CAPÍTULO 18
CAPÍTULO 18
— Você tem certeza absoluta de que esse é o tipo de trabalho que quer me apresentar?
A sala pareceu cair alguns graus quando a pessoa mais poderosa à mesa falou, seu tom carregado de irritação. Seu olhar afiado e penetrante permaneceu firme e intimidador, projetando uma pressão sufocante que fez todos prenderem a respiração. Cabeças instintivamente baixaram, cada pessoa orando silenciosamente para não se tornar o alvo daquele olhar dominante.
Hoje era a primeira apresentação da Coleção de Inverno, parte do projeto em andamento “All Seasons: One Word”. Apenas ontem, imagens promocionais haviam sido publicadas nas principais revistas de moda, gerando uma resposta esmagadoramente positiva. As fotos da campanha apresentando Aran com os produtos da Coleção de Outono haviam viralizado nas redes sociais.
Parte do burburinho vinha da aparência marcante de Aran nas fotos, hipnótica e andrógina, misturando beleza e charme com um toque irresistível de travessura. Sua presença cativante deixava as pessoas enfeitiçadas. Não apenas as revistas esgotaram, mas as pré-encomendas para o perfume e acessórios combinando da Coleção de Outono atingiram números recordes.
Para Wivit, que havia sido promovido recentemente a líder de equipe, essas críticas elogiosas eram algo que ele aceitava com orgulho, sem o menor sinal de vergonha. Afinal, ele havia sido o líder da subequipe durante o projeto da Coleção de Outono, desempenhando um papel fundamental o tempo todo.
Mas agora, o desafio era ainda maior. As expectativas para a Coleção de Inverno estavam nas alturas. O projeto em andamento visava contar uma história através da jornada do embaixador da marca pelas estações, com perfumes e acessórios combinando simbolizando cada fase. Com a Coleção de Outono estabelecendo um padrão tão alto, e teasers já sugerindo uma continuação, as pessoas aguardavam a revelação da Coleção de Inverno com antecipação contida.
A equipe não esperava que a pressão fosse tão intensa a ponto de o próprio presidente da empresa comparecer a uma reunião inicial. Ele deveria estar confortavelmente sentado na sala de reuniões executiva no andar de cima, esperando pela apresentação final depois que tudo tivesse sido polido, não deveria?
Theerakit não se importava com o que os outros pensavam. Para ser honesto, mesmo se tivessem dito explicitamente para ele ficar longe, ele teria descido de qualquer maneira. Ele vinha reprimindo uma tempestade de emoções há dias, engarrafada tão firmemente que não sabia para onde mais direcioná-las.
Ele nem tinha certeza do que exatamente o estava incomodando. Como chefe, tentava não descontar suas frustrações em seus subordinados, embora aqueles mais próximos a ele pudessem sentir a tensão irradiando dele como um nevoeiro opressivo.
O chefe da máfia sentou-se com uma perna cruzada sobre a outra na cadeira de couro oversized, uma mão descansando no queixo enquanto a outra batia ritmicamente contra a mesa de conferência. O tamborilar constante ecoava na sala, combinando com o batimento cardíaco frenético de cada funcionário presente.
— Vocês sequer olharam as fotos da Coleção de Outono? — Sua voz cortou o silêncio como uma lâmina, enquanto ninguém ousava falar. — O que é isso? Não consigo sentir nenhuma emoção ou narrativa nessas imagens.
Ele não estava exagerando, nem estava tentando ser duro. As fotos não eram ruins, atendiam aos padrões técnicos esperados de qualquer fotógrafo profissional. Mas eram totalmente sem vida: insossas e esquecíveis, carecendo do apelo magnético que fez da última campanha um sucesso.
— Pedimos profundas desculpas, CEO. O estúdio habitual não estava disponível e estávamos com falta de equipamento, então os resultados foram piores do que a coleção anterior…
— Ah, então agora você está dizendo que é minha culpa por não aprovar o orçamento? — Thee interrompeu friamente, seu tom afiado o suficiente para fazer o ar na sala cair mais alguns graus. Os olhos de Vit se arregalaram, e ele balançou a cabeça rapidamente, tropeçando em suas palavras para negar.
Os lábios de Theerakit se curvaram em um sorriso amargo, seu olhar sombrio endurecendo ainda mais.
— Se a próxima apresentação não mostrar uma melhora significativa, talvez você não seja feito para ser um líder de equipe, afinal.
Com isso, Theerakit levantou-se da cadeira, encerrando a reunião tensa com uma nota arrepiante. Enquanto saía, enfiou a mão no bolso, puxando o telefone para verificar se havia mensagens ou chamadas perdidas. Não vendo nada, soltou um longo suspiro frustrado, emoções girando dentro dele em uma confusão emaranhada que não conseguia desvendar.
Já faziam cinco dias desde que Peach partiu em uma viagem solo. Ele ficou completamente em silêncio, respondendo apenas com uma foto aleatória de férias toda vez que Theerakit lhe enviava uma mensagem, algo que conseguia irritá-lo ainda mais a cada vez.
Ele não estava acostumado a se sentir assim. Ele nem entendia o que era isso.
Alguns dias atrás, ele impulsivamente se viu ligando para o jovem fotógrafo. Peach atendeu, a voz abafada pelo sono. Eles trocaram apenas algumas palavras, apenas o suficiente para confirmar que ele estava vivo e bem, antes de encerrar a ligação. Pela primeira vez em dias, a tempestade furiosa dentro dele se acalmou, mesmo que apenas por um momento fugaz.
Agora, Thee cruzou os braços, olhos fixos no telefone, como se pudesse fazê-lo tocar. Ele já havia ligado para Peach uma vez naquela manhã, fazendo a mesma pergunta que vinha fazendo sobre quando ele voltaria. Como de costume, Peach se esquivou da pergunta, direcionando a conversa para um bate-papo leve antes de encerrar abruptamente a ligação.
Theerakit considerou ligar novamente para pressionar por uma resposta, mas não conseguiu.
Cinco dias...
Sua testa franziu em frustração. Ele não aguentava mais. Pegando o telefone, ligou para seu secretário, instruindo-o a convocar Plub para seu escritório imediatamente.
Ele recostou-se e esperou. Não demorou muito para a jovem chegar. Ele gesticulou para que ela entrasse, estudando-a em silêncio enquanto ela se aproximava.
Pequena e esbelta, ela mal alcançava seu peito. Seu cabelo, com mechas avermelhadas, emoldurava um rosto bem definido com traços nítidos e familiares. A semelhança com o irmão mais velho era inconfundível. Mas o que mais se destacava eram seus olhos grandes, calmos, inabaláveis e completamente destemidos ao encontrar os dele.
Theerakit ficou silenciosamente, embora relutantemente, impressionado. Mas sua voz era totalmente profissional quando ele finalmente falou.
— Você é Panatchakorn do Departamento de Arte, certo? O que aconteceu com o projeto? Por que a qualidade está tão ruim?
— Desculpas, CEO. A apresentação de hoje foi apenas um primeiro rascunho. O Departamento de Arte ainda não fez muitos retoques, então as fotos podem parecer ásperas ou inacabadas. Sinto muito por isso.
— Lembro-me do seu supervisor me dizendo que o Departamento de Arte já havia aprovado.
Ele levantou uma sobrancelha, surpreso por ela admitir tão facilmente.
— Para ser honesta, editar as fotos brutas foi mais difícil do que o esperado. Os arquivos não tinham correção de cor ou ajustes de qualquer tipo, então tivemos que começar do zero. Com nossa equipe lidando com vários projetos de revistas, simplesmente não conseguimos cumprir o prazo. Sinto muito mesmo.
Plub pressionou os lábios. Ela era naturalmente direta, honesta demais, mesmo estando um pouco intimidada pelo homem que se agigantava sobre ela. Havia algo mais que ela não mencionou: a equipe estava acostumada com as fotos de Peach, que geralmente eram pré-editadas de alguma forma. Desta vez, ter que ajustar tudo eles mesmos havia desorganizado completamente o cronograma.
— Não estou te culpando. — interrompeu Theerakit quando viu que ela abaixava a cabeça em desculpas. Ele hesitou brevemente, duvidando de si mesmo. Sua voz suavizou inconscientemente. — Seu irmão mencionou quando volta?
Plub foi pega de surpresa. Havia algo estranhamente pessoal na maneira como ele perguntou, uma estranha corrente subjacente que ela não conseguia identificar. Afastando o pensamento, respondeu honestamente.
— Ele não disse. Ele tem pensado em fazer uma longa viagem há um tempo, mas o trabalho continuava se acumulando. Agora que ele finalmente está de férias, acho que planeja ficar fora por um tempo.
O olhar de Theerakit mudou, um flash de decepção cruzando seu rosto antes que pudesse suprimi-lo. Ainda assim, algo dentro dele registrou silenciosamente as palavras dela. Ele deveria deixar Peach fazer mais pausas no trabalho. Mas o pensamento de não ter notícias dele, mesmo por menos de uma semana, já o deixava inquieto e no limite.
Ele odiava se sentir assim. Ele nunca quis se sentir assim novamente. Da próxima vez, ele iria com ele.
Determinado em sua decisão, o chefe da máfia endireitou as costas, afastando esses pensamentos rebeldes. Ele se concentrou novamente em sua subordinada. Plub estava parada em frente à mesa de Thee, franzindo a testa, claramente perdida em pensamentos. O que quer que estivesse em sua mente, ele não tinha interesse.
Com um aceno de mão dispensando, sinalizou para que ela voltasse ao trabalho, não oferecendo mais explicações.
Após um breve momento de hesitação, Thee pegou o telefone e ligou para Mok, emitindo ordens adicionais.
— Diga a Wivit que quero outra rodada de revisões de projeto em três dias. É bom que a próxima apresentação mostre uma melhora significativa. — disse ele, sua voz calma, mas firme. Um leve sorriso puxou o canto de sua boca. — Lembre-se, as fotos da coleção completa foram excepcionais. Espero esse mesmo nível de qualidade novamente... do mesmo fotógrafo.
Um pouco de pressão extra deve acelerar as coisas.
Enquanto isso, Peach vinha pulando de praia em praia por cinco dias seguidos, absorvendo sol e mar até que o sal praticamente revestisse sua pele. Foram as férias mais longas que ele já tirou. Na manhã do sexto dia, depois de comprar lembranças para todos, finalmente entrou no carro e voltou para Bangkok.
Ele já havia enviado uma mensagem para Plub sobre seu retorno. Quanto ao Sr. Thee, como ele havia ligado naquela manhã, Peach imaginou que não havia necessidade de enviar outra mensagem.
Desde aquele telefonema em particular, o chefe da máfia parecia ter tido uma epifania repentina, ele podia ligar todos os dias. Depois disso, o telefone de Peach tocava como um relógio. Às vezes era apenas uma troca breve, mal algumas palavras antes da ligação terminar, como se Thee simplesmente precisasse ouvir sua voz.
Mesmo com as ligações diárias, as mensagens de Thee continuavam inundando o aplicativo de bate-papo de Peach. Toda vez que ele se conectava à internet para enviar fotos de férias, um novo lote de notificações estava esperando.
Ele não estava exatamente irritado, mas estava curioso. O que o Sr. Thee quer? Tão afiado quanto Thee era, seu processo de pensamento podia ser bizarro às vezes, tanto que Peach nunca se preocupou em tentar entendê-lo. Normalmente, ele teria perguntado diretamente, mas como não parecia grande coisa, deixou Thee fazer o que quisesse.
Depois de um almoço rápido na beira da estrada naquele sexto dia, seu telefone começou a tocar novamente. O número desconhecido piscando em sua tela não surpreendeu Peach; ele tinha uma boa ideia de quem poderia ser. Um sorriso malicioso e travesso se espalhou por seu rosto enquanto deixava o telefone tocar mais algumas vezes antes de finalmente atender.
— Peachayarat falando.
— “Aqui é Wivit, líder da equipe de projetos da Arseny.”
— Ah. Sr. Wivit! O que posso fazer por você? — Peach respondeu em um tom deliberadamente neutro, embora seu rosto traísse o quão divertido ele realmente estava.
— …
Não houve nada além de um silêncio tenso do outro lado. Peach podia ouvir Wivit respirando pesadamente, ainda na linha, mas claramente lutando para encontrar as palavras certas. Seu sorriso se alargou um pouco mais. Ele não odiava Wivit, mas agora, isso era satisfatório demais.
— Se não houver nada importante, vou desligar.
— “Espere!” — Wivit deixou escapar, em pânico. Após uma breve pausa, ele finalmente conseguiu: — “Se eu quisesse recontratá-lo para supervisionar o projeto ‘All Seasons: One Word’, você estaria disponível?”
Peach revirou os olhos. O mesmo velho Wivit. Sempre obcecado em salvar a pele. Fingir que nada tinha acontecido, como se eles não tivessem entrado em conflito antes, exigia um certo nível de audácia.
Se Wivit estava disposto a engolir o orgulho e fazer essa ligação, ele devia estar sob muita pressão. O Sr. Thee puxou alguns pauzinhos nos bastidores?
— Parece que eu lembro claramente de você dizendo que não precisava mais de um fotógrafo em meio período. Você não tinha um fotógrafo em tempo integral já planejado? — Peach respondeu suavemente, sua voz pingando polidez zombeteira.
— “Bem... o presidente está realmente respirando no nosso pescoço... E o novo fotógrafo de tempo integral ainda é bastante inexperiente. Ele pode não conseguir acompanhar.”
— Ora, ora, isso soa terrivelmente inconveniente. — disse Peach com simpatia exagerada, seu tom o mais insincero possível. Ele podia dizer que Wivit percebeu o sarcasmo.
O som de dentes rangendo do outro lado retornou, fazendo as próximas palavras de Wivit serem ainda mais gélidas:
— “Então, você vai aceitar o trabalho ou não? Se for por dinheiro, apenas diga. Posso falar com o presidente e arranjar algo.”
— Não faça parecer que está tentando me comprar. Como um dos melhores fotógrafos do país, tenho dinheiro suficiente. — respondeu Peach, seu tom sedoso, mas afiado. Não era do feitio dele se gabar, mas ver Wivit se contorcer era divertido demais. Ele acrescentou casualmente: — Ainda não aceitei novos projetos, mas da última vez, você me expulsou. Aparecer e pedir para eu voltar para sua equipe do nada... pode parecer um pouco desesperado, não acha?
O som de ranger de dentes voltou, desta vez mais áspero, mais zangado. Peach podia praticamente sentir a frustração de Wivit vazando pelo telefone, fazendo seu sorriso se alargar.
— “... Sr. Peachayarat... você poderia, por favor, voltar e assumir o projeto ‘All Seasons: One Word’...” — Houve uma pausa breve e torturada, como se Wivit estivesse reunindo cada gota de orgulho que lhe restava. — “... Por favor.”
O sorriso de Peach cresceu tanto que quase doeu. Ele mal conseguiu suprimir uma risada, limpando a garganta enquanto seus olhos brilhavam com triunfo.
— Bem, já que você está implorando tão educadamente, e nos conhecemos há muito tempo, eu aceito o trabalho — respondeu ele com relutância fingida. — Mas desta vez, precisarei ler o contrato primeiro. Sabe, com o custo de vida subindo e tudo mais, alguém tem que cobrir isso.
Sem esperar resposta, encerrou a ligação, sentindo-se mais energizado do que nunca. Cantarolando de satisfação, ligou o carro e voltou para Bangkok, completamente satisfeito.
Oferta e demanda, querido.
FIM DO CAPÍTULO