CAPÍTULO 25
CAPÍTULO 25
Peach arrastou-se para casa, o peito pesado com uma confusão e exaustão que pareciam esmagá-lo de dentro para fora.
Tinha sido um dia incrivelmente longo para ele. A fadiga física e emocional o deixou completamente drenado, sem vontade de se mover ou fazer nada. Para piorar a situação, a febre leve que vinha sofrendo indicava que os efeitos da medicação que tomou no almoço havia passado completamente.
Depois de dormir a noite toda de uma vez, Peach se sentiu um pouco melhor na manhã seguinte. Embora ele ainda não tivesse se recuperado completamente, seus sintomas estavam muito menos graves do que no dia anterior.
Assim que se recuperou e tomou um café da manhã leve, dirigiu-se ao café onde combinou de encontrar Mim. Como não tinha trabalho pendente para terminar hoje, decidiu sair de casa mais cedo do que o planejado. Pelo menos assim, teria tempo para desfrutar de um café antes.
O café que escolheram era um estabelecimento de tamanho médio que oferecia uma grande variedade de bebidas, pratos salgados e sobremesas. Era um lugar que Peach frequentava muito quando ele e Mim ainda estavam juntos. Mas depois do término, sua agenda apertada o impediu de voltar.
Peach pediu um café e depois procurou um lugar para sentar. Escolheu uma mesa perto da janela com vista para o jardim, pensando que seria fácil para Mim avistá-lo quando chegasse. Além disso, a visão das folhas verdes era reconfortante, um alívio bem-vindo para sua mente cansada.
O jovem fotógrafo colocou a xícara de café na mesa e recostou-se na cadeira. Seu olhar vagou sem rumo para o jardim lá fora enquanto seus pensamentos voltavam para o dia anterior.
Normalmente, Peach era calmo e sensato, não alguém que perdia a paciência facilmente. Mas as palavras do chefe da máfia no dia anterior conseguiram irritá-lo. No entanto, no final, ele amoleceu e reagendou seus planos para acomodá-lo.
Ainda assim, ele estava ficando cada vez mais confuso. Ele era geralmente uma pessoa composta, não alguém facilmente influenciável, especialmente quando se tratava de trabalho, onde era mais rigoroso do que ninguém. A única exceção era Plub, por quem ele amolecia sem hesitação.
Mas quem diria que ele se encontraria inesperadamente vulnerável a esse homem da máfia?
Peach olhou pela janela, perdido em pensamentos. Ontem, ele recebeu um pedido de desculpas do chefe da máfia, o primeiro desse tipo. Tinha sido desajeitado e incerto, mas de alguma forma sincero e genuíno. Ele podia sentir o verdadeiro remorso por trás daquelas palavras. Além da sinceridade, havia algo sutilmente doce pairando sob a superfície.
Ele franziu a testa, sentindo seu coração pular uma batida inesperada. Quando recebera aquele pedido de desculpas com um olhar tão sério, já havia sentido um breve tremor. Ele tinha descartado como simples imaginação, mas agora seu coração vacilava novamente.
Vacilando? Que bobagem! Era um homem, e um chefe da máfia ainda por cima. Além disso, Thee era aquele em quem ele estava interessado!
Ele deixou a cabeça cair sobre a mesa com um baque alto enquanto sua confusão interna se aprofundava. Continuava dizendo a si mesmo que precisava se controlar. Mesmo que não conseguisse ver como o Sr. Thee e Aran poderiam estar conectados, sabia que o Sr. Thee nunca estaria interessado em alguém como ele.
Espere um minuto! Por que ele se importava se Thee gostava dele? Ele não estava interessado nesse cara de jeito nenhum!
Ele quase arrancou os cabelos, sentindo que tinha ficado sentimental demais ultimamente. Ele sempre namorou mulheres. Não havia como ele estar se apaixonando por esse homem, não importava o quão cativante ele pudesse ser, como um cachorro grande e teimoso tentando obedecer enquanto ainda se agarrava ao seu orgulho com o pelo eriçado.
E aquele sino dos ventos não estava ajudando ele a ganhar clareza, ao contrário do que qualquer anúncio pudesse alegar.
O jovem fotógrafo endireitou-se e soltou um longo suspiro. Lentamente, girou sua xícara de café, tentando acalmar seus pensamentos acelerados. Naquele momento, estava preso em uma névoa de incerteza, lutando para recuperar seu equilíbrio emocional o mais rápido possível.
Ele estava tomando outro gole de café quando uma mulher esbelta se aproximou dele. Ela tinha proporções elegantes, busto cheio e quadris curvilíneos. Seu rosto era marcante, meticulosamente maquiado. Com seu vestido justo e saltos de dez centímetros, ela parecia ainda mais deslumbrante.
— Ei, Peach. Vejo que você ainda é casado com o café. — Ela o cumprimentou casualmente, acenando à distância.
Peach olhou para cima e levantou-se para cumprimentá-la, seus lábios se curvando em um sorriso brilhante.
— Mim, linda como sempre. — brincou ele. — Esses saltos agulha de dez centímetros não te assustam nem um pouco, não é?
— Nem comece. — Avisou ela, vendo que ele estava prestes a trazer à tona alguma memória antiga e embaraçosa de suas primeiras tentativas de usar salto alto. Isso o fez rir baixinho.
Mim estava prestes a dizer mais alguma coisa quando outro homem entrou no café. O comportamento dela mudou instantaneamente. Ela se endireitou, tornando-se uma profissional consumada e estendeu formalmente a mão.
— Bom dia, Sr. Peach. Este é o Sr. Touch, meu chefe, que mencionei antes.
Peach ofereceu um sorriso fraco, momentaneamente tentado a provocar sua amiga, mas decidiu não fazer isso. Ele se virou para cumprimentar o recém-chegado.
— Olá, Sr. Touch. Peço desculpas pela mudança de última hora ontem que incomodou você e a Srta. Mim.
— De jeito nenhum. — respondeu Touch com um sorriso genuíno. — Estou muito feliz em conhecê-lo.
Peach simplesmente retribuiu o sorriso, estudando discretamente o outro homem. Touch era alto, com músculos bem definidos e pele clara. Ele usava óculos retangulares que emolduravam seus traços nítidos e distintamente chineses, dando-lhe uma aparência atraente, quase sofisticada. Enquanto Thee podia ser um tipo mafioso irritante e não confiável com uma estética internacional de bad-boy, Touch parecia limpo, mais como um jovem profissional polido e inteligente.
— Peço desculpas por ser tão direto ao ligar. Mim mencionou que você não gosta particularmente de chamadas de negócios, mas este assunto é bastante urgente. — disse Touch, curvando-se ligeiramente. Sua polidez fez Peach se sentir um pouco desconfortável.
— Eu gosto de um pouco de privacidade, só isso. — Peach ofereceu um leve sorriso, direcionando rapidamente a conversa para os negócios. — Então, que tipo de projeto você está trabalhando, Sr. Touch? Estou atualmente ocupado com um projeto de longo prazo para a Arseny, então talvez não consiga assumir tarefas importantes ou aquelas que exijam viagens extensas no momento.
— Eu entendo. — respondeu Touch com um sorriso suave e um leve aceno de cabeça, seus olhos brilhando com uma intensidade afiada. — Na verdade, acabei de abrir uma nova agência de modelos. Assinei contrato com dois ou três modelos e esperava que você pudesse ajudar a fotografar o lançamento promocional deles.
Peach assentiu. Numa era em que a mídia online tinha enorme influência, a primeira sessão de fotos promocional para novos modelos era crucial, não apenas para suas reputações individuais, mas para toda a imagem da agência.
— Tenho apenas três modelos. Fotografaríamos no estúdio, sem locações fora da cidade. Apenas duas ou três fotos por modelo para a promoção seria perfeito. — continuou Touch com entusiasmo, sua seriedade fazendo Peach sorrir.
— Isso deve funcionar. Eu provavelmente conseguiria terminar em um dia. — Calculou Peach rapidamente. — Mas talvez precise resolver algumas coisas antes. Eu diria em cerca de três ou quatro dias. Você tem pressa, Sr. Touch?
— De jeito nenhum. — Touch assentiu avidamente, seu comportamento sério. — Sou um grande fã do seu trabalho. Ter você fotografando nosso lançamento seria um começo incrível para minha agência.
Peach olhou para aquele sorriso genuíno e suspirou silenciosamente. Ele hesitou, normalmente não gostava de assumir projetos extras. Mas na próxima semana, ele tinha algum tempo livre enquanto outras equipes terminavam suas coleções de inverno antes de passar para as linhas de verão. Além disso, depois de adiar a reunião de ontem e ver o esforço contínuo de Touch para se encontrar, uma mistura de culpa e consideração tomou conta dele.
Finalmente, o jovem fotógrafo ofereceu um pequeno sorriso.
— Fico feliz em trabalhar com você, Sr. Touch.
Do outro lado da rua, com vista para o café, um elegante carro europeu preto com vidros escuros permanecia imóvel.
Dentro, um mafioso russo alto estava sentado de pernas cruzadas, visivelmente irritado. Um grande iPad descansava em suas mãos, exibindo documentos que ele deveria estar lendo, mas seus olhos cinza-fumaça estavam fixos na figura alta e esbelta dentro do café.
Maldito seja! Ele estava furioso ao ver Peach comendo com sua ex, ambos sorrindo largamente.
Ele só podia assistir, fervendo de frustração. Sabia perfeitamente bem que tinha cometido um erro ontem e merecia a raiva, mas isso não significava que estava feliz em ver o outro homem sentado e sorrindo com sua ex.
E por que aquele baixinho estava ficando tão perto de Peach?!
O chefe da máfia cerrou os dentes e estreitou os olhos perigosamente. Ele estava pronto para invadir o café se aquele cara ousasse tocá-lo.
Mok olhou para seu chefe pelo espelho retrovisor e suspirou suavemente, pensando nas instruções da manhã para fazer uma “visita fora do lugar”. O jovem secretário, depois de verificar o calendário, se perguntou exatamente quando essa visita ocorreria. Mas sem reuniões ou compromissos, ele simplesmente dirigiu até lá sem questionar.
Não que ele pudesse discutir. O grande iPad nas mãos do chefe da máfia estava tecnicamente aberto para trabalho. E tecnicamente, eles estavam fora do escritório.
— Chefe, se você entrar agora, o Sr. Peach ficará furioso. — avisou Mok em tom monótono, uma pitada de diversão dançando em seus olhos.
Thee pressionou a língua contra a bochecha, sabendo muito bem que, não importava o quanto quisesse agarrar alguém pelo pescoço agora, não podia arriscar deixar Peach com raiva novamente.
— Você tem alguma informação? — perguntou Thee, ainda encarando a figura esbelta no café.
— A informação sobre a ex do Sr. Peach foi enviada para você. — relatou Mok calmamente, imperturbável pelo pedido incomum. A essa altura, qualquer coisa relacionada a Peach havia se tornado a principal prioridade de Thee. — Quanto aos antecedentes do cliente, espero tê-los esta tarde.
Thee grunhiu em reconhecimento, ainda franzindo a testa enquanto relutantemente voltava sua atenção para os documentos exibidos em seu iPad.
Do banco do motorista, Mok revisou seus próprios arquivos em seu tablet, mas não pôde deixar de espiar seu chefe. A tensão no rosto afiado e melancólico de Thee permanecia teimosamente fixa, levando Mok a quebrar o silêncio.
— Você sabe que isso não é normal, certo?
A mudança na forma como ele se dirigia a Thee não passou despercebida por nenhum dos dois. Este não era um subordinado falando com seu empregador, era um amigo de infância pulando formalidades. Embora tivesse sido criado como um filho adotivo para se tornar o braço direito do próximo chefe da família Arseny, Mok era mais do que apenas um assistente. Ele era o único verdadeiro amigo que Thee permitira em seu mundo protegido.
— Eu sei. — murmurou Thee, sua raiva se transformando em frustração inquieta.
— Bom. — Mok assentiu, seu tom firme, mas caloroso. Ele voltou ao trabalho, mas acrescentou casualmente: — Gosto de ver vocês dois juntos. Mas se não tomar cuidado, pode perdê-lo.
Ele estava plenamente ciente de que o que sentia não era normal. Sabia que tinha problemas para lidar com as pessoas, sempre teve. Nunca se importou com o que alguém fora da família pensava dele. Como alguém no topo da hierarquia de poder, nunca precisou.
Mok era seu amigo, confiável. Mas o que ele sentia por Peach era muito mais profundo. Peach não era apenas alguém que ele gostava de ter por perto, ele era alguém que Thee queria valorizar… mas possuir completamente.
Peach era doçura envolta em aço, uma alma rara e preciosa que Thee estava desesperado para proteger… e obcecado demais para deixar escapar por entre os dedos. Seu olhar, seu sorriso, sua voz, até os menores e mais triviais detalhes, ele queria que tudo pertencesse apenas a ele.
Pela primeira vez, ele entendeu o que seu irmão mais novo disse uma vez sobre se apaixonar por alguém.
Parecia que… ele gostava de Peach.
No momento em que admitiu isso, seu coração bateu descontroladamente, como se afirmasse a descoberta. Um calor suave se espalhou pelo peito, envolvendo-o com segurança, deixando-o voluntariamente preso pela sensação.
Ele franziu a testa profundamente, relutante em aceitar o quão real essa emoção parecia. Cada uma de suas ações o traía.
Ele franziu a testa profundamente, sem querer aceitar o quão real aquele sentimento parecia. Cada uma de suas ações o traía. Ele nunca havia gostado de ninguém antes… não de verdade. Ele esteve com homens e mulheres de todos os tipos, nenhum dos quais despertou algo dentro dele.
A vibração de seu telefone no bolso da jaqueta o tirou de seus pensamentos. Ele o puxou rapidamente, semicerrando os olhos enquanto lia a breve mensagem:
PEACH: Você quer café? Estou em uma cafeteria e posso pegar um para você. Tenho que pegar um para a Plub de qualquer maneira.
Assim, os cantos da boca de Thee se levantaram em um sorriso raro e genuíno, um calor alcançando seus olhos geralmente frios e afiados. Não havia como evitar. Ele realmente gostava de Peach... muito.
Seu olhar vagou em direção ao café, ele viu Peach conversando com alguém com aquele sorriso familiar e gentil. Naquele momento, o vasto mundo ao seu redor encolheu até que apenas uma pessoa permaneceu em foco.
A primeira coisa que ele precisava aprender era como respeitar o que Peach queria, não importava o quão frustrante pudesse ser para alguém acostumado a estar no controle.
— Vamos voltar. Preciso ser um bom menino e esperar pelo meu café no escritório. — murmurou ele com um leve sorriso, sem se preocupar em questionar se seu secretário entendia o que ele estava dizendo, enquanto o carro seguia suavemente pela rua, deixando para trás uma atmosfera muito mais leve.
Por enquanto, ele só precisava ser paciente, um bom menino esperando quieto. Ele teceria gradualmente seu caminho na vida de Peach, tornando-se perfeitamente uma parte inseparável dela. Até que chegasse o dia em que pudesse amarrar Peach a ele completamente e nunca mais deixá-lo ir.
FIM DO CAPÍTULO