CAPÍTULO 29
CAPÍTULO 29
Peach olhou para a porta fechada e soltou um suspiro silencioso. A atmosfera de apenas um momento atrás ainda persistia, pesada e inquietante de uma forma que ele não conseguia explicar.
O Sr. Thee claramente não gostava de Kinn; isso era óbvio. Mas por quê? Era algo pessoal? Ou Thee era simplesmente distante por natureza, o tipo de pessoa sem traquejo social que achava quase impossível fazer amigos?
Nada disso fazia sentido. O que intrigava Peach ainda mais era o porquê de o Sr. Thee, que supostamente estava atolado em trabalho e, se ele bem se lembrava, planejava buscar seu irmão mais novo no aeroporto hoje, ter aparecido no hospital sem avisar.
Talvez Mok, o secretário onisciente de Thee, o tivesse avisado.
Embora não conseguisse descobrir o que fizera Thee chegar tão rápido, Peach não podia negar o estranho calor que floresceu dentro dele. Se tivesse que mapear seus relacionamentos, o Sr. Thee nem apareceria no gráfico, nem mesmo como um amigo de confiança. E, no entanto, de alguma forma, Thee continuava passando por suas defesas, pouco a pouco.
Ele não sabia onde o Sr. Thee se encaixava em sua vida, mas tê-lo por perto sempre parecia acalmar sua mente, derretendo medos que ele não percebeu que ainda carregava. Talvez fosse essa a sensação de ter alguém poderoso ao seu lado, alguém que pudesse protegê-lo quando as coisas dessem errado.
Satisfeito em colocar o Sr. Thee na categoria de “apoio confiável quando necessário”, Peach relaxou, deixando a tensão diminuir até que o sono começou a puxar suas pálpebras pesadas mais uma vez.
Assim que Peach estava cochilando, o modelo sentado ao lado de sua cama puxou a cadeira para mais perto e quebrou o silêncio.
— Você realmente não vai prestar queixa? — Kinn perguntou, franzindo a testa com frustração genuína. Sua intensidade fez Peach corar ligeiramente, para seu desgosto.
Ele não ficou inconsciente por muito tempo e acordou logo depois que Kinn o trouxe para o hospital. A princípio, pensou que poderia sair imediatamente, mas o mundo inclinou perigosamente quando tentou se levantar. No final, foi forçado a passar a noite e receber soro intravenoso.
Foi quando Aran apareceu, soluçando tanto que suas lentes de contato caíram, deixando seu nariz e olhos vermelhos e inchados. Assim que chegou à cabeceira de Peach, curvou-se profundamente e pediu desculpas em voz alta, sua voz tremendo de desespero.
Peach podia ser perdoador com a família, mas ele nunca tinha sido alguém de mostrar misericórdia para estranhos, especialmente quando as coisas escalavam para a violência física. Ele tinha plena intenção de processar, nem que fosse apenas para cobrir suas despesas médicas. Não havia maneira de ele sofrer sem consequências. Mas quando Aran se ajoelhou ali, cabeça baixa, lágrimas escorrendo pelo rosto, implorando por perdão, Peach não conseguiu manter a raiva.
Afinal, Aran era alguém que ele conhecia há anos. Cortar laços parecia completamente... errado.
Aran prometeu que arrastaria Tawan para se desculpar adequadamente e insistiu em cobrir todos os custos médicos. Peach lhe disse que não precisava fazer isso, quem causou o problema deveria assumir a responsabilidade, não Aran.
Aran apenas sorriu fracamente e disse que era o mínimo que podia fazer por Tawan. Peach não entendeu completamente o que ele quis dizer, mas vendo a determinação nos olhos de Aran, não pressionou mais.
— Mas não posso aceitar mais nenhum trabalho de Tawan. — disse ele a Aran claramente. Não importava o quão próximos fossem, Peach não podia fingir que nada tinha acontecido. — Eu simplesmente não me sentirei confortável trabalhando com ele mais. Não se preocupe, não vou falar mal dele ou fazer com que alguém o coloque na lista negra. Sou só eu. Não posso aceitar os projetos dele novamente.
Aran assentiu em compreensão silenciosa, curvando-se mais uma vez antes de se desculpar com um olhar firme, então Peach não fez mais perguntas depois disso. Ele só podia esperar que Tawan não perdesse a paciência e atacasse alguém novamente.
Peach voltou à realidade e olhou para Kinn. O modelo alto ainda tinha uma carranca profunda, frustração irradiando dele sem sinais de desaparecer. A notícia da equipe que visitou foi que Kinn quase socou Tawan ali mesmo. Uma briga teria estourado se Aran não tivesse gritado para ele ajudar a carregar Peach para o hospital.
Que jeito de começar uma nova agência de modelos… Definitivamente não foi o início auspicioso que eles esperavam.
— Eu não pude evitar. Ran é como um irmãozinho para mim. — admitiu Peach com um toque de irritação. Embora se importasse com Aran, já decidiu que esta seria a primeira e última vez que deixaria algo assim passar. Se algo assim acontecesse novamente, mesmo que arriscasse sua reputação, prestaria queixa sem pensar duas vezes.
— Agora, vamos falar sobre você.
Ele se virou para Kinn, seus lábios se curvando em um sorriso divertido.
— Você não ficou com medo lá atrás? Aquele é um chefe da máfia russa com quem você estava mexendo.
— Aterrorizado. — admitiu Kinn, rindo enquanto levantava uma mão trêmula. — Olha isso, minha mão ainda está tremendo como louca!
— Então por que você estava tentando arranjar briga?
Peach riu, mostrando zero simpatia pela exibição dramática de Kinn. Ele ainda não conseguia entender por que aqueles dois tinham se antipatizado instantaneamente. O outro cara era um chefe da máfia meio russo e presidente de empresa, não exatamente alguém que deveria se importar o suficiente para discutir com um modelo novato.
Talvez fosse apenas química ruim. Algumas pessoas simplesmente se chocam à primeira vista sem motivo lógico. Aqueles dois pareciam se encaixar perfeitamente nessa descrição.
— Se eu deixasse o medo assumir, perderia antes mesmo da luta começar. — resmungou Kinn, fazendo bico quando Peach não ofereceu palavras de conforto. Mas, no verdadeiro estilo Kinn, ele rapidamente se animou e exibiu um largo sorriso.
— Você está com fome? Posso descer e pegar algo para você comer. Ou talvez algo doce para te animar?
— Eu não como doces.
A porta rangeu suavemente, interrompendo a conversa. Um homem alto e de ombros largos entrou no quarto, carregando uma sacola de guloseimas de uma padaria popular e uma xícara fumegante de leite morno, enchendo o ar com um aroma reconfortante.
— Eu sei que você prefere café, mas precisa descansar. Leite morno será melhor para você. — disse o Sr. Thee, colocando os itens na mesa lateral antes de ajustar a cama do hospital até que Peach estivesse meio sentado, meio deitado.
Cuidadosamente, ele envolveu o copo em um pano limpo para evitar que o calor queimasse a mão de Peach. Uma vez satisfeito com a temperatura, entregou-o.
Peach aceitou o copo, intrigado, mas tocado. O cheiro rico e quente do leite acalmou seus nervos. Ele tomou um gole lento, saboreando o calor cremoso misturado com apenas um toque de doçura natural, sem açúcar adicionado. Um gole foi suficiente para enviar um calor reconfortante se espalhando pelo peito.
— Obrigado... Eu não queria te incomodar. — disse ele, olhando para cima com um sorriso suave que não conseguiu conter. Seu coração inchou com um sentimento desconhecido que não conseguia colocar em palavras. Ele estava acostumado a ser aquele que cuidava dos outros. Ter alguém cuidando dele assim parecia... estranho. Mas era um um estranho bom.
Thee congelou por uma fração de segundo, seu olhar mudando. Suas orelhas pareciam assumir um leve tom rosado antes de recuperar rapidamente sua compostura habitual, tão rapidamente que Peach se perguntou se tinha imaginado. Certamente um chefe da máfia não ficaria nervoso com algo tão simples quanto um obrigado.
— Não é nenhum incômodo. Por você, eu não me importo — respondeu Thee, com a voz mais suave que o habitual. Até seus olhos mostravam um calor raro, e um leve sorriso, quase imperceptível, se formava em seus lábios. De forma absurda, ele acariciou o queixo com um dedo longo, como se estivesse perdido em pensamentos. — Talvez eu devesse investir em uma empresa de laticínios enquanto estou nisso. — murmurou em voz alta.
Peach piscou, momentaneamente atordoado, antes de decidir que era melhor fingir que não tinha ouvido aquilo.
— Mok não veio com você? — perguntou ele, direcionando a conversa para um terreno mais seguro. — Seu secretário geralmente está grudado em você o tempo todo, não está?
— Mok ficou para trás para cuidar do meu irmão mais novo. Ele acabou de chegar hoje da Rússia, e de jeito nenhum vou deixá-lo fora da minha vista. — respondeu Thee, lembrando-se subitamente de algo. — Acho que terei que estender a licença de Mok. Hoje à noite vai ser difícil, ele provavelmente estará fora de combate amanhã também.
Peach franziu a testa, intrigado. Ele não pôde deixar de se perguntar: que tipo de pessoa era o irmão do Sr. Thee? Como alguém como Mok, que era tão afiado e sempre no controle das coisas, poderia acabar tão exausto?
Thee limpou a garganta desajeitadamente, claramente esquivando-se da pergunta não dita. Então ele dirigiu seu olhar afiado para o modelo sentado rigidamente ao lado da cama. Seus olhos se estreitaram ligeiramente, e o canto de sua boca se torceu em um sorriso fugaz, um sorriso zombeteiro de alguém claramente no controle. Mas desapareceu tão rapidamente quanto apareceu.
— Você não vai embora ainda? — O chefe da máfia afundou na cadeira do outro lado da cama, cruzando uma perna sobre a outra. Suas mãos se entrelaçaram, exalando a vibração de alguém prestes a negociar um acordo de alto risco. — Devo agradecer por cuidar do meu homem. Tudo está resolvido agora, então você pode ir. Não vou te segurar.
— Estou preocupado com o Peach. Não vou a lugar nenhum por enquanto. — respondeu Kinn com um sorriso que parecia estranhamente rígido, quase forçado. Não era o mesmo sorriso alegre que ele mostrara antes. Nem de longe. — Sr. Thee, você é o CEO de uma empresa, certo? Deve estar sobrecarregado de trabalho. Certamente não precisa se incomodar em ficar aqui só porque seu fotógrafo está doente. Eu cuido disso.
— Hoje em dia, o trabalho pode ser feito em um iPad, caso você não saiba. — respondeu o chefe da máfia, seu sorriso se aprofundando enquanto seus olhos cinza-fumaça brilhavam com uma intensidade de queima lenta. — E já que meu homem é quem está ferido, isso tem prioridade sobre qualquer trabalho.
Deitado entre os dois homens, trocando olhares fulminantes, Peach bebericou silenciosamente seu leite morno, sentindo-se como se tivesse assentos na primeira fila para um drama. Era estranhamente divertido, mesmo que ele não conseguisse entender completamente a conversa deles.
Antes que qualquer um dos homens pudesse dizer mais, alguém bateu na porta. Instantaneamente, os olhares ferozes de ambos dispararam em direção a ela em uníssono, como se prontos para atacar. A pessoa que abriu a porta congelou, atordoada pela pura tensão na sala.
O recém-chegado era um homem careca, de cor ameixa, com a cabeça brilhante e polida, exceto por finas mechas de cabelo grisalho em cada lado. Seu rosto arredondado, levemente marcado por rugas, emanava um ar de arrogância. Seus olhos estreitos e desconfiados se moviam de um lado para o outro com uma astúcia que o fazia parecer tão confiável quanto um gato superalimentado.
Apesar de entrar na sala com um passo nervoso, ele claramente se sentia confiante e audacioso quando bateu à porta alguns instantes antes.
— Boa noite. Sou um representante legal da família do Sr. Tawan. Podem me chamar de Yuth. — Apresentou-se o advogado de meia-idade, pendendo para o lado mais velho desse espectro, enquanto estendia seu cartão de visita. No entanto, nenhum dos três homens mais jovens na sala fez qualquer movimento para pegá-lo.
Kinn deliberadamente ignorou Thee, remexendo na bolsa de lanches que o chefe da máfia havia comprado, mostrando nenhum respeito pelo homem que pagou por eles. O olhar de Thee rapidamente se voltou para o modelo quando o viu pegar um lanche para compartilhar, mas logo voltou a se concentrar no advogado infeliz. A atmosfera relaxada desapareceu instantaneamente, substituída por um ar frio e tenso.
Peach notou a pressão crescente emanando do chefe da máfia e decidiu deixar seu protetor autoproclamado lidar com isso. Com um leve sorriso, voltou sua atenção para os lanches, juntando-se a Kinn para encher o estômago sem se importar com o mundo.
O Sr. Thee sempre parecia gostar de ostentar suas conexões e poder, saboreando a satisfação de ser solicitado por ajuda. Então, Peach imaginou que poderia muito bem tirar total vantagem disso e desempenhar o papel de subordinado manso e grato à perfeição.
— Você está aqui para negociar uma compensação?
A voz de Thee era calma e firme, mas carregava um frio que fez Yuth estremecer onde estava. A frieza tensa emanando do chefe da máfia contrastava fortemente com a tranquilidade de Peach enquanto ele estava sentado na cama, bochechas inchadas como um esquilo enquanto mastigava pão, completamente imperturbável.
Maldito seja! Seu empregador não mencionou que ele estaria entrando em uma situação tão aterrorizante!
Yuth rapidamente enfiou seu cartão de visita de volta no bolso e enxugou o suor de sua cabeça brilhante com um lenço. Forçando um sorriso educado e profissional, tentou aliviar a tensão na sala.
— Claro, isso é inteiramente culpa nossa. — disse o advogado de meia-idade em um tom excessivamente atencioso.
Não havia necessidade de agir de forma tão submissa. Afinal, seu empregador era um milionário recém-formado, um dos empresários de maior sucesso do país. Quão difícil poderia ser suavizar as coisas depois que o filho de seu chefe perdeu a paciência e bateu em um fotógrafo indefeso? Isso deveria ter sido moleza. Exceto que agora, nada estava saindo como esperado. Eles não deveriam ter conexões?
— E exatamente como você planeja compensá-lo? — A voz de Thee era afiada e intimidadora, seu comportamento dominante pegando até Peach desprevenido.
Ainda assim, Peach não estava com medo. Ele sabia que Thee estava o defendendo e, embora não entendesse o motivo, isso era suficiente para ele manter o foco.
— Claro, cobriremos todas as despesas médicas integralmente, até o último centavo. — disse Yuth rapidamente, puxando um talão de cheques com confiança praticada. — E pelo sofrimento emocional causado, ficaríamos felizes em oferecer uma compensação adicional como um pedido de desculpas.
Quando Yuth nomeou uma soma considerável na casa das dezenas de milhares, as sobrancelhas de Peach se ergueram de surpresa. Ele não pretendia prestar queixa, mas um pagamento tão grande? Isso foi uma surpresa agradável. Ele não esperava que as coisas funcionassem tão bem para ele.
Mas claramente, o chefe da máfia não sentia o mesmo.
— Você chama isso de uma oferta responsável? — Thee zombou, sua voz pingando desdém. — Não sabia que a família Veeraarpakorn estava com pouco dinheiro. Nomear seu filho de Tawan[1] apenas para ele ser tão mesquinho.
[1] O nome Tawan, de origem tailandesa, significa “sol” ou “luz do sol”.
Peach virou-se para olhar para ele, atordoado por sua audácia. Uma pequena pontada de arrependimento surgiu pela possível perda daquela soma generosa.
Sentindo o olhar de Peach, Thee imediatamente se reorientou para ele. A tensão gelada derreteu em algo mais suave quando seus olhos se encontraram. Os lábios de Thee se curvaram em um sorriso presunçoso, quase brincalhão, como se perguntasse silenciosamente: “Eu não fui bem?”. Não deixar o pobre advogado, quase veterano, desmaiar em seu quarto de hospital provavelmente era uma conquista por si só.
— Isso é muito dinheiro. — murmurou Peach suavemente, inclinando-se em direção ao armário. — Além disso, eu já prometi a Aran que não prestaria queixa. Não vou processá-los por danos de qualquer maneira.
— Como isso é muito dinheiro? Eu poderia te dar dez ou até cem vezes isso. — Thee endireitou-se, seu tom desdenhoso.
— E por que eu aceitaria seu dinheiro, Sr. Thee? — Peach respondeu, cortando a estranha linha de pensamento do chefe da máfia. — Seja razoável. Eu já disse que não processaria. Além disso, taxas de hospitais privados não são baratas. Eu nem sei por que Kinn me arrastou para um hospital chique como este em primeiro lugar.
— Você não vai processá-lo, mas a Arseny vai. Causar uma cena no estúdio da Arseny, manchar a reputação da empresa e prejudicar um funcionário tanto física quanto emocionalmente, é natural que a Arseny tome medidas legais.
O chefe da máfia respondeu, seu tom firme e constante, como se essa fosse a conclusão mais lógica do mundo, enquanto o advogado empalidecia visivelmente à medida que as implicações o atingiam. Quem não conhecia a Arseny? Como uma simples agressão contra um humilde fotógrafo se transformou em um confronto com aquela família poderosa?
Peach não conseguiu conter um sorriso. Embora se sentisse um pouco culpado em relação a Aran, não podia negar o quão divertido era vê-lo lidar com a situação em seu nome. E honestamente, havia uma certa emoção em deixar o chefe da máfia exercer sua influência assim. Afinal, não é todo dia que alguém aparece para resolver seus problemas tão decisivamente.
— A verdade é que causei outro problema para sua empresa. — disse Peach em um tom falsamente triste, testando as águas com cuidado. Sabendo que Thee estava firmemente do seu lado e tão indulgente com ele, não pôde deixar de arriscar um pouco mais. — Já mencionei que não me sinto confortável trabalhando com Tawan mais. Se houver algum projeto com ele como modelo, terei que recusar. Mas assinei um contrato de longo prazo com sua empresa. Se eu quiser rescindi-lo, haverá penalidade?
As sobrancelhas de Thee franziram imediatamente e sua expressão escureceu. Peach congelou, repreendendo-se internamente por ultrapassar os limites. Ele havia ficado confortável demais, aproveitando a bondade de Thee, esquecendo que quando se tratava de negócios e lucro, um chefe da máfia dificilmente cederia.
Preparando-se para uma repreensão severa, Peach ficou surpreso quando a pergunta que veio foi totalmente inesperada.
— Por que você precisaria quebrar o contrato? — perguntou o chefe da máfia, seu tom cheio de desgosto.
— As sessões de fotos para as coleções de verão e primavera são em dupla com Aran e Tawan. Eu realmente não posso trabalhar nesses projetos. — murmurou Peach hesitante.
— E daí? — Thee cruzou os braços, seu olhar firme e inabalável. — Se eu tiver que escolher, sempre escolherei você.
Peach piscou, atordoado e silencioso, seus olhos se arregalando ligeiramente. Uma súbita onda de calor correu para suas bochechas, ele podia sentir o calor se espalhando como fogo. Ele mordeu o lábio e baixou o olhar em uma tentativa fútil de acalmar seu coração acelerado. Respirando fundo, forçou-se a recuar.
— Se for uma escolha entre o modelo e o fotógrafo, Sr. Thee, você deve escolher o modelo. Caso contrário, terá que refilmar tudo. O projeto atrasará e você perderá dinheiro.
O olhar de Thee demorou nas bochechas coradas de Peach, sua expressão suavizando. Ele estendeu a mão e pegou a mão de Peach na sua, seu polegar roçando suavemente as costas dele. Sua voz, calma e resoluta, não deixava espaço para dúvidas.
— Escolher você é o investimento mais valioso que eu poderia fazer.
Peach congelou, esquecendo como respirar por um momento. Sem pensar, agarrou o cobertor e o puxou sobre a cabeça, recuando para seu pequeno santuário. Os olhos de Thee demoraram em sua mão agora vazia, um lampejo de desejo cruzando seu rosto.
Então, como se mudasse de marcha sem esforço, ele se virou para lançar um sorriso arrogante e zombeteiro para o modelo que estava muito sério do outro lado da sala.
— Acho que terminamos aqui com o advogado. — Thee virou-se para o homem de meia-idade, seu tom cortando a sala como gelo.
Levantando-se em toda a sua altura, a figura imponente de Thee não deixou dúvidas de que a reunião havia acabado. Seu olhar caiu sobre o homem como uma bota esmagando um inseto.
— A Arseny não trabalhará mais com a família Veeraarpakorn, então diga ao seu chefe.
O advogado empalideceu visivelmente, assentindo freneticamente enquanto praticamente fugia da sala. Parecia um homem que mal escapou de um encontro com a morte.
O chefe da máfia caminhou até a porta, abrindo-a apenas o suficiente para emitir ordens ao guarda-costas do lado de fora. Sua voz era calma, mas carregava um tom de aço.
— Coloque o conglomerado Veeraarpakorn na lista negra em todas as plataformas. Não vou trabalhar com eles de forma alguma. Cancele também a coleção de inverno, quero que seja refeita do zero. — Thee fez uma pausa por um momento, um brilho arrepiante piscando em seus olhos. — Tire um tempo para visitar o ator Tawan. Ele bateu em um dos meus. Se aquela mão dele não pode fazer nada melhor, não há necessidade de mantê-la.
O guarda-costas assentiu silenciosamente e saiu para cumprir as ordens. Enquanto isso, o jovem chefe da máfia instruiu os guardas restantes a manter vigilância estrita. Uma vez que tudo estava resolvido, suavizou sua expressão de volta ao neutro, substituindo a ameaça fria por um leve sorriso antes de voltar para o quarto.
FIM DO CAPÍTULO