CAPÍTULO 28
CAPÍTULO 28
Theerakit Kian Arseny era famoso por ser um CEO frio e inflexível, intimidador e intenso. Sua presença em reuniões criava uma pressão quase sufocante, não deixando espaço para compromissos. Aumentando sua imagem temível estavam rumores persistentes sobre seus laços com a máfia russa, retratando-o como um executor implacável.
Mas quando se tratava de sua família, o homem que exigia perfeição no trabalho largaria tudo por eles sem pensar duas vezes.
O chefe da máfia, alto e de ombros largos, estava em pé no aeroporto com os braços cruzados, esperando com uma paciência surpreendente. Seu rosto permanecia impassível, não revelando nenhuma das frustrações que se poderia esperar ao esperar por seu irmão mais novo, por mais atrasado que ele estivesse.
Logo, outra figura notavelmente alta se aproximou, um homem com cabelos dourados marcantes emoldurando traços nítidos. Seus olhos verde-acinzentados pálidos brilhavam com malícia, dando-lhe um charme carismático. Embora seu rosto tivesse uma forte semelhança com o de Theerakit, era suavizado por um sorriso perpétuo e brincalhão que o diferenciava.
Quem acreditaria que este homem tranquilo estava destinado a liderar a família Arseny, o maior sindicato da máfia na Rússia?
Apesar de suas personalidades contrastantes, não havia rivalidade entre irmãos pelo poder entre eles. Theerakit, resoluto e inflexível, contava com a astúcia e experiência de seu irmão Rome para navegar nas sombras. Para operações de bastidores, a sagacidade natural de Rome o tornava o melhor candidato para o papel de liderança. Theerakit de bom grado se afastou para deixar seu irmão mais novo assumir as rédeas, enquanto Rome, por sua vez, confiou o império de negócios voltado para o público a Theerakit sem hesitação.
Rome caminhou em direção ao irmão com um largo sorriso, jogando um braço em volta de seus ombros e dando-lhe alguns tapinhas leves em saudação. Então, com charme quase infantil, direcionou seu sorriso brincalhão para o secretário de seu irmão, aproximando-se com um brilho malicioso nos olhos.
— É inverno na Tailândia agora e já que Mok não gosta do frio, vim até aqui só para mantê-lo aquecido.
— A Tailândia não tem inverno. — respondeu Mok inexpressivamente, dando um passo deliberado para trás. — Além disso, você tem uma montanha de trabalho esperando por você. Não precisa se preocupar comigo.
Rome inclinou-se provocativamente, deixando a ponta do nariz roçar na de Mok deliberadamente. Ele estava pronto para continuar brincando até que seu irmão o agarrou pelo colarinho e o puxou de volta com uma expressão calma, mas firme.
— Pare de ser inapropriado com meu secretário.
— Então por que você não o dá para mim? — Rome respondeu, imperturbável, seu rosto se iluminando com um sorriso atrevido.
Theerakit sorriu fracamente antes de sinalizar para seu irmão segui-lo para um lugar menos visível. Com dois homens altos e incrivelmente bonitos rodeados por um grupo de homens de terno preto, eles tinham se tornado um espetáculo grande demais.
Ao passarem por um café, Theerakit parou. Seu olhar, geralmente afiado, suavizou ligeiramente, e ele finalmente cedeu à tentação, entrando imediatamente para fazer um pedido. Rome seguiu, com uma ponta de confusão no rosto.
— Você ainda não tomou seu café, Thee? — perguntou Rome, seguindo atrás sem protestar. Já era tarde da manhã, e seu irmão, que normalmente tomava seu expresso logo cedo, não parecia o tipo de pular sua rotina.
— Deu vontade. — respondeu Theerakit curtamente, não oferecendo mais explicações.
Rome deu de ombros e virou-se para o barista, pedindo sem perder o ritmo.
— Tudo bem então, um latte e um expresso.
— Americano.
— Hã? — Rome congelou no meio da frase e olhou para o irmão, perplexo. — Você só bebe expresso. Você literalmente disse que Americanos têm gosto de água de lavar louça.
— Vou tomar um Americano. Algum problema com isso? — Theerakit respondeu inexpressivamente, encerrando quaisquer perguntas adicionais.
Eles pareciam prontos para continuar debatendo preferências de café quando o secretário entrou na loja com uma expressão inexpressiva. Mok caminhou direto para seu chefe, inclinando-se ligeiramente para sussurrar algo baixinho.
— Chefe, a Srta. Plub acabou de solicitar licença de emergência.
Tendo elevado recentemente a importância do fotógrafo em sua hierarquia mental, Mok também estendeu essa prioridade à irmã mais nova de Peach. Qualquer pedido de licença repentina agora ia direto para sua mesa.
A testa de Theerakit franziu ligeiramente enquanto Rome se virava para ouvir com claro interesse.
— Ela disse que o irmão foi internado no hospital.
Aquela única declaração fez os olhos cinza-fumaça de Theerakit se arregalarem em alarme. A atmosfera instantaneamente se tornou sufocante, com um peso opressivo enchendo a sala.
Mok engoliu em seco, forçando sua voz a permanecer firme enquanto continuava.
— Já providenciei um carro, senhor. Cuidarei da agenda da tarde na sua ausência.
Theerakit deu um aceno breve antes de agarrar o braço de Mok e puxá-lo em direção a Rome em um movimento rápido. Rome, sempre ágil, estendeu a mão e pegou o secretário surpreso com um sorriso, puxando o homem menor contra o peito.
— Cuide dele para mim. — ordenou o chefe da máfia, acenando para o irmão antes de sair do café sem esperar por sua bebida.
Ele caminhou determinadamente em direção à saída, onde seu carro preto elegante já estava esperando. Sem uma palavra, deslizou para o banco de trás. Outro guarda-costas de confiança no banco do motorista o reconheceu com um único aceno de cabeça, não precisando de mais instruções. O carro ganhou vida e partiu imediatamente. À medida que a atmosfera gelada dentro do carro ficava mais pesada, o veículo parecia acelerar em conjunto.
Felizmente, o hospital onde o jovem fotógrafo foi internado não ficava longe do centro da cidade. Cerca de quarenta minutos depois, após cruzar a rodovia, o carro parou suavemente em frente ao hospital.
Assim que Theerakit saiu do carro, uma jovem mulher de relações públicas caminhou rapidamente em sua direção em seus saltos. Seu passo confiante não conseguia esconder o leve tremor em seu sorriso forçado, traindo o quão nervosa estava. Se não fosse pela ordem pessoal do diretor do hospital para fornecer o melhor serviço VIP possível, ela não teria ousado se aproximar dele.
— Mostre o caminho. — ordenou Theerakit curtamente, não oferecendo mais explicações. Ele já havia ligado diretamente para o diretor do hospital para informá-lo de sua chegada e o motivo de sua visita. Não tinha intenção de perder mais um segundo.
Depois de pegar o elevador para a ala privada, caminhou em direção aos últimos quartos no final do corredor. Bateu levemente algumas vezes antes de abrir a porta sem esperar permissão, esperando que o ocupante ainda estivesse descansando.
Não esperava encontrar Peach deitado lá, totalmente acordado, olhando para ele com olhos curiosos. Além de parecer um pouco pálido, parecia bem.
— Sr. Thee? Você não tem trabalho para cuidar hoje? — Peach perguntou, inclinando a cabeça lentamente, um gesto que deixava claro que ele não estava se sentindo no seu melhor.
— Por que você não me ligou quando foi internado?! — Theerakit exigiu asperamente, aproximando-se enquanto examinava Peach da cabeça aos pés. Seu olhar parou na bochecha com hematoma e no canto rachado dos lábios de Peach, ambos visivelmente vermelhos e inchados. Sua carranca se aprofundou. — O que aconteceu? Por que você está no hospital?
— O médico disse que tenho trabalhado demais. — admitiu Peach timidamente. — Fiquei um pouco tonto... e acho que meu açúcar no sangue caiu também, provavelmente porque pulei o jantar ontem à noite. — Ele deu um sorriso fraco e culpado levantando a mão, que ainda tinha um soro intravenoso enfiado. — Me deram soro fisiológico. O médico disse que posso ir embora assim que terminar.
— Mas o médico não recomendou ficar mais uma noite... só para garantir?
A voz desconhecida veio do outro lado da sala, surpreendendo Theerakit. Um homem alto que ele não reconheceu emergiu da área de estar reservada para visitantes, que ele não havia notado quando entrou.
O olhar afiado de Thee varreu o recém-chegado, um menino de aparência jovem que não poderia ter mais de vinte anos. Ele era alto e atlético, com um sorriso largo e brilhante que fazia seus olhos se curvarem charmosamente. Objetivamente falando, o menino tinha aparência digna de modelo, com um futuro promissor na indústria.
— Pelo trabalho que tive te trazendo aqui, pelo menos fique mais uma noite e faça valer o esforço. — disse o jovem com um sorriso fácil dirigido à testa de Peach.
A irritação de Thee borbulhou sob a superfície, ameaçando romper sua fachada calma. Mentalmente, ele riscou o “futuro promissor” do garoto ali mesmo. Qualquer futuro que esse cara tivesse, definitivamente não floresceria perto dele.
Trazendo quem?!
Thee deu um passo mais perto, ignorando deliberadamente o jovem enquanto suprimia seu aborrecimento o máximo possível.
— Por que ele teve que te carregar? — Seu tom era afiado e firme, embora os dedos que roçaram levemente a bochecha de Peach fossem dolorosamente gentis, como se tocassem delicadas asas de borboleta.
— Eu desmaiei. — admitiu Peach timidamente. — Ele estava por perto, então ajudou a me carregar. — Então, como se lembrasse de seus modos, acrescentou rapidamente: — Esqueci de apresentar vocês. Este é o Sr. Thee, meu chefe. E este é Kinn, um modelo que eu estava fotografando hoje.
Os olhos de Peach mudaram, evitando o olhar de Thee, um sinal claro de que ele estava omitindo alguns detalhes. Mas Thee decidiu não pressionar a questão por enquanto. Peach precisava descansar mais do que qualquer coisa. Quaisquer respostas que quisesse… ele poderia descobrir sozinho mais tarde.
— Obrigado por trazer meu funcionário aqui. — disse Thee friamente, lançando a Kinn um olhar fulminante que irradiava puro desdém. — Você pode ir agora. Eu cuido das coisas a partir daqui. Não há necessidade de você ficar.
— Feliz em ajudar. — O sorriso de Kinn se alargou, mas desta vez, seus olhos não se enrugaram com calor. Eles brilharam com uma borda afiada e perspicaz.
— Ah, vocês dois já vão embora. — murmurou Peach com leve exasperação.
Nenhum deles pareceu ouvi-lo. Thee já tinha virado as costas para Kinn, dispensando o jovem inteiramente como se ele não existisse. Seu foco estava completamente em Peach, deitado pálido e exausto na cama do hospital.
— Não posso ir embora quando não há ninguém para cuidar de você. — murmurou Thee, os dedos roçando o canto da boca de Peach. Seu olhar afiado escureceu brevemente antes de voltar ao normal, embora ainda não prestasse atenção ao modelo na sala.
Seus olhos permaneceram fixos no rosto pálido de Peach. Depois de apenas um dia separados, aqui estava ele, deitado fraco e sem vida em uma cama de hospital. Como Thee poderia ir embora?
— Ficarei bem. Só tenho que ficar até o soro terminar. — Suspirou Peach, parecendo totalmente entediado. — Prometo que seu projeto não vai atrasar. Ou melhor ainda, me dê um laptop, posso adiantar algum trabalho aqui.
— Que trabalho poderia ser mais importante do que você? — murmurou Thee, sua mão deslizando suavemente da bochecha de Peach para seu pescoço esbelto. O calor daquela pele macia puxava seus sentidos, tornando quase impossível se afastar. — Fique a noite. Deixe o médico te monitorar. Pense nisso como descansar um pouco, algo que você realmente precisa.
— Não faz sentido ficar. É só perda de tempo e dinheiro.
A voz de Peach assumiu um tom brincalhão, fazendo Thee parar. Seus olhos se arregalaram ligeiramente de surpresa. Ele não esperava uma resposta tão fofa e rabugenta, e definitivamente não esperava a maneira como isso fez seu coração pular uma batida. Desde que percebeu seus verdadeiros sentimentos por Peach, manter suas emoções sob controle se tornou cada vez mais difícil.
— Fique. Eu cubro a conta do hospital. — Insistiu Thee, enfiando o cobertor confortavelmente ao redor de Peach. Seus olhos pousaram em um hematoma no braço de Peach, e sua expressão endureceu instantaneamente.
— O que aconteceu aqui?
— Provavelmente bati em algo quando caí. É só um hematoma, nada demais. — respondeu Peach casualmente, movendo o braço para mostrá-lo.
— E isto? — Os dedos de Thee roçaram a marca fraca na bochecha de Peach, seu peito apertando de raiva. Quanto mais ele olhava, mais doía. — Tenho certeza de que isso não foi de uma simples queda.
O rosto de Peach ficou tenso, claramente desconfortável. Thee estreitou os olhos, os dedos demorando-se perto dos lábios de Peach por um momento antes de se afastar relutantemente.
— Vou providenciar para que você seja transferido para um quarto VIP. Descanse um pouco. Sua irmã deve chegar em breve.
O olhar de Thee mudou para o outro homem na sala, sua expressão tornando-se gelada.
— Você deveria ir agora. Não vou te incomodar mais.
— Sem problemas. Fico feliz em ajudar. — respondeu o jovem com um sorriso calmo, imperturbável pela atmosfera gélida.
Thee franziu a testa. Ele não queria nada mais do que expulsar o cara, mas temia chatear Peach, que jazia pálido e cansado na cama do hospital. No final, sinalizou para um de seus guarda-costas ficar de olho em Kinn e relatar qualquer comportamento suspeito. Enquanto isso, falaria com o diretor do hospital sobre mudar Peach para um quarto melhor.
E já que estava aqui, ele iria descobrir a verdade sobre o que realmente aconteceu.
Com passos largos, Thee saiu do quarto, determinado a voltar rapidamente e lidar com o modelo irritante de uma vez por todas. No entanto, assim que estava prestes a virar a esquina da área comum do hospital, captou fragmentos de uma conversa acalorada.
Seus passos pararam. Cruzando os braços sobre o peito, ouviu atentamente, despreocupado em bisbilhotar. Ele não teria se importado... se não tivessem mencionado o nome de Peach.
Espiando em um dos quartos, reconheceu as duas figuras discutindo, modelos que trabalham atualmente em uma campanha para sua empresa. Suas vozes zangadas ainda podiam ser ouvidas mesmo depois que a porta de vidro se fechou.
— Por que você não me escuta? Eu te disse que não é nada!
— Escutar? Tudo o que ouço é o nome dele! — zombou o ator, agarrando o pulso do modelo menor com força e puxando-o para mais perto. — O quê? Você o ama tanto assim? É por isso que continua defendendo ele?
— A pessoa de quem eu gosto é você, Tawan. — A voz de Aran baixou, tremendo com emoção reprimida enquanto ele libertava o pulso do aperto do ator. — Você sabe por que não posso ficar com você, mesmo gostando tanto de você? É por causa do jeito que você age, assim!
Aran o empurrou de volta, lágrimas escorrendo por suas bochechas. Tawan olhou, confuso e magoado, sem entender o motivo de Aran estar tão desolado.
Tawan era o único filho de uma família de negócios em ascensão. Seus pais administravam suas próprias empresas de sucesso. Desde a infância, ele sempre conseguiu o que queria, simplesmente pedindo ou apontando. Estava acostumado a ser o número um sem nunca ter que competir.
A única exceção era o belo modelo, Aran. Não importava o quanto Tawan tentasse, ele nunca conseguia conquistar o coração de Aran. Pior, Aran tratava todos da mesma forma, com o mesmo sorriso caloroso e amigável. Ele nunca foi especial para Aran.
O medo lentamente se infiltrou no coração de Tawan, o medo de perder a única pessoa que ele não podia controlar. Ultimamente, ele ouviu o nome do fotógrafo com muita frequência. Toda vez que Aran o mencionava, seus olhos brilhavam de alegria e todo o seu comportamento se iluminava. O ciúme queimando dentro de Tawan recusava-se a ser domado.
— Seja honesto comigo. Você gosta dele, não gosta? É por isso que você continua defendendo ele o tempo todo? — gritou Tawan, incapaz de acreditar na confissão de amor anterior de Aran.
— Não penso em Peach como nada mais do que um amigo. Ele é como um irmão mais velho para mim. De quem eu gosto... é de você, Tawan. Mas se você continuar agindo assim, então acabou. Saia da minha vida.
— De jeito nenhum. Você é meu. Nunca vou deixar ninguém te tirar de mim!
Ele agarrou o braço de Aran novamente, apenas para o modelo se afastar, os olhos cheios de determinação.
— Você acha que bater no Peach prova que você me ama? Essa foi a coisa mais nojenta que você poderia ter feito. Saia da minha vida. Se você não consegue se resolver, pare de brincar comigo. — A voz de Aran assumiu um aviso perigoso. Ele deu um passo firme para trás. — Não sou uma posse que você possa reivindicar. Não preciso da permissão de ninguém para viver minha vida. Já abaixei a cabeça e pedi desculpas a Peach em seu nome. É o máximo que estou disposto a ir. De agora em diante... acabamos. Não pertencemos um ao outro.
Aran virou as costas e foi embora, deixando Tawan gritando seu nome e correndo atrás dele em vão.
Nenhum deles notou a figura imponente parada nas sombras, braços cruzados, tendo ouvido cada palavra de sua discussão acalorada. Seus olhos cinza tempestuosos escureceram, brilhando com uma luz feroz e predatória.
Finalmente, ele entendeu tudo.
FIM DO CAPÍTULO