formular seu próximo pensamento.
Thee franziu a testa, parecendo mais confuso do que ofendido. Não exatamente encorajador, mas pelo menos ele não estava puxando uma arma. Isso deu a Peach coragem para abusar um pouco da sorte e oferecer alguns conselhos.
— Esse tipo de frase soa muito duro. — explicou ele, tentando soar sério e um pouco patético. — É como se você estivesse apenas jogando dinheiro para comprar as pessoas. Mas eu vim aqui de boa fé. Eu realmente queria ajudar você, Sr. Thee.
Peach não estava apenas explicando, estava aumentando seu próprio valor. Talvez, apenas talvez, ele pudesse obter um pouco de simpatia desse chefe da máfia. Eu sei que meu nome não é Aran. Mas sério, você poderia parar de franzir a testa assim? Era exaustivo.
— Como é cruel recompensar alguém por ser bom para mim? — Thee franziu a testa novamente, sua irritação se aprofundando.
— A refeição agora foi mais do que suficiente como um agradecimento. — disse Peach com uma pequena pausa nervosa antes de continuar. — Estava delicioso. Honestamente, eu queria comer lá há muito tempo, mas nunca tive a chance. — Ele hesitou, depois acrescentou. — E se alguém faz algo gentil por você e te faz feliz, tudo o que você realmente precisa fazer é dizer obrigado.
O chefe da máfia ficou em silêncio, sua expressão ilegível. Os guarda-costas próximos trocaram olhares estranhos, divididos entre conter o riso e um leve pânico. Mas Thee não lhes deu atenção, seu olhar fixo firmemente em Peach.
Mesmo sabendo que não ouviria o que esperava, Peach não pôde deixar de prender a respiração em antecipação. Thee pareceu refletir sobre algo, seus lábios se movendo levemente como se testasse palavras desconhecidas. Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, ele falou em uma voz calma e monótona.
— ... Obrigado.
Isso foi tudo o que foi preciso para iluminar o rosto de Peach. Um sorriso radiante se espalhou por seus lábios, alcançando seus olhos e fazendo-os se curvarem em meias-luas. Ele não esperava isso, não realmente, mas agora que tinha ouvido, não podia negar o quão feliz isso o deixava. Finalmente, suas palavras pareciam ter alcançado o homem.
— De nada. — respondeu Peach calorosamente.
…
Theerakit era um chefe da máfia russa por completo. Seu pai fora um líder da máfia russa, um traficante de armas que começou como um mero intermediário e subiu até o topo, eventualmente possuindo sua própria empresa de fabricação de armas. Hoje em dia, seu pai dominava o comércio global de armas no mercado negro, fornecendo a todos, desde pequenos gângsteres até governos nacionais. O nome Arseny era infame nas sombras do submundo.
Nos últimos anos, várias organizações começaram a investigar seu império. Embora ninguém ousasse fazer um movimento direto, a interferência constante se tornou um incômodo. Em resposta, Thee criou uma fachada legítima, uma marca de luxo especializada em joias e perfumes, que por acaso era a máquina perfeita de lavagem de dinheiro para o negócio de armas da família.
Claro, muitas das peças de joalheria continham surpresas ocultas, algumas eram modificadas em armas, outras eram feitas do mesmo metal de alta qualidade usado em armas de fogo. Com a perspicácia nos negócios e a liderança decisiva de Thee, a marca de joias e perfumes Arseny disparou para a proeminência em seu primeiro ano, garantindo um lugar de destaque no mercado de luxo.
Era um caso clássico de “a fruta não cai longe do pé”. Com um pai como o dele, como Thee poderia ter se tornado diferente? Ele cresceu aprendendo que, se quisesse algo, tinha que lutar, arranhar e manipular para conseguir. Recompensar aqueles que cooperavam. Punir aqueles que não o faziam. E sempre garantir que as pessoas o temessem.
Era assim que sempre tinha sido. Mas hoje, bem aqui, agora, alguém o olhou nos olhos e pediu nada mais do que uma refeição e um simples “obrigado”.
Desculpas e gratidão. Palavras tão vazias quanto poderiam ser. Thee nunca pensou que essas palavras pudessem lhe render algo de valor. Então, quando Peach pediu por elas, Thee hesitou. Ele, um homem que nunca pronunciara essas palavras em sua vida, encontrou-se considerando cuidadosamente o pedido.
Mas então ele viu aqueles olhos brilhantes e honestos olhando para ele, meio expectantes, meio pacientes. E pensou, tudo bem. Ele já havia prometido uma recompensa. Se uma palavra de duas sílabas era tudo o que era preciso, não era muito esforço.
O que ele não esperava era que aquelas duas simples sílabas iluminassem o rosto de Peach como o sol rompendo nuvens de tempestade. Seu sorriso radiante era tão deslumbrante que era quase cegante. Por um momento, Thee se perguntou: o cara realmente gostava de ouvir isso? Era de alguma forma mais valioso para ele do que receber dez mil?
Afastando esse pensamento ridículo, ele o descartou como nada mais do que... apenas uma das peculiaridades de Peach. Não havia nada particularmente fascinante nele.
Deixando de lado esse momento estranho de sua mente, ele retornou ao trabalho, tocando na tela do tablet. Ele preferia que todos os seus documentos fossem enviados digitalmente, prontos para serem acessados e lidos em qualquer um de seus dispositivos. Com o quanto viajava, manter documentos em papel era um inconveniente para o qual não tinha paciência. Graças a essa configuração, ele podia trabalhar em qualquer lugar, mesmo no meio de um engarrafamento em uma rua movimentada do centro.
Thee estava lendo há um tempo quando finalmente se recostou e olhou para cima, descansando os olhos cansados. Seu olhar afiado pousou em uma pequena floricultura ao longo da calçada do lado de fora. Por algum motivo, uma conversa de três dias atrás repetiu em sua mente.
Ele supôs que flores fossem um bom lugar para começar.
— Mok, peça um pequeno buquê e mande para Aran. — disse calmamente ao seu guarda-costas-secretário sentado na frente. Seu tom era indiferente, e seus olhos permaneciam fixos na floricultura sem muito entusiasmo pela tarefa.
— Que tipo de flores devo comprar, chefe?
— Qualquer uma.
Essa resposta fez seu secretário hesitar um pouco, sem saber o que pensar da situação. Rumores circulavam de que Thee, pela primeira vez, parecia genuinamente interessado no famoso modelo Aran. O fato de Thee ter se incomodado em pedir flores, um gesto que ele nunca fizera por ninguém antes, era significativo. No entanto, quando questionado sobre detalhes, ele parecia quase desinteressado.
Inconsciente dos pensamentos de Mok, a mente de Thee vagou para outro lugar. Normalmente, seus pensamentos estariam cheios da beleza estonteante de Aran, os olhos cativantes, o sorriso confiante, a aura que exigia atenção. Mas ultimamente, outro rosto começara a se intrometer.
A voz quente e gentil daquele dia ainda ecoava em sua mente, acompanhada pela memória de um sorriso radiante que parecia iluminar um rosto de outra forma comum. As características de Peach não eram convencionalmente marcantes, nem exigiam um segundo olhar. E, no entanto, por um breve momento, aquele sorriso o deixara completamente imóvel, algo que ninguém jamais conseguira antes. Aquele sorriso simples que recebera após murmurar um “obrigado” não saíra de seus pensamentos desde então.
— Mande alguns chocolates para Peachayarat também.
— Sim, chefe.
— Escolha algo que não seja muito doce.
— ... Sim, chefe.
Mok quase engasgou com a respiração antes de poder responder. Como ele poderia não ficar surpreso? O chefe nunca dera instruções tão detalhadas para um presente, nem mesmo para o próprio pai.
Thee pressionou os lábios, hesitando por um momento antes de adicionar mais uma instrução.
— Escreva um cartão para acompanhar. — disse ele, seu tom casual, mas deliberado. Após uma breve pausa, continuou: — Escreva: “Deixo em suas mãos.”
Um leve sorriso puxou o canto de seus lábios, uma expressão rara e sutil de satisfação.
De agora em diante, deixo-me em suas mãos capazes.
FIM DO CAPÍTULO