CAPÍTULO 4
CAPÍTULO 4
O carro de luxo elegante parou no estacionamento de um shopping de alto padrão no centro da cidade. Exausto demais para discutir ou protestar, Peach seguiu o chefe da máfia como uma sombra dócil. Foi só depois de comprar um café americano gelado em um café elegante e tomar alguns goles de cafeína, tão necessários, que sua mente fatigada finalmente começou a reiniciar.
Caminhando atrás de Thee, o jovem fotógrafo se misturou quase sem esforço com a comitiva, bebendo seu café ocasionalmente enquanto deixava seu olhar vagar sem rumo pelo shopping. A essa altura, ele estava muito resignado para se preocupar em ser pego no meio de um esquema de segurança. O café em sua mão e a atmosfera movimentada do shopping pareciam um foco melhor do que o desconforto de sua situação.
Quando seu copo estava pela metade, Thee o levou a um restaurante japonês sofisticado. Peach parou para olhar a placa, sentindo-se um pouco atordoado, até que a voz de Thee o despertou de seus pensamentos. Sem muitas opções, ele seguiu o chefe da máfia para dentro, ainda meio atordoado.
Era emocionante, no entanto. Peach adorava comida japonesa, e comer em um restaurante tão caro, um que ele nunca tinha sonhado em visitar, era definitivamente uma emoção. Mas essa emoção vinha com uma sensação desconfortável e estranhamente deslocada.
Talvez tivesse algo a ver com os seguranças armados e o fato de que seu companheiro de jantar era um chefe da máfia.
Ele ficou ali parado, lamentando silenciosamente seu destino por uns bons três segundos, antes que um dos seguranças lhe desse um leve empurrão para frente. Entendendo o recado, ele caminhou para o fundo do restaurante, até a sala de jantar reservada. Quando o segurança abriu a porta, Peach ficou surpreso ao ver que eles não o seguiram para dentro. Em vez disso, o deixaram sozinho com o chefe da máfia.
Sério, pessoal? Vocês vão simplesmente me deixar aqui com o chefe de vocês? Sozinho?
Peach gritou internamente, mas entrou obedientemente na sala privada. O que ele deveria fazer? Ele não era um modelo bonito a quem Thee toleraria com paciência caso resolvesse fazer birra. Não, não havia sentido em testar sua sorte.
O custo absoluto deste restaurante era impressionante, não havia como Peach pagar para comer aqui sozinho. No entanto, se outra pessoa estava pagando, ele não ia deixar passar a oportunidade.
— Peça alguma coisa. — disse Thee com braços cruzados, enquanto o garçom colocava o cardápio na mesa. Peach abriu e passou os olhos pelas opções, mas seus olhos ficaram presos nos preços. Sua testa franziu ligeiramente, uma pontada de desconforto surgindo. Não que ele não tivesse dinheiro, mas gastar milhares em uma única refeição? Isso simplesmente... não ia acontecer.
— Isso é por sua conta? — Ele perguntou, apenas para ter certeza, lançando um olhar cauteloso para Thee, com direito a um olhar de cachorrinho pidão involuntário.
O chefe da máfia hesitou por um momento, sua expressão ilegível, antes de responder.
— Estou te colocando para trabalhar. Claro que estou pagando. — Seu tom rude poderia ter intimidado a maioria das pessoas, mas a confirmação teve o efeito oposto em Peach. Um sorriso brilhante se espalhou por seu rosto e ele olhou de volta para o cardápio com o entusiasmo renovado.
Peach já tinha lido avaliações excelentes deste lugar, estava em uma daquelas listas de “restaurantes imperdíveis antes de morrer”. Naquela época, ele só podia olhar ansiosamente para as fotos em seu telefone, prometendo a si mesmo que, se algum dia conseguisse um grande trabalho, se daria ao luxo de comer uma refeição ali. Agora que a oportunidade caíra em seu colo (e de graça, diga-se de passagem), ele não pôde deixar de pensar bem antes de escolher.
Após algum debate interno, finalmente decidiu por uma tigela grande de unagi don (tigela de enguia). Ele ouviu Thee pedir algo que parecia chique, um bife de algum tipo. Uma vez que o garçom serviu a comida e saiu silenciosamente, fechando a porta atrás de si, a realidade atingiu Peach como uma tonelada de tijolos.
Ele estava sozinho. Em uma sala privada. Com Thee.
Santo inferno. O fascínio pela boa comida o havia distraído completamente do perigo gritante de estar preso com um chefe da máfia. Como ele havia deixado isso acontecer?
Internamente, Peach estava gritando. Sua testa franziu com força e a tensão voltou ao seu corpo. Ele ficou sentado lá, congelado, tentando descobrir como deveria lidar com a situação. Mas quanto mais tentava pensar, mais sua mente ficava em branco, o que só o frustrava ainda mais.
Entre a falta de sono e a pressão crescente das últimas horas, Peach havia atingido seu limite. Não havia como ele bolar um plano inteligente para dar sentido a tudo isso agora.
— Certo, o que é isso sobre você precisar de mim para algo? — Ele perguntou, indo direto ao ponto depois de hesitar por um momento. Quanto mais cedo conversassem, mais cedo ele poderia comer e mais cedo poderia desmaiar na cama.
Thee parou por um momento, parecendo ponderar algo. Finalmente, ele falou.
— Você disse que se eu estivesse interessado, deveria tentar flertar primeiro. Como isso funciona?
O jovem fotógrafo piscou, completamente confuso, até que a conversa da noite passada o atingiu como uma tonelada de tijolos. Ah, certo. Ele tinha dito a Thee para não usar a força; se ele quisesse alguém, deveria simplesmente tentar flertar. Mas ele não pensou que o cara realmente o levaria a sério.
Um chefe da máfia durão e frio querendo cortejar alguém? Parecia que a suavidade de Aran realmente o tinha pegado. Mas, novamente, Aran era estupidamente fofo. Aquele tipo de rosto poderia deixar um bad-boy da máfia louco de amor, material clássico de romance, certo? O herói atormentado que começa todo durão, mas amolece por aquele que ama.
Como seu superior e amigo, provavelmente era seu trabalho manter a situação sob controle e garantir que as coisas não se tornassem violentas ou, Deus me livre, em um ataque real. Apenas algumas provocações inofensivas e talvez uma pequena dinâmica de amor e ódio, e tudo deveria ficar bem.
— Não sou exatamente um especialista em conquistar pessoas. — disse ele com um pequeno encolher de ombros. Agora que sabia o porquê Thee tinha vindo até ele, toda a sua tensão e desconforto anteriores começaram a desaparecer. Além disso, isso claramente não era problema dele diretamente, o que o fez se sentir ainda mais à vontade.
A conversa começou a fluir mais naturalmente.
— Mas você já namorou alguém antes, não namorou? — Thee pressionou.
Ele balançou a cabeça rapidamente, um sorriso estranho puxando seus lábios enquanto coçava a nuca.
— Na verdade não. Éramos amigos primeiro. Ela me chamou para sair depois de terminar com o ex, e duramos, tipo, um mês antes de acabar.
O chefe da máfia franziu a testa, a testa enrugada como se quisesse dizer algo, mas a comida chegou naquele momento. Ele esperou até que tudo fosse servido antes de continuar, provavelmente para evitar parecer insistente quando na verdade não tinha experiência.
— Acho que cortejar é uma arte pessoal. — disse Peach. — É sobre mostrar interesse genuíno, conhecer melhor um ao outro e descobrir se vocês são compatíveis. É um passo para ver se um relacionamento pode crescer.
— Por que se incomodar? É só sexo. Precisa mesmo ser tão complicado?
— Pode ser só sexo para você, mas se a outra pessoa não quiser, você não pode simplesmente forçá-la, certo? — Ele disse com firmeza, tentando colocar algum juízo na cabeça de Thee. A ideia desse chefe da máfia perdendo a paciência e realmente se forçando sobre Aran enviou um calafrio por sua espinha.
As sobrancelhas de Thee franziram mais profundamente, como se ele estivesse prestes a discutir e só de ver isso deu dor de cabeça em Peach. Sério, que tipo de criação distorceu a lógica de alguém tão mal assim?
— Coloque-se no lugar deles por um segundo. — Insistiu ele. — Se alguém te forçasse a fazer algo que você não queria fazer, você não ficaria com raiva?
Thee zombou alto, cheio de desdém.
— Quem ousaria?
Peach revirou os olhos, resistindo à vontade de bater a cabeça contra a parede mais próxima. Por que ter essa conversa era tão exaustivo?
— É uma hipótese, certo? — Ele suspirou, sentindo a conversa drenar toda a sua energia. Decidiu mudar de tática. — Se fosse eu, ficaria arrasado. Ficaria furioso. Eu os odiaria pelo resto da minha vida. Não haveria chance de perdão, nunca.
Ele se inclinou para o drama, construindo-o para enfatizar seu ponto, observando enquanto a carranca de Thee se aprofundava cada vez mais. Ele esperou até sentir que tinha assustado Thee o suficiente antes de suavizar o tom.
— Olha, apenas pense sobre isso, Sr. Thee. Não aja por impulso. Imagine se alguém fizesse isso com você, não doeria? Mesmo que seja apenas uma coisa de uma noite, se a outra pessoa não estiver disposta, não é legal. Usar dinheiro, poder ou manipulação para fazer alguém ceder nunca leva a nada de bom.
Com isso, Peach voltou sua atenção para a enorme tigela de arroz com enguia à sua frente. Ele pegou com os pauzinhos e deu uma grande mordida, assim que a comida tocou sua língua, seu humor melhorou. Ele se concentrou em comer, saboreando cada mordida, despreocupado com o olhar que Thee lhe dava do outro lado da mesa.
Ambos se concentraram em suas refeições por um tempo, deixando o silêncio se estender entre eles, até que, inesperadamente, a conversa ressurgiu. Para surpresa de Peach, foi o chefe da máfia quem o quebrou.
— Estou interessado naquele modelo. Você pode me ajudar a entrar em contato com ele?
Peach congelou no meio da mordida, pauzinhos ainda na boca, e olhou para cima, confuso.
— Quero dizer, eu poderia, mas... não seria melhor se você o abordasse pessoalmente? Provavelmente pareceria mais genuíno.
— E como exatamente devo abordá-lo? — perguntou Thee, soando cada vez mais como uma criança curiosa.
— Bem, talvez comece dando a ele um pequeno presente.
— Que tipo de presente? Devo comprar um carro para ele?
Peach quase engasgou com a comida, grato por já ter engolido sua mordida de arroz.
— Um carro??? Você está louco, Sr. Thee?
— Não? E um anel de diamante? Ou talvez um condomínio?
— Meu Deus… — sussurrou Peach, deixando a testa cair dramaticamente sobre a mesa. Quanto mais Thee falava, mais Peach percebia que essa conversa estava saindo de sua compreensão. — Controle suas ideias, Sr. Thee! Você não pode simplesmente jogar dinheiro por aí assim, é demais!
— Não acho que seja tão caro. — respondeu Thee, completamente sério.
Peach olhou para ele, atordoado, antes de levantar a mão para detê-lo. Isso precisava ser encerrado antes que a próxima ideia de Thee cruzasse a linha do ridículo para o totalmente aterrorizante.
— Vamos rebobinar e começar com algo simples. — Sugeriu Peach, tentando direcionar as coisas para uma direção mais segura. — Por que você não aprende mais sobre Aran primeiro? Como o que ele gosta. Dessa forma, você pode dar a ele algo atencioso, e isso tornará as coisas mais fáceis para você. Além disso, você terá uma vantagem sobre Tawan.
O chefe da máfia levantou uma sobrancelha ao ouvir o nome desconhecido, parecendo intrigado. Peach, que estava observando sua reação, explicou rapidamente.
— Tawan é uma estrela em ascensão, super popular agora. — disse Peach. — Ele é muito próximo de Aran, quase como se fossem um casal, mas Aran me disse que eles estão apenas conversando. Ainda assim, Tawan cuida muito bem dele. Ele é bonito, gentil, generoso... mas incrivelmente ciumento.
Quanto mais Peach falava, mais profunda a carranca de Thee se tornava, seu rosto escurecendo com clara irritação. Era como se uma nuvem de tempestade tivesse se reunido ao redor dele, irradiando uma energia sinistra. Peach parou, percebendo um pouco tarde demais que acabara de elogiar o rival romântico de Thee. Provavelmente não foi a jogada mais inteligente.
— Mas, ei, o status deles ainda é apenas ‘conversando’. — Acrescentou rapidamente, oferecendo um sorriso tímido. — Nada é realmente oficial, sabe?
Thee não se mexeu, sua carranca tão profunda quanto antes. Peach deixou o silêncio constrangedor perdurar por um momento, sua mente lutando por uma maneira de salvar a conversa. Finalmente, falou novamente.
— Por que não começamos com um belo buquê de flores? — Sugeriu, desesperado para mudar de assunto. — Sua primeira conversa não foi exatamente tranquila, então enviar flores como um pedido de desculpas pode ser uma boa ideia.
Hesitou brevemente, percebendo que poderia oferecer conselhos mais úteis, e continuou.
— Na verdade, já que Aran é o novo embaixador da marca Arseny e acabou de terminar as filmagens da coleção de outono, você poderia enviar um pequeno presente para parabenizá-lo. Algo simples, como chocolates, clássico e apreciado pela maioria das pessoas. Embora, para Aran, devam ser extra doces. Ele é uma formiga para doces.
— E quanto a você? Do que você gosta?
— ...
A pergunta abrupta pegou Peach desprevenido, fazendo seus olhos se arregalarem ligeiramente em confusão. Parecia completamente fora de lugar na discussão deles, deixando uma pausa estranha entre eles.
— Só estou perguntando para referência. Nunca dei presente a ninguém antes.
Peach piscou algumas vezes antes de responder em um murmúrio, sua confusão anterior desaparecendo em um instante.
— Você não pode usar isso como referência, no entanto. Ao escolher um presente, a primeira coisa em que você deve pensar são as preferências do destinatário. Essa é a maneira básica de mostrar sinceridade.
Thee franziu a testa ligeiramente, parecendo irritado e um pouco exasperado, mas não zangado o suficiente para ser intimidador. Peach o observou inclinar a cabeça em leve frustração, e então, surpreendentemente, um leve sorriso apareceu nos lábios de Thee.
Os próprios pensamentos de Peach o traíram. Uau. Ele quase pareceu... cativante? Espera. Legal? O chefe da máfia que provavelmente mantinha uma arma ao alcance do braço e carregava um ar constante de ameaça? Que diabos há de errado comigo?
Ele soltou um longo suspiro, dispensando o pensamento ridículo, e olhou para a enguia em sua tigela. Tudo bem. Pelo bem deste almoço ridiculamente bom, ele ajudaria. Mas não tinha nada a ver com achar Thee simpático. Nem. Um. Pouco.
— Não se preocupe com isso, Sr. Thee. Eu já prometi ajudar, não prometi? Vou fazer uma pesquisa e ver se descubro o que Aran gosta. Assim que eu souber, você pode comprar algo baseado nisso.
Com isso, Peach voltou a se concentrar em sua tigela de enguia, saboreando cada mordida. Honestamente, quando pensava em Tawan, a estrela em ascensão temperamental que ele era, encontrava-se silenciosamente concedendo outro ponto ao jovem herdeiro da família Arseny.
No final, Peach decidiu tratar toda essa situação como assistir a uma peça se desenrolar, só que com um assento na primeira fila.
Nada mal.
Isso poderia ser divertido.
FIM DO CAPÍTULO