CAPÍTULO 17
CAPÍTULO 17
A Arseny Corporation era um conglomerado massivo com negócios operando tanto no mercado cinza quanto no mercado negro sob sua asa. Dado seu vasto tamanho, a empresa tinha um orçamento de marketing colossal, suficiente para construir suas próprias instalações de estúdio totalmente equipadas para sessões de fotos e produção de vídeo.
O maior e mais avançado deles era o Estúdio A, atualmente reservado em sua totalidade por três meses para o projeto “All Seasons: One Word”. O estúdio havia sido reservado para completar quatro coleções de uma vez, deixando projetos menores e filmagens subsidiárias espalhados por outros estúdios.
Mas nesta manhã, ao chegar ao Estúdio A, a equipe deparou-se com uma visão inesperada. As portas principais estavam presas com correntes pesadas, e uma faixa de vinil ousada pendia na frente, anunciando que o estúdio estava em reforma. O cronograma indicava que permaneceria fechado por um mês inteiro a partir de hoje.
Nenhum dos membros da equipe havia sido informado com antecedência, deixando-os atordoados na entrada. Hoje marcava o primeiro dia da sessão de fotos promocional para a Coleção de Inverno, apresentando o modelo principal Tawan, uma estrela em ascensão e um nome conhecido. Erros ou atrasos estavam simplesmente fora de questão.
— E agora, Vit? — perguntou Trend nervosamente, seu rosto um retrato de preocupação. Ele só havia se juntado à Arseny como fotógrafo há um ano e ainda não tinha feito um nome para si mesmo. Quando Wivit o recrutou pessoalmente como o fotógrafo principal para um projeto tão importante, Trend aceitou avidamente, emocionado com a oportunidade. Mesmo que a posição viesse com seu próprio conjunto de desafios, Trend nunca se arrependeu de dizer sim.
As sobrancelhas de Wivit franziram profundamente enquanto ele tentava processar a situação. Ele não conseguia entrar em contato com o chefe de seu departamento, a mesma pessoa com quem ele havia se alinhado antes desse caos se desenrolar. Mas agora, quando uma crise explodiu, eles convenientemente desapareceram no ar.
— Vit, o gerente de instalações diz que o Estúdio A está fora dos limites. Reformas de emergência. Não há como abri-lo. — relatou um membro da equipe, tendo acabado de sair do telefone.
A expressão de Wivit escureceu ainda mais com a notícia.
— Por que agora? Eu disse a eles que reservamos o Estúdio A por três meses. Eles não podem esperar até terminarmos? — Sua voz era calma, mas a frustração fervilhava logo abaixo da superfície. O habitual sorriso relaxado e educado que ele usava não estava em lugar nenhum.
O membro da equipe hesitou, parecendo desconfortável, sem saber como dar a notícia gentilmente.
— É uma ordem do Presidente.
Maldito seja!
Wivit passou a mão pelo cabelo, sua frustração aumentando à medida que o tempo passava. A filmagem com o ator estava agendada para amanhã, e se ele não conseguisse resolver isso, acabariam pagando taxas de horas extras. Pior ainda, ele perderia a face em seu primeiro projeto como líder de equipe.
— Vit, as instalações dizem que há um estúdio disponível. — disse outro membro da equipe hesitante.
— Qual?! — Ele perguntou, um lampejo de esperança em sua expressão. A essa altura, ele aceitaria qualquer coisa.
— Estúdio Quatro.
A resposta extinguiu essa esperança em um instante.
O Estúdio Quatro era antigo, um dos espaços originais construídos quando a empresa começou. Claro, não era completamente inutilizável, a estrutura ainda estava intacta, mas o interior era horrivelmente desatualizado, carecendo de equipamentos modernos. Era praticamente um depósito glorificado. Aquele estúdio era tipicamente reservado para novatos testando suas habilidades ou como um local de último recurso para filmagens remotas. Quase ninguém escolhia trabalhar lá mais.
Rangendo os dentes, Wivit cerrou os punhos em frustração, suas unhas cravando nas palmas das mãos. Mas depois de um momento, forçou um sorriso fino e virou-se para sua equipe.
Havia quatro estúdios no total, e o quarto era o mais distante. Era relativamente pequeno, apenas cerca de um terço do tamanho do que costumavam usar. Por dentro, estava limpo e espaçoso, livre da desordem que ele temia.
Mas estava vazio demais.
O estúdio inteiro não continha nada além de um pano de fundo branco liso, algumas luzes básicas e uma câmera antiga de médio alcance que claramente já vira dias melhores.
— Vit, é sério que é só isso que temos para trabalhar? — O jovem fotógrafo reclamou. Ele estava acostumado a trabalhar com câmeras de primeira linha, software de edição avançado, luzes de ajuste automático de cor e uma gama completa de equipamentos de suporte. Ser reduzido a apenas uma câmera e algumas luzes fracas? Inaceitável!
— Podemos pegar equipamentos emprestados dos outros estúdios por enquanto. — Vit o tranquilizou, bagunçando o cabelo de Trend afetuosamente. Ele puxou o telefone e ligou para o sublíder da equipe para coordenar com os outros estúdios.
No entanto, após ligar para cada estúdio, a resposta foi a mesma: não.
— O Sr. Mok ordenou que todos os estúdios acelerassem o trabalho. Ninguém está disposto a nos emprestar nada. — relatou o sublíder se desculpando.
Vit franziu a testa, intrigado. Por que a urgência repentina em todos os departamentos? Isso nunca tinha acontecido antes.
— Tudo bem. Vou enviar um pedido de aprovação de orçamento adicional. — respondeu com confiança. Seu projeto era o maior da empresa, não havia como seu pedido ser negado.
Mas apenas quinze minutos após instruir seu assistente a preparar o pedido de orçamento urgente, seu telefone zumbiu com más notícias, todos os pedidos de despesas haviam sido congelados.
— Por quê? — Ele sibilou, suprimindo a vontade de gritar. O estúdio ainda estava cheio de membros da equipe trabalhando incansavelmente para preparar o espaço para a filmagem de amanhã.
— “O Presidente ordenou que todos os pedidos do departamento de marketing fossem colocados em espera.” — Veio a resposta hesitante do outro lado.
O peito de Vit apertou com essas palavras, uma sensação sinistra de pavor tomando conta dele.
— O Presidente de novo?
— “Aparentemente, o Chefe de Marketing está sob investigação por aceitar subornos. Todos os documentos estão temporariamente em espera, exceto pedidos urgentes, que Mok revisará pessoalmente antes de enviá-los ao Presidente.”
Que diabos?!
Wivit mordeu o lábio com força, mal se impedindo de praguejar em voz alta. Por que tudo tinha que dar errado de uma vez? O pânico se retorceu em seu peito. Investigações de suborno? Se fosse esse o caso, suas ações passadas poderiam vir à tona também!
— Sem problemas. Obrigado.
Depois de encerrar a ligação, sua mão apertou o telefone com tanta força que tremia. Cena após cena de suas ações passadas passavam vividamente em sua mente, seus nervos se apertando com cada uma. Ele estava praticamente vibrando com a vontade de invadir o departamento de marketing e confrontar o Chefe de Marketing ali mesmo.
Notando o crescente desconforto no rosto de seu chefe, Trend se aproximou. O jovem fotógrafo envolveu seus braços finos nos de Vit, dando-lhe um pequeno puxão com um biquinho brincalhão.
— Vit. Amanhã, eu vou conseguir o que preciso, certo?
O tom de Trend era docemente persuasivo, do tipo que sempre funcionava para ele. Ele estava acostumado a ser mimado, a conseguir o que queria com apenas um pouco de charme.
Mas Wivit o surpreendeu ao puxar o braço, não bruscamente, mas com irritação suficiente para doer. Ele já tinha mais do que o suficiente em seu prato. Não havia como ele lidar com as necessidades de mais ninguém no momento.
Ainda assim, forçou-se a manter as aparências. A máscara de “bom chefe” não podia cair, não aqui, não agora.
— Veremos amanhã. — disse vagamente, dispensando Trend com um sorriso tenso antes de girar nos calcanhares e se afastar sem um segundo olhar. Ele mal conseguia manter a própria cabeça acima da água, como diabos ele deveria se preocupar com mais alguém? Que piada!
…
— Parece muito divertido!
Peach disse preguiçosamente, reclinando-se em uma cadeira de praia colorida que praticamente gritava férias. Seus pés descalços estavam enterrados na areia macia e a brisa fresca do oceano beijava seu rosto, deixando para trás uma leve viscosidade salgada. Era irritante, mas refrescante ao mesmo tempo.
— “Divertido? Mais parecia um pesadelo para mim, Peach! Mas... não vou mentir, foi muito satisfatório.” — A voz de sua irmã mais nova estalou através do telefone, seguida por uma risada maliciosa que praticamente pingava arrogância.
Peach franziu a testa. Quem diabos tinha ensinado sua doce irmãzinha a ser tão conspiradora? Ele quase perguntou, mas então se lembrou da confusão absoluta em que ela esteve há dois dias e decidiu deixar passar.
Em vez disso, recostou-se com um sorriso satisfeito.
— Aposto que Tawan está nas nuvens. — Meditou ele, pensando na celebridade sempre carrancuda que parecia odiá-lo desde o início dos tempos. Tawan conseguia encantar qualquer um com aquele sorriso matador, qualquer um, exceto ele. Se Peach tivesse que adivinhar, o cara provavelmente estava dando uma festa privada só para comemorar não trabalhar com ele.
— “No começo, ele estava feliz.” — Plub bufou, soando totalmente indiferente. Ele podia praticamente vê-la fazendo bico do outro lado. — “Mas depois de lidar com o novo fotógrafo? O bom humor dele durou cerca de uma hora antes de começar a ficar de mau humor.”
— Novatos são assim. — ofereceu Peach com um encolher de ombros, embora Plub tenha bufado de frustração.
— “É melhor você manter seu telefone na mão! O trabalho está horrível, e agora o presidente está respirando no pescoço de todo mundo, exigindo resultados o mais rápido possível. A equipe de arte está prestes a pedir demissão. Todo mundo sente sua falta como um louco. Honestamente, estou começando a me arrepender de deixar você sair de férias.”
Peach riu, já fazendo uma anotação mental para levar lembranças para a equipe. Eles estavam se afogando no caos enquanto ele estava fora do radar, vivendo sua melhor vida, algum tipo de oferta de paz não faria mal.
Depois de sobreviver à ligação de dar dor de cabeça com o Sr. Chefão da Máfia e de enviar o Sr. Thee de volta para casa, para onde ele pertencia, o humor de Peach melhorou. Ele terminou de arrumar a mala com um novo senso de propósito, telefone na mão, folheando guias de viagem.
Depois de pensar um pouco, Peach decidiu que queria uma viagem relaxada em algum lugar não muito longe, apenas o suficiente para relaxar por cerca de uma semana. Ele marcou alegremente locais em seu aplicativo de mapas, organizando sua rota com uma excitação quase infantil.
Na manhã seguinte, fez as malas e saiu de seu condomínio. Antes de sair, enviou uma mensagem para a irmã, prometendo trazer lembranças. Ela ligou imediatamente, parecendo animada por ele finalmente estar tirando uma folga. Depois de lembrá-lo mais uma vez sobre as lembranças, disse para ele dirigir com segurança e aproveitar as férias. Ele prometeu fazer o que a irmã sugeriu.
Desligando a internet e guardando o telefone na bolsa, Peach permitiu-se desfrutar dos arredores pacíficos. Normalmente, ele lidava com o trabalho por meio de aplicativos de bate-papo ou e-mail. Apenas amigos próximos e familiares tinham seu número de telefone real… Bem, talvez ele abrisse uma exceção para um certo chefe da máfia mal-humorado.
Depois de conversar com a irmã por mais alguns minutos, Peach encerrou a ligação e colocou preguiçosamente o telefone na barriga. Assim que fechou os olhos, pensando em tirar um cochilo rápido, o telefone vibrou.
Ele o pegou, os lábios se curvando em um leve sorriso. Engraçado como o telefone tocou no segundo em que pensou nisso.
Quando saiu naquela manhã, não se preocupou em enviar mensagem para o Sr. Thee. Honestamente, não viu sentido. Ele já havia mencionado que estava saindo de férias, não desaparecendo da face da terra. Além disso, não tinha trabalho pendente, então não havia motivo para “dar satisfação”.
No segundo dia, Peach finalmente ligou a internet novamente, planejando postar algumas fotos apenas para que as pessoas soubessem que ele ainda estava vivo. Foi quando viu mais de cem notificações esperando por ele.
Duas eram de sua irmã. Quatro eram de sua equipe, desabafando sobre o trabalho. O fluxo restante de mensagens, quase noventa no total, era de Theerakit Kian Arseny, o único.
Quase noventa mensagens em dois dias, o que diabos estava passando pela cabeça dele? Peach queria perguntar, mas imaginou que isso só pioraria as coisas. Com um suspiro, começou a ler a avalanche de textos.
Por mais que quisesse reclamar do comportamento exagerado, no fundo, não conseguia se sentir irritado. Apesar do comportamento exagerado, havia algo genuíno, quase sincero, nos esforços de Thee. Claro, parte disso era um pouco demais, beirando o ridículo, mas não o suficiente para realmente irritá-lo.
Balançando a cabeça levemente, Peach respondeu com uma foto de um oceano sereno e azul infinito e um adesivo adorável. Depois de apertar enviar, desligou a internet novamente e ligou para a irmã. Quando uma chamada entrou enquanto ele ainda estava online, ele a ignorou deliberadamente, continuando sua conversa com a irmã até desligarem.
O telefone tocou novamente quase instantaneamente. Peach olhou para a tela, sorrindo levemente ao ver o nome do Sr. Thee piscando. Após uma breve pausa, finalmente atendeu a chamada.
— Olá, Sr. Thee.
— “Onde você está?” — A voz profunda e rouca do outro lado soava mais como um rosnado ameaçador do que uma pergunta. Peach levantou uma sobrancelha. Se estivessem cara a cara, ele poderia ter ficado um pouco intimidado. Mas pelo telefone? Ele achou divertido.
— Na praia, é claro. — respondeu ele, seu tom alegre, até brincalhão. — Não te disse que ia sair de férias?
— “... Você não respondeu às minhas mensagens.” — O tom ameaçador na voz do chefe da máfia suavizou, substituído por algo que quase soava... birrento?
Ele está fazendo bico?
— Você me disse para aproveitar minhas férias ao máximo, então é exatamente isso que estou fazendo.
A voz de Peach suavizou inconscientemente, assumindo um tom persuasivo, quase provocativo, mesmo que ele ainda não tivesse certeza do porquê de Thee parecer chateado ou o motivo de sentir a necessidade de acalmá-lo. Ver Thee assim era... estranhamente cativante.
— “... Hum.” — O suspiro resignado de Thee veio pelo telefone. Ele ficou em silêncio por quase um minuto inteiro, o único som sendo sua respiração constante.
Logo quando Peach estava prestes a desligar, a voz de Thee cortou o silêncio:
— “Espere.” — O comando afiado soou quase como uma repreensão. Houve um baque fraco ao fundo, como se alguém estivesse andando de um lado para o outro.
— “Quando você volta? Já faz três dias.”
— Fazem apenas dois. Como você está contando? — Peach riu.
— “Eu posso encontrar algo para você fazer agora mesmo.” — Thee retrucou imediatamente, fazendo-o rir ainda mais.
— Não, obrigado. Deixe-me aproveitar minha viagem primeiro. Se algo urgente surgir, você pode me arrastar de volta então.
Ele esticou os braços, sentindo o relaxamento agradável se instalar em seus músculos. As férias estavam realmente deixando-o com preguiça demais para pensar em trabalho.
— “Mas viajar sozinho por muito tempo pode ser perigoso.” — Thee ainda soava mal-humorado, sua frustração mal escondida. — “Eu deveria ter tirado uma folga para ir com você. Pelo menos assim, você estaria seguro.”
— De jeito nenhum! Você tem toneladas de trabalho, não pode simplesmente sair assim. — Peach descartou a ideia imediatamente, firme em sua posição.
Com um sorriso satisfeito, Peach encerrou a ligação, colocou o telefone de volta na barriga, pegou seu chapéu de palha e o colocou sobre o rosto. Fechou os olhos, deixando o som suave das ondas lavá-lo. O sorriso suave persistente em seus lábios recusava-se a desaparecer.
Realmente era um bom dia.
FIM DO CAPÍTULO