CAPÍTULO 20
CAPÍTULO 20
Ele não conseguia, por nada neste mundo, descobrir o que o tinha irritado desta vez. Thee parecia de bom humor esta manhã antes de ir trabalhar, então o que diabos aconteceu para o deixar de tão mau humor de repente? Ele se questionou, mas não ousaria perguntar. A última coisa que ele queria era cutucar a onça e piorar as coisas.
— Sr. Thee, você veio aqui porque precisava de algo de mim?
Peach perguntou, desviando a conversa enquanto o guiava sutilmente para longe dos espectadores curiosos. A maneira como ele estava parado ali, braços cruzados e rosto escuro de irritação, já tinha enviado os jovens funcionários para um frenesi de trabalho, cabeças baixas e dedos voando sobre os teclados como se suas vidas dependessem disso.
Até Peach não pôde deixar de sentir que estava se oferecendo ao diabo.
— O quê? Este é meu estúdio. Posso ir aonde diabos eu quiser. — retrucou Thee, apertando os braços sobre o peito. Seu desagrado era claro. Mas quando Peach se moveu, ele seguiu sem hesitação, ficando perto o suficiente para que seus longos braços pudessem alcançar, se necessário.
Peach soltou outro suspiro. Claramente, eles precisavam ter uma conversa séria. Se Thee continuasse agindo assim, eles não chegariam a lugar nenhum.
Virando-se totalmente para encarar o homem, Peach encontrou seu olhar com um olhar calmo, mas firme, e perguntou uniformemente:
— Sr. Thee, você está... bravo comigo por alguma coisa?
Thee franziu a testa. Ele ainda parecia que estava prestes a explodir novamente, mas quando seus olhos encontraram o olhar inabalável e tranquilo de Peach, algo nele pareceu murchar. A tensão tempestuosa ao seu redor desapareceu lentamente.
— Não estou bravo com você. — disse ele, sua voz suavizando e o vinco em sua testa relaxando.
Peach não tinha ideia do que causou a súbita mudança de humor, mas se Thee estava se acalmando, ele não ia reclamar. Seus próprios ombros relaxaram, e um sorriso suave e caloroso se espalhou por seu rosto, seus olhos se transformando em meias-luas.
Finalmente! O demônio o possuindo parece ter deixado o corpo.
Thee ficou rígido, seus olhos se arregalando ligeiramente antes de desviar o olhar rapidamente, um leve tom rosa subindo até as pontas das orelhas. Peach piscou, intrigado, mas decidiu não insistir no assunto. Contanto que Thee não estivesse agitado, isso era suficiente para ele.
— Não seja tão... gentil. — murmurou o chefe da máfia após um momento, sua voz baixa e quase suave demais para ouvir. — Você não tem que ser gentil com pessoas que foram terríveis com você.
— Mas tecnicamente, eu fui terrível com ele também. Ele tirou meu nome do projeto e colocou o dele. Então, certifiquei-me de que ele tivesse que voltar e implorar para colocar o meu de volta.
Peach respondeu com um leve encolher de ombros. Ele falou com total facilidade. Peach não era do tipo que guardava rancor. Na verdade, ele era o clássico introvertido, reservado, quieto e avesso a dramas. Ele geralmente deixava as coisas passarem, a menos que fosse absolutamente necessário. Mas depois de ser ferrado por Wivit muitas vezes, até ele não podia simplesmente dar o braço a torcer.
Vendo que Thee parecia ter voltado ao normal, Peach voltou à pergunta que o incomodava desde o início.
— Então... por que você veio aqui? Você precisava de algo de mim?
Por favor, não diga que você está aqui para me cobrar prazos...
A expressão de Theerakit ficou em branco por um segundo, como se ele tivesse esquecido completamente seu motivo original. Então, ele limpou a garganta e foi direto ao ponto.
— Há um evento da empresa hoje à noite, uma festa celebrando como a Coleção Falcon quebrou seu recorde de vendas anterior. Convidamos vários meios de comunicação. — Ele parou, parecendo um pouco... desconfortável. — Você... quer ir comigo?
Peach levantou uma sobrancelha e puxou o telefone para verificar seus e-mails. Sua testa franziu ligeiramente enquanto rolava a tela.
— Não recebi um e-mail de convite. Eu deveria ir?
— Foi... uma confusão. — O rosto de Thee endureceu novamente, sério, mas claramente inquieto. — A equipe enviou convites para todos os participantes do projeto, mas... houve um pouco de bagunça na época, então o e-mail... nunca foi enviado para você.
Peach assentiu levemente, entendendo a situação. Dada a recente experiência horrível de ter seu nome removido da lista do projeto, o RH deve ter enviado os convites com base na lista atualizada, deixando seu nome de fora completamente.
— Tudo bem. Deixe Trend ir no meu lugar.
Mas a carranca no rosto de Thee só se aprofundou, transformando-se em um olhar de puro desafio. Claramente, ele não concordava com essa ideia.
— Você quer ir? Posso adicionar seu nome.
— Não, obrigado.
A recusa de Peach veio sem hesitação, sua expressão ilegível.
— Você não quer ir por causa daquelas pessoas, certo? Posso pedir para removerem o nome daquele idiota se isso te incomoda.
— Você não pode fazer isso. — Suspirou Peach. — Ele é o líder do projeto. Se você removê-lo da lista, só vai alimentar mais rumores para a imprensa escrever.
— Então venha comigo.
— De jeito nenhum. Eu odeio festas. — Sua recusa foi firme, acompanhada por um olhar de desinteresse e olhos sonolentos. — Além disso, tenho trabalho para terminar hoje à noite. Não vou perder tempo em um evento sem sentido.
No momento em que Peach o rejeitou, a expressão do chefe da máfia escureceu novamente, suas feições afiadas se contraindo com algo quase predatório. Seu olhar se estreitou, e o ar engrossou com intensidade, como uma fera avaliando sua presa.
— Que tipo de ‘trabalho’? Você vai encontrar outra pessoa? — Sua voz caiu perigosamente, um rosnado vibrando no fundo da garganta. — Você ousou me rejeitar... por outra pessoa? Você tem coragem, Peachayarat.
Peach ficou atordoado em silêncio. Ele só voltou à realidade quando deu um passo decisivo à frente, fechando o espaço entre eles.
Instintivamente, Peach levou a mão ao rosto, sufocando um gemido de frustração. Pela primeira vez, considerou seriamente gritar na própria palma da mão. Respirando fundo para se acalmar, abaixou a mão e encontrou o olhar intenso de Thee com exasperação silenciosa. Ele não ia se deixar intimidar por essa possessividade ridícula.
— Acalme-se, Sr. Thee. Eu te disse que tenho trabalho, não um encontro. — Sua voz era firme, sem traço de medo, apesar da postura imponente de Thee. — E esse ‘trabalho’ por acaso é o seu projeto. Você esqueceu da reunião de amanhã? Você pediu para revisar o progresso à tarde. Se eu não ficar acordado a noite toda, a equipe de arte não terá as revisões prontas a tempo.
Thee ficou imóvel, seu maxilar cerrado relaxando à medida que a compreensão surgia. Sua carranca desapareceu, substituída por um lampejo de satisfação. Mas apesar de recuperar a compostura, ele não fez menção de recuar.
Peach se mexeu, desconfortável com a proximidade repentina. Assim que ia dar um passo para trás, a mão grande de Thee envolveu seu pulso, firme, mas não com força.
— Já passou do meio-dia. Você comeu? — O chefe da máfia perguntou calmamente, seu polegar roçando distraidamente o interior do pulso de Peach. — Você tem problemas de estômago. Precisa comer na hora certa.
Pego de surpresa pela mudança repentina de assunto, Peach se deixou levar gentilmente, percebendo o que estava acontecendo apenas quando já estavam na metade do caminho para fora do estúdio. Atrás deles, o secretário de Thee havia empacotado cuidadosamente a bolsa e o equipamento de Peach, garantindo que nada fosse deixado para trás.
Mok, o braço direito de Thee, dava ordens para outro guarda-costas colocar os pertences de Peach no carro europeu preto estacionado na garagem subterrânea. Antes que Peach pudesse protestar, Thee abriu a porta do carro e o guiou firmemente para dentro.
Ele só deveria abrir a porta... Como isso se transformou em ser empurrado para dentro do carro?
Ele suspirou internamente, mas não reclamou. Uma refeição deliciosa e gratuita em troca de ser “sequestrado” não parecia o pior negócio.
Peach recostou-se no luxuoso assento de couro e permitiu-se relaxar. Seus lábios se curvaram em um sorriso fraco e satisfeito.
Estranho... Quando seu medo do chefe da máfia sentado ao seu lado desapareceu em nada mais do que um conforto silencioso?
Como Peach havia solicitado um lugar perto do escritório, explicando que precisava dar um resumo à equipe de arte novamente à tarde para poder trabalhar tranquilamente naquela noite, o chefe da máfia obedeceu sem uma palavra de protesto.
Depois de estacionar em um grande shopping center próximo, Thee liderou o caminho para dentro. Com sua estrutura alta e larga e passos longos e decididos, Thee naturalmente se moveu à frente de Peach, cuja altura estava acima da média, mas ainda não conseguia acompanhar o ritmo de Thee.
No entanto, Peach não fez esforço para alcançá-lo. Intervalos de almoço deveriam ser relaxantes, não uma corrida. Além disso, não era como se ele fosse se perder. O imponente chefe da máfia se destacava como um farol na multidão, sua forte presença enfatizada ainda mais pelos dois guarda-costas que o seguiam. Peach podia vê-lo claramente mesmo por trás.
Percebendo que estava deixando Peach para trás, Thee olhou para trás, diminuiu os passos e ajustou seu ritmo para combinar com o dele. Aquele ato sutil de consideração trouxe um calor fraco e estranho ao peito de Peach.
— O que você está com vontade de comer? — Thee perguntou, examinando as placas dos restaurantes com uma carranca. — Tudo parece cheio.
— Já passa das 13h, ainda é horário de pico do almoço. — respondeu Peach com um encolher de ombros. Restaurantes lotados a essa hora do dia eram normais para ele. Para Thee, que provavelmente jantava em salas privadas em restaurantes de luxo, era uma história diferente.
Os olhos de Peach varreram as opções, procurando um lugar com pouca espera. Ambos tinham trabalho esperando por eles no escritório. Além disso, o CEO ao lado dele definitivamente tinha uma carga de trabalho pesada se acumulando. Ele estava trancado em seu escritório há apenas três horas e, a julgar pelo olhar exausto no rosto de seu secretário quando saíram, a carga de trabalho devia ser tudo menos leve.
Depois de examinar a área, seu olhar pousou em uma lanchonete de sanduíches verde brilhante que se destacava. Era um lugar famoso com pão de dois metros de comprimento e recheios totalmente personalizáveis. Rápido, conveniente e portátil, perfeito para pegar uma refeição sem perder tempo. Melhor ainda, não havia fila.
Sem dizer uma palavra, ele agarrou o peito de Thee e o puxou em direção à loja. O homem mais alto seguiu sem resistência, fazendo parecer quase fácil demais. Logo, estavam parados em frente à lanchonete.
— Você já experimentou este lugar antes? — Peach perguntou, seus olhos brilhando enquanto apontava para o menu. — É tão bom! Eu peço daqui o tempo todo quando trabalho até tarde. Você pode comer com uma mão, tem tudo: pão, vegetais, carne, e tem um gosto delicioso.
Thee olhou para o menu com interesse, seu foco profissional aceso pelo entusiasmo de Peach. Era como se estivesse avaliando um investimento em potencial.
Peach pediu sua mistura habitual de frango fatiado, presunto e bacon, coberto com queijo extra, depois virou-se para Thee, que estava lá com uma leve carranca, claramente perdido. No final, Thee desistiu e deixou Peach pedir por ele. Peach escolheu alegremente um sanduíche grande de carne e queijo para Thee e adicionou um sanduíche de atum para o assistente que esperava.
Assim que pegaram a comida, Peach desembrulhou seu sanduíche e deu uma grande mordida, suas bochechas inchando ligeiramente enquanto mastigava. Ele caminhava em um ritmo relaxado, o sanduíche elevando seu humor. Observando-o, Thee fez o mesmo. Após sua primeira mordida, a expressão de Thee mudou para leve surpresa, ele não esperava que algo tão acessível tivesse um gosto tão bom.
Eles caminharam um pouco mais, terminando seus sanduíches mordida a mordida. Assim que as migalhas acabaram, voltaram para o carro. Apesar do trânsito, Mok conseguiu levar seu chefe e o fotógrafo de volta ao escritório a tempo.
Peach pediu para que passassem pelo outro estacionamento para deixá-lo; seus materiais de reunião ainda estavam em seu carro, que estava estacionado no lote geral, enquanto as vagas executivas ficavam em um lote separado no nível superior.
Peach saiu do carro e virou-se para agradecer com sua polidez habitual. Mas assim que Mok estava prestes a dirigir, Peach gritou para que ele parasse e esperasse um momento.
O jovem fotógrafo correu para o carro, quase começando a correr. Depois de vasculhar o porta-malas por alguns segundos, voltou com um pacote grande de lanches crocantes de lula de três sabores.
— Sr. Mok, isto é para você. Esta marca é incrível, perfeita para lanchar enquanto trabalha. — disse Peach, entregando o pacote grande de lanches de lula para o secretário de Thee com um sorriso brilhante.
Ele assentiu levemente em gratidão, girou nos calcanhares e dirigiu-se ao prédio, indo para o departamento de arte para encontrar sua irmã mais nova com outro grande saco de guloseimas.
Enquanto isso, Theerakit estreitou os olhos, e um leve ar de desagrado começou a se infiltrar. Seu olhar fixou-se no pacote de lanches de lula nas mãos de Mok, inabalável.
Sentindo problemas, Mok rapidamente enfiou o pacote em sua bolsa.
— Chefe, você nem gosta de comida picante, muito menos lula. — Apontou Mok, mantendo o tom neutro. Internamente, ele gritava em protesto. Como o chefe da máfia poderia sequer considerar arrebatar seu lanche favorito quando ele claramente não gostava?
Mas a aura opressiva irradiando do chefe da máfia não mostrava sinais de se dissipar.
— Não haverá nenhum bônus este ano. — Observou Thee casualmente, cruzando os braços e virando o rosto, exalando indiferença gelada.
O queixo do jovem secretário caiu. Ele queria desesperadamente apontar que Peach tinha acabado de levar um enorme saco de lanches para o andar de cima para a equipe de arte. Por que ele era o único sendo punido aqui?
Mas no final, tudo o que pôde fazer foi engolir sua frustração, junto com suas lágrimas não derramadas.
Ser secretário era um trabalho infeliz.
FIM DO CAPÍTULO