CAPÍTULO 31
CAPÍTULO 31
Depois de conversar um pouco mais, houve uma batida na porta. Ambos os irmãos se viraram para olhar bem quando uma figura alta entrou. O homem tinha ombros largos, com olhos oblíquos e de pálpebra única emoldurados por óculos retangulares familiares. Ele carregava uma enorme cesta de “melhoras” em uma mão.
— Sr. Touch? Como você chegou aqui? — Peach o cumprimentou com um leve sorriso.
— Fiquei preocupado. — brincou Touch levemente, aproximando-se.
— Obrigado por vir, Sr. Touch. Você realmente não precisava se incomodar.
Peach, ainda fraco demais para se sentar, só pôde oferecer um sorriso educado.
O presidente da empresa aproximou-se rapidamente e balançou a cabeça com firmeza.
— Não é incômodo. Honestamente, eu deveria ter vindo antes. Você se machucou no trabalho, essa é minha responsabilidade. — Sua expressão suavizou com genuíno pesar enquanto colocava a grande cesta na mesa de cabeceira. — Considere isso um pequeno símbolo de apreço. E não se preocupe, cobrirei todas as suas despesas médicas.
— Isso não é necessário. Tenho certeza de que outra pessoa cuidará da conta.
O tom de Peach era casual, embora seus pensamentos vagassem em direção ao misterioso chefe da máfia que rapidamente providenciou para que ele estivesse nesta suíte hospitalar VIP. Se aquele homem ainda não tivesse cuidado de tudo, Peach imaginou que teria que espremer o dinheiro de Tawan de alguma forma. A julgar pelo comportamento anterior do Sr. Thee, Peach duvidava que precisaria recorrer a qualquer coerção.
— Tudo bem, tudo bem. De qualquer forma, deixe-me pelo menos pagar uma refeição para você algum dia. — ofereceu Touch com um sorriso caloroso, depois parou como se algo tivesse acabado de passar por sua mente. — Falando em trabalho, os arquivos de imagem, você ainda os tem?
Peach assentiu se desculpando.
— Sim, eu os tenho... Desculpe, mas acho que não terei tempo para editar ou retocar as imagens. Talvez precise pedir uma extensão.
Ele sempre levava seu trabalho a sério, garantindo que cada projeto fosse entregue no prazo, muitas vezes com imagens quase polidas e prontas para uso.
— Está tudo bem. Apenas me envie os arquivos, e pedirei para a equipe de arte terminá-los. — ofereceu Touch gentilmente.
— Não posso fazer isso. — objetou Peach, franzindo a testa. — Concordei em lidar com a arte eu mesmo quando aceitei o trabalho.
Ele era muito rigoroso sobre responsabilidade, nunca se aproveitaria dos outros nem deixaria que ninguém se aproveitasse dele.
— Mas eu acho…
— Já chega!
Plub, que esteve ouvindo silenciosamente entre eles, finalmente interveio, levantando a mão para interromper a conversa. Sua expressão era calma, mas sua testa ligeiramente franzida revelava sua irritação crescente.
Ela se virou para o irmão e o repreendeu firmemente.
— Peach, você precisa descansar. Você me prometeu, nada de trabalho, ponto final.
Após uma pausa, focou sua atenção no convidado. Seu rosto permaneceu sério, embora um leve sorriso profissional curvasse seus lábios.
— Boa tarde. Sou Panatchakorn, irmã mais nova do Peach. Trabalho no departamento de arte da empresa Arseny, mas também ajudo nos projetos freelance dele. Cuidarei das edições de imagem restantes em nome dele. Isso seria aceitável?
Touch piscou, momentaneamente pego de surpresa pelo olhar firme e autoritário dela. Ele rapidamente se recompôs, substituindo sua surpresa por um sorriso caloroso que enrugou seus olhos gentilmente.
— Isso seria maravilhoso. Obrigado, Panatchakorn. — Ele estendeu a mão em um gesto amigável. — Sou Touch. É um prazer trabalharmos juntos. Posso te chamar de Plub? Já que trabalharemos de perto, parece adequado estarmos no primeiro nome.
Plub olhou brevemente para a mão grande dele antes de estender a dela para apertá-la, seus lábios se curvando em um leve sorriso que não alcançou seus olhos afiados e penetrantes.
— Igualmente. — respondeu ela secamente, retirando a mão com a mesma rapidez. Então, com um gesto educado, mas firme em direção à porta, acrescentou: — Deixe-me acompanhá-lo até a saída. Por aqui, por favor.
Você já está expulsando ele?
Peach só pôde gritar essas palavras internamente, não ousando expressá-las em voz alta. O sorriso doce, mas perigosamente afiado no rosto de sua irmã era intimidador demais. A última vez que vira aquele olhar foi anos atrás, quando o namorado dela traiu a melhor amiga de Plub. Ela sorriu daquele jeito, logo antes de socar o cara com tanta força que ele perdeu um dente.
Ela provavelmente estava furiosa agora que Touch mencionou trabalho enquanto ela fazia o possível para que Peach descansasse. Ela até o convenceu a ficar mais uma noite no hospital para ter paz de espírito.
Felizmente, o jovem CEO não pareceu ofendido. Pelo contrário, ele parecia genuinamente divertido, sua expressão beirando o deleite. Ele simplesmente assentiu graciosamente e despediu-se educadamente antes de caminhar lentamente em direção à porta, como se esperasse que Plub o seguisse e o acompanhasse adequadamente.
No final, ela teve que dizer a Peach que iria para casa primeiro para trabalhar nas imagens. Só então Touch finalmente saiu, desaparecendo com ela pela porta.
Observando-os ir, Peach franziu a testa ligeiramente. Um estranho pressentimento o invadiu, como se estivesse prestes a perder sua irmã para algo, ou alguém. Ainda assim, quando se tratava de amor, preferia deixá-la tomar suas próprias decisões e apoiá-la dos bastidores.
Além disso, ele mal conseguia administrar a própria vida.
Depois de um tempo, exatamente quando seus pensamentos inquietos se intensificavam, Plub ligou, quase como se ela sentisse a preocupação do irmão. Ela reclamou furiosamente sobre como Touch tinha sido imprudente por falar de trabalho enquanto Peach estava preso no hospital, sua irritação transbordando pelo telefone. Ele teve que acalmá-la com palavras tranquilizadoras por um bom tempo.
— “Estou indo para a sua casa pegar os arquivos de imagem. Já pedi licença do trabalho, então eu cuidarei de tudo. Apenas descanse, tá?”
Anteriormente, Plub frequentemente o ajudava na edição de imagens antes de entregar o produto final aos clientes, especialmente quando ele assumia muitos projetos e se sentia sobrecarregado. Embora ela ficasse irritada às vezes, suas habilidades eram de primeira linha e confiáveis.
— Eu entendo. Obrigado. — respondeu Peach sem discutir, decidindo não preocupar a irmã mais do que o necessário. — Você não precisa vir cuidar de mim hoje à noite. Apenas termine essas imagens e durma um pouco, ok?
— “Entendido. Você sai do hospital amanhã à tarde, certo? Eu te busco então.”
— Tudo bem. Você quer comer alguma coisa? Eu pago, considere como pagamento pela sua ajuda.
— “De jeito nenhum, eu pago para comemorar sua saída do hospital!” — protestou ela antes de mudar rapidamente para um tom animado quando a comida surgiu. — “Vamos comer shabu, Peach. Você não come isso há anos!”
— É isso que você realmente quer comer, ou está apenas me usando como desculpa? — Peach brincou com uma risada. — Tudo bem, eu pago, mas sem álcool.
Plub gemeu ao telefone, dizendo que não ia dificultar as coisas para ele enquanto ele ainda estava se recuperando. Peach, não acreditando muito nela, apenas riu. Ele não estava doente o suficiente para precisar que a irmã cuidasse dele assim.
Depois de conversar um pouco mais e garantir que Plub tivesse retornado em segurança para o quarto dela, encerrou a chamada. Olhando para o relógio, percebeu que era bastante tarde e estava começando a se sentir cansado, a tontura que estava melhorando estava voltando, provavelmente porque não tinha dormido o suficiente.
Decidiu descansar e primeiro precisava carregar o telefone. Ele se virou para o lado da cama, fechou os olhos e tentou meditar por um momento, reunindo energia apesar de sentir preguiça. Depois de um tempo, empurrou-se lentamente para cima com o cotovelo. A tontura atingiu rapidamente, mas não foi tão intensa quanto dias antes. Estava simplesmente exausto de ter ficado deitado o dia todo.
Peach esticou o braço o máximo que pôde, os dedos roçando o cabo do carregador. No entanto, antes que pudesse pegá-lo, a porta de seu quarto de hospital se abriu. Ele se virou para olhar, ainda alcançando o cabo. A pessoa que entrou congelou, olhos arregalados de surpresa. Antes que Peach pudesse reagir, ele correu, levantando-o sem esforço e colocando-o de volta na cama com um movimento suave.
Tanto esforço para nada.
Peach ficou deitado lá, olhando fixamente, sentindo-se um pouco derrotado. Tinha conseguido superar sua preguiça o suficiente para quase alcançar o cabo, mas antes que percebesse, estava de volta à estaca zero.
— O que você pensa que está fazendo? — O chefe da máfia repreendeu asperamente, seu rosto cheio de preocupação. — E se você tivesse caído e quebrado um osso? Por que não chamou alguém? Você poderia ter apenas apertado o botão da enfermeira.
— Quem eu chamaria, Sr. Thee? Estou sozinho aqui. — respondeu Peach preguiçosamente, sua voz arrastada pela exaustão. — Além disso, eu só estava tentando carregar meu telefone. Por que eu precisaria de uma enfermeira para isso?
— Chame os guarda-costas do lado de fora do quarto se precisar de ajuda. — retrucou Thee, embora Peach tenha detectado algo estranho em seu tom, algo que o fez franzir a testa.
— Espere um segundo... Você tem guarda-costas do lado de fora do meu quarto?
— Claro. Tenho eles cuidando de você. Só não os deixei entrar porque não queria te incomodar. — respondeu Thee casualmente, com uma expressão que parecia dizer: “O quê? Você achou que eu te deixaria aqui sozinho?”.
— Sou apenas um fotógrafo. Por que eu precisaria de guarda-costas? Você planeja me manter trancado ou algo assim? — Peach resmungou, não totalmente sério. Surpreendentemente, não sentiu medo. Na verdade, havia um conforto estranho na pessoa à sua frente.
O chefe da máfia balançou a cabeça, sua expressão incomumente séria, um contraste nítido com seu comportamento habitual descontraído.
— Não vou fazer nada que você não goste. — disse ele com firmeza, pegando o telefone de Peach e conectando-o ao carregador ao lado dele. — Esses caras estão aqui apenas temporariamente, para garantir que nada aconteça. E se alguém tentar entrar e te atacar enquanto você está doente? E aí?
Peach, que estava prestes a retrucar, parou no meio do pensamento. Em vez disso, soltou um longo suspiro, um leve sorriso puxando o canto dos lábios como se achasse a coisa toda divertida.
— Vamos lá, Sr. Thee, seja razoável. Quem se daria ao trabalho de tentar me machucar? — respondeu Peach, sua exasperação misturada com uma pitada de sarcasmo. — O que eles vão fazer? Me dar veneno? Desligar o ventilador para reivindicar alguma herança imaginária?
— Quem sabe? Um processo contra a família Veeraarpakorn pode valer uma fortuna. — disse Thee com total seriedade.
Peach não conseguiu evitar, desta vez, caiu na gargalhada de verdade.
Vendo aquela risada, os lábios do chefe da máfia se curvaram em um leve sorriso, seus olhos geralmente afiados suavizando um pouco. Ele ajustou o cobertor ao redor de Peach, enfiando-o cuidadosamente nas bordas como se estivesse embrulhando algo precioso.
— Descanse um pouco. Quanto mais cedo você se recuperar, melhor. Vou ficar e cuidar de você esta noite.
— Espere... O quê?
Peach, que estava à beira do sono, sentou-se ereto, olhos arregalados de surpresa. Ele ouviu direito? O temível mafioso russo estava planejando seriamente ficar e brincar de enfermeira em seu quarto esta noite?
Ele não conseguia nem processar a ideia corretamente! Tinha acabado de começar a considerar se abrir um pouco e agora eles estavam pulando direto para isso?
— Por que não posso ficar e cuidar de você? — retrucou Thee, seu tom afiado novamente enquanto seu olhar endurecia. — Você já tem alguém combinado para ficar com você esta noite? Não tenha ideias estranhas. Sou eu quem está pagando por este quarto. Se alguém vai dormir aqui, sou eu!
De onde veio esse roteiro? Alguma novela exagerada?
Peach piscou para Thee, tentando processar as palavras rápidas que não deixavam espaço para argumentação. Ainda assim, como o tom não era verdadeiramente zangado, apenas levemente irritado e exasperado, ele não se incomodou em levar a sério. Ou talvez estivesse apenas se acostumando.
— Não combinei com ninguém, Sr. Thee. Só pensei que você pudesse se sentir desconfortável dormindo aqui. Nunca disse que você não podia ficar.
Ele olhou para a expressão satisfeita de Thee com um sorriso levemente divertido. Ele lançou um olhar para a expressão satisfeita de Thee com um sorriso levemente divertido. Uma parte dele estava tentada a perguntar se dormir com o Sr. Thee contava como “se entregar à loucura’, mas sabiamente manteve o comentário para si mesmo. Não havia necessidade de provocar o urso desnecessariamente.
Thee assentiu levemente, satisfeito enquanto sua frustração anterior desaparecia. Sua mão áspera, mas quente, roçou a testa de Peach, uma maneira improvisada de verificar sua temperatura, antes de acariciar suavemente as costas da mão de Peach.
— Bom. Agora descanse. Durma o máximo que puder. Amanhã, virei para te dar alta, e depois te levarei a algum lugar legal para te animar.
Peach parou no meio do bocejo, subitamente bem acordado. Sua maré de azar claramente não havia acabado. Os planos do chefe da máfia para amanhã entravam em conflito direto com um arranjo que ele já havia feito com Plub.
— Uh... Sr. Thee, sinto muito mesmo, mas não posso ir com você amanhã. — disse Peach hesitante, sua voz tingida de culpa. — Plub já planejou me buscar, e vamos comer shabu juntos.
Peach instintivamente recostou a cabeça, preparando-se para a inevitável erupção do “Thee rabugento e possessivo”, uma pessoa que ele encontrara muitas vezes.
Mas, em vez disso, Thee simplesmente parou por um momento, baixando o olhar brevemente. Quando finalmente falou, seu tom era calmo, desprovido da irritação que Peach esperava.
— São só vocês dois indo?
— Sim, faz um tempo que não saio com a Plub, então ela me convidou.
— Tudo bem, eu vou também. Por minha conta. — disse Thee, assentindo para si mesmo como se isso resolvesse tudo.
Sem esperar resposta, virou-se para dizer a Peach para dormir um pouco, encerrando efetivamente a conversa. Pegando seu iPad, Thee atravessou o quarto para desligar as luzes principais, deixando apenas o pequeno abajur perto da divisória familiar. Então se acomodou, claramente se preparando para trabalhar enquanto ficava de olho em Peach durante a noite.
Espere um minuto! Quando Peach concordou em deixar Thee ir junto?
FIM DO CAPÍTULO