CAPÍTULO 30
CAPÍTULO 30
Theerakit providenciou para que Peach fosse transferido para um quarto VIP, uma suíte hospitalar luxuosa onde até a área de acompanhante parecia projetada para a realeza. Havia um pequeno bar, uma tela de privacidade para o paciente, um lounge de convidados com refrescos chiques, uma cama compacta para pernoites e equipamento de entretenimento que parecia excessivo para uma estadia de apenas uma noite.
Tudo isso era realmente necessário? Ele só ficaria mais uma noite. Ainda assim, Peach manteve a boca fechada e deixou o chefe da máfia fazer do seu jeito.
Theerakit inspecionou o quarto até ficar satisfeito de que tudo estava em ordem. Depois de compartilhar o almoço, ele finalmente saiu, mas não sem dar instruções estritas a Kinn para retornar com ele. Kinn resmungou, mas acabou obedecendo, arrastando os pés como uma criança forçada a deixar seu parquinho favorito.
Uma vez que a paz e o silêncio se instalaram no quarto, Peach pensou que poderia muito bem recuperar o sono que perdera. Mas não importava o quanto quisesse relaxar, o sono não vinha. Ele só conseguia ficar deitado de costas, olhando para o teto.
No silêncio, a voz do Sr. Thee ecoava em sua mente, firme e séria, sem um pingo de flerte. No entanto, aquelas palavras simples faziam seu coração bater como uma britadeira, o calor subindo ao rosto até ter certeza de que devia estar vermelho brilhante.
Que diabos? Ele era totalmente hétero, tinha namorado mulheres a vida toda. Como ele poderia ficar desequilibrado por um maldito chefe da máfia assim?
Rosnando de frustração, jogou o cobertor sobre a cabeça, quase gritando apenas para liberar a pressão acumulada em seu peito. Mesmo agora, não conseguia entender o que estava acontecendo. Por que o líder feroz e intimidador da máfia, que estivera irremediavelmente apaixonado por um modelo de rosto bonito, de repente parecia ter mudado seu foco para ele?
Peach não era estúpido. Mesmo que seu coração tivesse tentado esquivar da verdade de vez em quando, não podia ignorar a mudança ocorrida depois que Thee declarou que tinha terminado com Aran. Não importava o quanto tentasse convencer a si mesmo de que estava pensando demais, os sinais eram inegáveis. Especialmente ultimamente, tornara-se tão óbvio que ele não podia mais fugir disso.
Ele abriu os olhos, determinado a deixar de lado os pensamentos rodopiantes e obter o descanso de que precisava desesperadamente. Mas assim que estava começando a relaxar, alguém bateu na porta.
Ele abriu os olhos para ver sua irmã mais nova entrando, parecendo que estava prestes a chorar, então gentilmente a chamou, estendendo os braços.
Seus olhos se encheram de lágrimas, seus lábios tremeram enquanto ela corria para ele, jogando-se em seu abraço. Seus braços finos envolveram-no com força enquanto lágrimas quentes encharcavam sua bata hospitalar, picando sua pele como se a culpa tivesse assumido uma forma tangível.
— Está tudo bem, querida. Não chore. Estou bem. Sou forte. Viu? — Peach beijou sua têmpora e esfregou suavemente seus ombros esbeltos. Murmurou palavras reconfortantes repetidamente até que os soluços dela se acalmaram e ela lentamente afrouxou o aperto.
Plub recuou com um bico, os olhos e o nariz vermelhos de chorar, ainda visivelmente chateada. Ele acariciou sua bochecha suavemente e deu-lhe um pequeno sorriso de desculpas.
— Sinto muito por preocupar você. Prometo que serei mais cuidadoso da próxima vez. — Seus dedos roçaram sob os olhos dela. — Sem mais lágrimas, ok? Seus olhos ficarão inchados. É tudo culpa minha. Juro que serei mais cauteloso. Sem mais exageros.
— É bom que você fale sério! — Ela bufou, estreitando os olhos como se estivesse pronta para responsabilizá-lo. Ele assentiu seriamente, sua expressão solene o suficiente para aliviar a preocupação dela.
Com um suspiro relutante, ela abandonou o olhar zangado, mas se inclinou mais perto, os dedos roçando suavemente o hematoma fraco ainda persistente em sua bochecha. Uma fúria fria brilhou em seus olhos.
— Por que você foi atingido em primeiro lugar? — resmungou ela, as bochechas inchando ligeiramente de frustração. — E que tipo de chefe inútil você tem agora? Como eles puderam deixar algum lunático entrar no estúdio para te bater assim?
— O CEO não é um segurança, Plub. Ele não pode cuidar de mim o dia todo. Ele riu, bagunçando o cabelo dela de brincadeira. — Vamos, pare de andar de um lado para o outro. Que guloseimas você me trouxe?
Bastaram mais algumas piadas para que o aborrecimento de Plub desaparecesse. Ela ansiosamente vasculhou sua bolsa e tirou um estoque de lanches. Peach quase caiu de joelhos em gratidão. Apenas uma refeição de comida insossa de hospital quase o derrotou.
Ele não estava em nenhuma dieta rigorosa, mas “saudável” parecia ser a configuração padrão do hospital, um pesadelo para alguém que escolheria carne em vez de vegetais em qualquer dia. Ele não perdeu tempo e devorou um lanche com sabor de queijo. O gosto salgado, cheio de realçador de sabor, explodiu em sua boca, oferecendo-lhe um momento de felicidade… até que seus pensamentos anteriores voltaram, junto com um desconforto que ele não conseguia afastar.
— O que você diria... se eu te dissesse que posso estar... interessado em alguém?
Sua voz sumiu, a pergunta escapando antes que ele pudesse detê-la. Ele se encolheu, mortificado, assim que os olhos de Plub se iluminaram de excitação. Ela praticamente pulou para a beirada da cama, sua expressão brilhante como se tivesse acabado de ganhar na loteria da fofoca.
— Quem? Onde? Quando? Conte tudo! Alguém está a fim de você agora? — Ela disparou perguntas rapidamente, agarrando o braço dele e sacudindo-o com força surpreendente para alguém tão pequena. — Espere, é a Mim? Vocês estão reacendendo aquela chama antiga? Mas eu não gosto dela! Ela partiu o coração do meu irmãozão, você não pode voltar com ela!
— Não é a Mim. — murmurou ele, sentindo o rosto esquentar.
Plub não estava disposta a deixar passar.
— Não é a Mim. É aquela nova modelo da sua última sessão? Embora ela parecesse um pouco intimidadora.
— Não é ela.
— Hmm… — Ela franziu a testa, sua expressão séria em contemplação. — Existem outras garotas na sua equipe que eu não conheço? Ou... a agência da Shohei contratou alguém novo além da Mim?
Peach abriu a boca como se fosse dizer algo, mas depois a fechou novamente, claramente sem palavras. Ficou sentado ali, inquieto, tentando descobrir como formar uma frase coerente. Levou vários momentos antes de finalmente murmurar:
— Não... não é uma garota.
Suas mãos voaram para cobrir o rosto como se isso pudesse de alguma forma protegê-lo do turbilhão de emoções correndo através dele. Suas bochechas queimavam e, por um momento, pensou que poderia derreter, não de tristeza, mas de puro constrangimento.
Ele nunca escondeu nada sobre sua vida amorosa da irmã. Plub conhecia todas as garotas que ele namorou, sem segredos, sem vergonha. Mas desta vez... desta vez parecia diferente, mais intenso, mais incerto. Talvez porque fosse um homem.
Plub congelou como uma estátua, a boca aberta e os olhos arregalados como se pudessem saltar da cabeça. Ela fechou a boca um segundo depois, batendo as duas mãos sobre ela como se tentasse sufocar o constrangimento alheio. Após alguns momentos de reagrupamento mental frenético, ela limpou a garganta dramaticamente, inclinou-se com um brilho quase conspiratório nos olhos e sussurrou:
— Peach... você gosta de caras?
— Não! — Ele praticamente gritou, o rosto queimando de vergonha das orelhas até o pescoço. — Eu só... pensei que talvez alguém estivesse... flertando comigo. É só isso. Eu não gosto dele nem nada.
— Se é só flerte, você pode ignorar, certo? — Ela provocou, exibindo um sorriso malicioso, seus olhos brilhando com malícia.
— Estou ignorando. — murmurou ele, sua voz mal audível agora, contorcendo-se desajeitadamente no lugar. — É só que... talvez... eu senti algo... um pouquinho.
Os olhos de Plub cresceram ainda mais, praticamente brilhando de curiosidade. Ela agarrou o braço dele e o sacudiu entusiasticamente, como uma criança implorando por doce.
— Quem?! Quem está fazendo meu irmão sentir coisas? Desembucha!
Quanto mais ela pressionava, mais quente o rosto de Peach queimava. Antes que ela pudesse cavar mais fundo nessa conversa mortificante, ele puxou o cobertor sobre a cabeça, encasulando-se como um burrito de tamanho humano. E assim, a conversa terminou.
— Quem?! Me diga agora mesmo! — exigiu Plub, ainda zumbindo de excitação. Seus olhos brilhavam, combinando com seu largo sorriso como se ela estivesse presa na cena mais intensa de seu drama favorito. — Quem te deixou todo nervoso? Estou morrendo de vontade de saber!
— Cuidado com a boca. — Peach espiou debaixo do cobertor e deu um leve peteleco na testa dela. Seu peito ainda parecia apertado de inquietação. — Você... não me odeia, certo?
Plub piscou, a confusão cruzando seu rosto. Mas Peach não conseguia encontrar os olhos dela. Baixou o olhar, notando seus dedos tremendo ligeiramente. Ele nunca julgou ninguém por quem amava. Mas nunca gostou de um cara antes. Só de pensar nisso parecia pisar em águas desconhecidas, longe da segurança do familiar. Seguro, mas solitário. O espaço que ele sempre pensou ser seguro agora parecia vazio.
— Por que eu te odiaria, Peach? — disse Plub suavemente, estendendo a mão para pegar a dele, dando um aperto tranquilizador. — Você é incrível. Você sempre foi o melhor irmão que alguém poderia pedir, você fez tudo por mim. Você é o fotógrafo mais talentoso que conheço e sempre foi meu herói.
Seu olhar era firme, caloroso e honesto, brilhando com amor incondicional.
O peito de Peach apertou novamente, mas desta vez de algo mais leve, foi de alívio e gratidão. Um sorriso se espalhou por seu rosto enquanto a puxava para um abraço apertado, segurando-a como se nunca quisesse soltar.
— Obrigado. — disse ele com um largo sorriso.
Plub o abraçou de volta com a mesma força, sorrindo.
— Você não precisa me agradecer, bobo. Estou feliz por ser sua irmã. — Depois de um momento, ela se afastou, seu sorriso malicioso retornando enquanto seus olhos se estreitavam de brincadeira. — Mas já que estamos sendo todos sentimentais e honestos... é hora de confessar. Quem te deixou todo nervoso? Eu o conheço?
Os olhos de Peach desviaram, suas bochechas esquentando novamente.
— Sim. Você... provavelmente conhece.
— Eu o conheço?! — Plub gritou, praticamente pulando de excitação. — Quem é? Vamos lá, me conte!
Peach deslizou para a borda da cama, desesperado para escapar do entusiasmo implacável dela. Quando ela parecia pronta para subir na cama atrás dele, ele rapidamente levantou as mãos em rendição.
— Eu te conto quando tiver certeza, ok? — Ele bagunçou o cabelo dela de brincadeira e gentilmente a empurrou para trás.
Plub fez bico, mas recuou relutantemente.
— Tudo bem... eu espero. — resmungou ela, claramente irritada, mas disposta a dar espaço a ele. Então sua expressão mudou para algo mais sério, sua voz firme e sincera. — Mas apenas me diga isso. Ele é bom para você?
Peach parou, sua mente folheando cada memória, os encontros breves e carregados, a tensão que uma vez o agarrou tão fortemente e o conforto estranho e inesperado que lentamente tomou seu lugar. Depois de tudo o que aconteceu, sentiu um nó no peito.
Ele se lembrou do pedido de desculpas, da maneira genuína como foi oferecido, mesmo quando seu coração ainda estava acelerado de nervosismo. Ele sorriu através de tudo, fingindo que estava tudo bem, como sempre fazia. Mas então... aquele momento em que a porta do quarto do hospital se abriu e o chefe da máfia entrou. Pela primeira vez, Peach sentiu-se baixando a guarda, verdadeiramente. Naquele instante, “tudo vai ficar bem” não parecia mais uma garantia vazia.
E a maneira como ele olhava para ele, firme, atento, como se Peach fosse alguém com quem valesse a pena se importar...
— Sim. — Admitiu Peach suavemente, um sorriso gentil curvando seus lábios, seus olhos enrugando de calor. — Ele é muito bom para mim. Um pouco estranho às vezes, mas… ele tem sido nada além de gentil.
Plub sorriu suavemente, finalmente aliviando seu interrogatório.
— Não sei quem ele é, mas se ele pode te fazer sorrir assim, eu não me importo.
Peach exalou uma respiração longa e trêmula, liberando um peso enorme de seu peito.
— Nunca gostei de um cara antes. — Admitiu baixinho. — Mas... estar com ele parece... certo. Pela primeira vez, sinto que tudo vai ficar bem... como se eu pudesse finalmente respirar.
— Não é uma coisa boa, então? — Plub inclinou a cabeça, franzindo a testa pensativamente. — Talvez seja apenas porque você nunca se sentiu assim antes. Mas se ele é um cara legal, se estar com ele faz tudo parecer certo e se ele pode te fazer sorrir assim, acho que vale o risco.
Peach pressionou os lábios, a incerteza ainda nublando seu rosto.
Plub inclinou-se e passou os braços em volta dele casualmente, descansando o queixo em seu ombro.
— Por que você não dá uma chance? — sugeriu gentilmente. — Se ele for realmente tão bom quanto você pensa e se o que você está sentindo se transformar em algo mais, isso é algo lindo. Mas mesmo que não dê certo, pelo menos você saberá que tentou. Pode doer por um tempo, mas é melhor do que sempre se perguntar: “E se...?”. — Ela fez uma pausa, sentando-se mais ereta com nova determinação. — E não se preocupe, se ele algum dia te tratar mal ou te fizer chorar, eu cuido dele.
Peach piscou, momentaneamente atordoado, antes que uma centelha de diversão iluminasse seus olhos.
— Você vai cuidar dele? Que tal você parar de fugir de baratas primeiro, e talvez eu acredite em você?
Plub inchou as bochechas em indignação fingida, depois caiu na gargalhada, seu irmão se juntando a ela. O riso compartilhado encheu a sala, afastando a tensão persistente. A conversa logo foi para tópicos mais leves, coisas triviais. Mas mesmo enquanto conversavam, a incerteza no coração de Peach lentamente se acalmou, suas emoções emaranhadas começando a tomar uma forma mais clara.
Tudo o que ele podia esperar agora era que, desta vez, não acabasse se arrependendo.
FIM DO CAPÍTULO