CAPÍTULO 32
CAPÍTULO 32
Thee recostou-se, folheando documentos em seu iPad. Depois de assinar o último do dia, largou a caneta e esticou os braços, aliviando a rigidez de ficar sentado muito tempo. O sofá em que estava era de primeira linha, macio e confortável, mas horas de esforço e trabalho ainda deixavam seus músculos tensos.
Ele pegou a xícara de chá agora fria por perto e tomou um longo gole, seu olhar vagando para o relógio. Era tarde. A essa hora, ele deveria estar participando de um jantar ou encontrando um parceiro de negócios para uma refeição. Em vez disso, havia limpado toda a sua agenda no momento em que soube que alguém estava no hospital, mesmo que a situação não fosse séria o suficiente para causar preocupação real.
Levantando-se do sofá, caminhou passando pela divisória do quarto e entrou na área do paciente.
Peach estava dormindo profundamente na cama do hospital, enrolado confortavelmente em um cobertor branco que quase engolia sua figura esbelta. Seu braço fino, ossos delicados mal visíveis, repousava sobre o estômago. Embora sua pele ainda estivesse pálida e sombras fracas persistissem sob seus olhos, ele parecia em paz.
Thee se aproximou da cama, hesitando brevemente antes de roçar suavemente as costas da mão na bochecha macia de Peach. Ele prendeu a respiração, cuidadoso para não acordá-lo. Sua mão demorou-se, traçando levemente o canto do olho de Peach, roçando suavemente as olheiras fracas ali. Ele nunca tinha percebido o quão exausto Peach parecia até agora.
Seus dedos moveram-se para o espaço entre as sobrancelhas de Peach, pressionando e massageando suavemente em círculos lentos e calmantes. Quase imediatamente, os lábios de Peach se curvaram em um sorriso fraco e sonolento, sua expressão relaxou em algo muito mais sereno.
Thee não pôde deixar de sorrir, seus olhos fixos no rosto de Peach, incapaz de desviar o olhar. Quanto mais olhava, mais fascinado se sentia, preso em um sentimento que não conseguia explicar direito. Mesmo assim, adormecido e inconsciente, Peach parecia cativante, absolutamente fascinante.
Não havia como ele deixar os seguranças entrarem aqui, não quando eles podiam ver a Peach dormindo de forma tão vulnerável. Nem a pau!
Relutantemente, ele retirou a mão ao sentir seu telefone vibrar no bolso. Ele o havia colocado no modo silencioso para não incomodar o paciente. No momento em que sentiu a vibração, ele deu um passo para trás, caminhando silenciosamente em direção à porta antes de sair com uma furtividade ensaiada.
— O que é? — No momento em que a porta se fechou atrás dele, o calor em sua expressão desapareceu como uma luz desligada.
Seu guarda-costas pessoal temporário (que também atuava como secretário enquanto Mok estava de licença) estava esperando, acostumado a esse tom afiado e direto. Com um breve aceno de reconhecimento, começou seu relatório.
— A questão com aquela celebridade foi resolvida, senhor. A equipe jurídica deles solicitou uma reunião de acordo antes de prosseguir com o processo. Eles se ofereceram para rescindir o contrato do lado deles e pagar a compensação conforme acordado, incluindo danos físicos e emocionais. Eles querem negociar o valor final durante a reunião.
— Nossa equipe jurídica cuidará disso. Quero cada centavo que eles devem, sem compromissos. — Sua voz era fria e autoritária, não deixando espaço para negociação.
— Entendido. — O secretário interino respondeu firmemente, embora interiormente tenha estremecido. O frio no tom de Thee parecia infiltrar-se no ar, fazendo-o orar silenciosamente pelo rápido retorno de Mok. Se ficasse nesse papel por muito mais tempo, poderia congelar apenas pela intensidade.
— Mais alguma coisa? — Thee retrucou, ficando mais irritado a cada segundo. Isso estava consumindo tempo que ele poderia estar gastando no quarto, mesmo que Peach estivesse dormindo e não precisasse de nada.
— O novo modelo que a equipe contatou confirmou disponibilidade. Eles virão amanhã para uma sessão de casting. Você vai comparecer?
— Não. Contrate quem você achar melhor. Deixe a equipe cuidar disso. — Sua resposta foi curta, e a irritação começou a ferver. — O que mais? Desembucha.
Engolindo em seco, o relutante secretário substituto preparou-se, determinado a entregar o relatório final o mais rápido possível. Tudo o que queria agora era voltar às suas funções habituais de guarda-costas, de preferência em algum lugar longe do comando gelado de Thee.
— As reuniões adiadas de ontem e hoje foram reagendadas conforme as instruções do Sr. Mok. — relatou o secretário temporário. — No entanto, o Sr. Aran solicitou uma reunião urgente. Devo confirmar, Sr. Thee?
Em circunstâncias normais, isso não teria justificado a atenção de Thee. Um simples modelo não deveria ter a audácia de solicitar uma reunião pessoal do nada. Mas dado o interesse anterior de Thee no modelo de beleza impressionante, e o fato de que toda a confusão envolvia a celebridade em desgraça, seu guarda-costas que virou secretário decidiu que era mais seguro não recusar o pedido sem consultá-lo primeiro.
Os olhos de Thee se estreitaram agudamente, prontos para retrucar, mas algo o fez parar.
A verdade era que parte da razão pela qual Peach se machucou foi devido à atitude excessivamente familiar do modelo em relação ao seu fotógrafo e sua incapacidade de controlar a situação. Talvez fosse hora de abordar essa questão diretamente, garantindo que tudo ficasse em ordem daqui para frente. Esta era a oportunidade perfeita para remover duas pessoas problemáticas da órbita de Peach de uma vez por todas.
Com um pequeno aceno satisfeito, Thee descartou qualquer indício de ciúme de sua mente. Sua decisão foi puramente lógica, ou assim disse a si mesmo.
— Agende a reunião. — ordenou friamente. Virando-se, reentrou no quarto do hospital. — A menos que seja urgente, não me chame de novo. — instruiu firmemente antes de fechar a porta atrás de si. A única coisa que lamentou foi que o quarto não tivesse tranca.
Peach ainda estava dormindo profundamente, sua respiração suave ocasionalmente interrompida por roncos gentis, quase cativantes.
Thee verificou o cobertor, certificando-se de que estava liso e quente, depois sentou-se na cadeira ao lado da cama. A suíte VIP do hospital tinha uma pequena cama de solteiro destinada a familiares, localizada atrás de uma divisória. Embora não fosse tão luxuosa quanto a cama king-size na cobertura de Thee no centro, era muito mais confortável do que sentar em uma cadeira a noite toda.
Mas daquele canto distante, a cama do paciente estaria fora de vista, e isso era inaceitável. Sem pensar duas vezes, Thee decidiu que preferia ficar ali, vigiando.
Todos na família de Thee eram fortes e saudáveis, sem histórico de internações hospitalares. Quanto aos outros, ele nunca se importou o suficiente para prestar atenção. Mas quando se tratava de Peach, ele se via disposto a ficar ali sentado a noite toda, determinado a ser o primeiro rosto que Peach visse ao acordar. Se algo desse errado, estaria pronto para intervir sem pensar duas vezes.
Ele se inclinou para mais perto e gentilmente tomou a mão pálida e fria de Peach entre as suas. O quarto estava frio e a pele de Peach parecia gelada. Thee esfregou lentamente a mão dele, deixando o calor penetrar através de seu toque.
No momento em que ouviu que Peach fora levado às pressas para o hospital, seu coração afundou de uma maneira que nunca tinha experimentado antes. Mesmo que Mok tenha garantido rapidamente que não era grave, seu peito ainda parecia pesado, oprimido pelo medo. Suas mãos ficaram dormentes com o choque, assombradas pelo pensamento de perder Peach.
Baixando a cabeça, Thee depositou um beijo suave na mão delicada de Peach antes de descansar a testa nela. O calor da palma de Peach contra seu rosto acalmou a tempestade dentro dele.
Nunca mais. Sentir-se assim, mesmo uma vez, já era demais.
...
Peach se mexeu, abrindo lentamente os olhos. Sua cabeça doía, tornando sua visão turva e desfocada. Sua mente estava nebulosa, incapaz de juntar as peças imediatamente. Piscou para o teto branco imaculado, tentando se situar.
Levou um momento para lembrar que estava em uma cama de hospital. Devia ter adormecido cedo na noite anterior e dormido até a manhã. Talvez por isso se sentisse tão atordoado.
Tentou se mover e esticar os músculos rígidos, mas algo quente e pesado pressionava seu pulso. Virando a cabeça lentamente, viu uma cabeça familiar de cabelos escuros com mechas suaves castanho-acinzentadas capturando a luz, uma visão tanto familiar quanto estranhamente reconfortante.
Peach levantou a mão livre e gentilmente passou os dedos pelos cabelos escuros e macios, tentando lembrar onde vira aquilo antes. Nesse momento, a pessoa se mexeu, levantando lentamente a cabeça, olhos cinza-fumaça travando nele. A calma inicial naqueles olhos mudou para um alarme silencioso.
Espere... o chefe da máfia russa realmente esteve sentado ao lado de sua cama a noite toda? E ele tinha acabado de brincar com o cabelo do cara como se não fosse nada demais?
Peach congelou, rígido como um robô com bateria descarregada. Sua mão recuou como se tivesse tocado em algo queimando. Ele prendeu a respiração, preparando-se para algum tipo de explosão.
Mas, em vez de uma explosão, Thee o cumprimentou com um sorriso fraco e surpreendentemente caloroso. Ele até parecia... de bom humor?
— Como você se sente? Melhor agora?
— S-Sim... Me sinto melhor. — gaguejou Peach, ainda nervoso. — Você... ficou aqui a noite toda? Deve estar dolorido.
— Só um pouco. — O tom de Thee era calmo, quase casual, embora seus olhos cinza-fumaça brilhassem com algo que parecia satisfação, uma visão rara e surpreendente.
Peach não conseguia acreditar que podia ler o significado por trás da expressão de outra forma ilegível de Thee. Peach, que cruzou caminhos com o chefe da máfia muitas vezes, aparentemente desenvolveu um talento para decodificar suas mudanças sutis. Mesmo assim, a reação atual foi inesperada.
A princípio, Peach pensou que Thee não tivesse notado seu pequeno deslize, a maneira como estava brincando com o cabelo dele como se não fosse nada. Mas quando os olhos cinza-fumaça de Thee se voltaram para sua mão ainda levantada, ficou claro que ele sabia. E não apenas não parecia irritado, mas também parecia estar de bom humor.
O jovem fotógrafo estava completamente perplexo. Ele permaneceu congelado enquanto Thee se inclinava. Uma mão grande e quente roçou seu cobertor e depois sua testa, verificando sua temperatura com surpreendente gentileza. Satisfeito por Peach estar bem, Thee inclinou-se para frente, preparando-se para ajudá-lo a se sentar. Seus movimentos eram cuidadosos, deliberados, mas inegavelmente desajeitados, como se ele não estivesse acostumado a esse tipo de proximidade.
Peach pressionou os lábios, sentindo o calor subir às bochechas, apesar de seus melhores esforços para manter a compostura. Thee gentilmente o empurrou de volta, criando um pouco de espaço para respirar.
Com uma respiração profunda, conseguiu se sentar. Felizmente, a tontura havia desaparecido, deixando apenas a fadiga persistente de dormir demais. No geral, porém, sentia-se muito mais revigorado.
— Como você se sente? Ainda tonto? — A voz profunda de Thee perguntou, sua mão fria pelo ar condicionado roçando levemente a cabeça de Peach com um cuidado surpreendente. — Me diga se você se sentir mal.
— Estou bem agora. Sério. — Peach ofereceu um pequeno sorriso.
Satisfeito, Thee assentiu, abaixando-se para pegar um par de chinelos e colocando-os cuidadosamente aos pés de Peach. Antes que Peach pudesse reagir, Thee se moveu para colocá-los nele. Surpreso, Peach puxou a perna para trás tão rápido que quase caiu da cama.
— O-O que você está fazendo? — Peach deixou escapar, mas Thee olhou para cima com uma cara inexpressiva, como se genuinamente não visse o problema.
— O chão está frio. Você ia ao banheiro, certo? Coloque estes primeiro.
— Posso fazer sozinho, obrigado! Apenas... deixe-os aí. — Peach praticamente implorou, o coração batendo forte no peito.
Thee franziu a testa ligeiramente, murmurando algo como: — Não parece como na TV.
O queixo de Peach caiu. Dramas tailandeses!? Qual ele tinha assistido? Ele realmente achava que chefes da máfia fazendo isso não era estranho, ou totalmente assustador?
Mortificado além da razão, Peach desviou o olhar, evitando os olhos de Thee enquanto deslizava os pés nos chinelos que esperavam. Ele deu um empurrãozinho gentil no ombro de Thee, incitando-o a recuar e criar um espaço pessoal muito necessário.
Nunca em sua vida tinha sido cuidado assim. Era avassalador. Estranho. Os gestos ternos pareciam íntimos demais, deixando-o corando de vergonha e com uma inquietação que não conseguia afastar.
Era demais. Assustava-o.
— E-Eu vou me refrescar! — Deixou escapar, as palavras tropeçando umas nas outras em sua pressa para escapar. Sem esperar resposta, disparou para o banheiro, “fugindo” da cena desconcertante como se sua vida dependesse disso.
Peach não tinha certeza de qual expressão Thee tinha quando saiu. Preocupava-se em ter ofendido acidentalmente. Ver suas roupas cuidadosamente preparadas no banheiro só o fez sentir-se mais culpado.
Depois de se refrescar e recuperar a compostura, saiu cautelosamente do banheiro. O quarto estava vazio. Thee não estava em lugar nenhum. Peach olhou ao redor, mas não pensou muito nisso. Caminhou silenciosamente até o lado da cama onde seus poucos pertences estavam colocados. Como fora levado às pressas para o hospital inesperadamente, sua irmã Plub teve que trazer uma muda de roupa para ele. Caso contrário, não teria nada para vestir para casa.
Assim que terminou de fechar o zíper de sua pequena mochila, a porta se abriu. Thee entrou, o rosto tão ilegível quanto sempre. Mas quando seus olhos se encontraram, Peach notou a menor mudança no olhar geralmente afiado de Thee, como se houvesse um leve indício de um sorriso espreitando sob a superfície. Sutil, mas inconfundível.
O Sr. Thee não era alguém que sorria com frequência. Ver até mesmo o menor traço de calor em seu rosto era como avistar uma estrela cadente, algo raro e fugaz.
Peach sorriu de volta, fingindo que o constrangimento anterior nunca havia acontecido.
— Estamos voltando agora? — perguntou casualmente.
O chefe da máfia deu um leve aceno de cabeça, aproximando-se para empurrar gentilmente Peach de volta para a cama, dizendo-lhe para esperar enquanto cuidava das contas. Antes de sair, entregou a Peach um saco contendo bastões de massa frita frescos e uma bebida de leite de soja morna.
— Faça um lanche enquanto espera. Nunca provei isso antes, mas Mok disse que a maioria das pessoas gosta.
O estômago de Peach roncou ao ver as guloseimas fritas crocantes. Assim que estava prestes a dar uma mordida, parou e reconsiderou. Levantando o saco, entregou-o de volta.
— Por que você não prova um primeiro? São muito bons! Combinam bem com café preto, leite ou até leite de soja. Mergulhe no leite condensado se quiser algo mais doce!
Thee ficou em silêncio por um momento, olhando para as guloseimas fritas com leve curiosidade. Após uma breve pausa, inclinou-se e deu uma mordida no bastão de massa ainda na mão de Peach. A camada externa crocante deu um estalo satisfatório, contrastando com o interior macio e arejado.
— Muito bom.
Peach congelou, boca aberta, olhando para o meio bastão de massa que ainda segurava. Antes que pudesse pensar demais, enfiou o pedaço restante na boca de Thee, virou-se e correu para a estação de água do hospital. Agarrando o copo de plástico mais próximo, ocupou-se servindo leite de soja, esperando que a bebida fria acalmasse seu coração acelerado.
Thee recostou-se, rindo baixinho, depois mudou-se para o sofá, acomodando-se com uma atitude relaxada. Enquanto isso, Peach ficou no balcão, a testa encostada levemente no armário, as bochechas queimando.
Que diabos foi isso!?
Ele queria gritar, mas não conseguiu reunir coragem. Em vez disso, engoliu seu leite de soja em um gole só, implorando silenciosamente a si mesmo para se recompor.
É apenas o Sr. Máfia sendo estranho! Não pense demais!
A equipe do hospital não demorou muito para lidar com a conta. Aparentemente, eles trouxeram uma máquina de cartão para o quarto por conveniência. Peach vislumbrou um cartão de crédito preto elegante. Ele quase perguntou se era um daqueles famosos Cartões Pretos.
Sem perder o ritmo, Thee casualmente o entregou a ele, sugerindo que ele o mantivesse como reserva caso o outro atingisse o limite. Peach franziu a testa, balançando a cabeça em descrença, depois pegou sua bolsa e caminhou em direção à saída.
Quando chegaram à entrada principal do hospital, Peach parou abruptamente, olhos arregalados ao ver um carro esportivo de luxo estacionado do lado de fora. Mesmo não entendendo de carros, podia dizer que seu preço provavelmente excedia seus ganhos vitalícios. Thee caminhou em direção a ele como se não fosse nada demais, abrindo a porta do passageiro antes de gesticular para que Peach entrasse.
— Onde você vai encontrar sua irmã para o shabu?
Peach piscou, completamente sem palavras. Ele assumiu que a oferta de Thee para se juntar a eles era apenas uma brincadeira. Mas agora, sentado no carro com o motor roncando, estava claro que Thee não estava brincando.
Quando finalmente chegaram ao famoso restaurante de shabu, Thee saiu do carro e caminhou ao lado de Peach, seus ombros quase se roçando enquanto andavam. Ele ficou perto, não dando um centímetro de espaço, até chegarem à frente do restaurante.
Peach esgueirou um olhar para Thee, meio esperando que ele se virasse e fosse embora, mas o homem não mostrou sinais de recuar.
Como diabos vou explicar isso para a Plub?
FIM DO CAPÍTULO