CAPÍTULO 16
CAPÍTULO 16
Theerakit sentiu uma inexplicável sensação de conforto. As mãos do jovem fotógrafo não eram macias como as que ele costumava preferir. Eram calejadas em alguns lugares, ásperas do trabalho duro, mãos que contavam uma história de esforço, não do tipo suave e sedoso. E, no entanto, ele percebeu que gostava dessa proximidade muito mais do que esperava.
Ele dobrou a mão de Peach, guiando o dedo até o pulso dele. Ver que as marcas vermelhas fracas haviam desaparecido completamente trouxe-lhe uma satisfação que ele não conseguia explicar inteiramente.
Nos últimos dois dias em que Peach esteve ausente, talvez porque o último encontro deles tivesse deixado um gosto ruim em sua boca, houve uma mistura de frustração e confusão que se recusava a desaparecer. Não era apenas desconforto; era algo mais pesado. Ele não sabia o que era.
Quando descobriu que Peach havia sido assediado, a raiva explodiu: Como alguém ousa tocar no que é meu? No entanto, no fundo, sentiu-se estranhamente... excitado. Isso lhe deu uma desculpa para procurar Peach novamente.
Mesmo quando Peach chorou, algo que deveria ter sido desconfortável ou até irritante, não o incomodou nem um pouco. Ele já viu inúmeras pessoas chorarem na frente dele antes. Mulheres bonitas com corpos perfeitos, garotos adoráveis com olhos suaves e suplicantes, até homens idosos com rostos retorcidos em desespero lamentável. Quer soluçassem como se o mundo estivesse acabando ou tentassem chorar de uma forma que parecesse sedutora, isso sempre o irritava.
Mas não Peach. Nem um pouco.
Os olhos de Thee vagaram para a mala aberta no chão, e ele limpou a garganta, repentinamente constrangido. Então percebeu: talvez tivesse reagido um pouco exageradamente. Mesmo assim, não conseguia afastar o pensamento de Peach desaparecendo. A ideia enviava uma dor aguda pelo peito, um vazio que o deixava tonto. Isso o irritou tanto que ele atacou sem nem mesmo querer.
Thee pressionou os lábios, a carranca se aprofundando ao captar o olhar exasperado no rosto de Peach. Decidiu direcionar a conversa para uma direção completamente diferente.
— Então, o que te fez decidir fazer uma viagem de repente? — Ele sutilmente se moveu, bloqueando a porta do quarto, sem intenção de revisitar o momento embaraçoso de antes. — Você não tem trabalho a fazer? Está apenas aproveitando a oportunidade para fugir e brincar?
— Tenho três meses de nada além de tempo livre. E estou puto demais com aquele idiota para aceitar qualquer trabalho, então sim, imaginei fazer uma viagem. — respondeu Peach, seu tom afiado e cheio de aborrecimento persistente.
— Tem certeza de que não quer o avião? — Thee perguntou novamente, franzindo a testa ligeiramente. Isso lhe rendeu um olhar estreito e desdenhoso de Peach.
— Não. Absolutamente não. Não desperdice dinheiro em coisas desnecessárias.
Os lábios de Thee se contraíram no mais leve dos sorrisos, tão sutil que era quase invisível. De alguma forma, a repreensão de Peach era... adorável.
Thee congelou por um segundo, assustado com seus próprios pensamentos. Soltou rapidamente a mão de Peach, sua expressão uma mistura de surpresa e pânico. Isso, é claro, fez Peach inclinar a cabeça ligeiramente, olhando para ele com olhos curiosos, o leve rubor ainda visível ao redor deles.
… Adorável.
— Você está bem? Está se sentindo doente ou algo assim? — Peach perguntou, o tom suavizando enquanto ele instintivamente se inclinava para frente, apenas para hesitar e recuar.
— … — A carranca de Thee se aprofundou, a irritação borbulhando em seu peito. Por que se afastar?
— Por que você não se senta um pouco? Vou pegar um pouco de água para você.
O chefe da máfia não se preocupou em responder. Em vez disso, sua mão forte pegou Peach pelo braço e o guiou, meio conduzindo, meio arrastando, em direção ao sofá. Empurrou-o para baixo com força suficiente apenas para garantir que ele ficasse parado, ignorando o olhar perplexo que recebeu.
Sem uma palavra, Thee caminhou em direção à pequena cozinha e pegou uma toalha limpa e alguns cubos de gelo. Retornou, embrulhando firmemente o gelo na toalha. Uma mão segurou firmemente o queixo de Peach, inclinando-o para cima, mantendo-o no lugar como se ele mal pudesse se mover.
— Feche os olhos. — ordenou Thee secamente quando notou Peach olhando para ele com aqueles olhos grandes e redondos. Ao comando, Peach fechou os olhos com força imediatamente. Thee usou as pontas dos dedos para massagear suavemente suas pálpebras antes de pressionar a bolsa de gelo embrulhada contra elas.
— Mantenha aí. Eles estão tão inchados que se você não fizer isso, estarão loucamente inchados amanhã.
— Você é muito bom nisso. Você faz isso com frequência para as pessoas? — Peach perguntou com um pequeno sorriso brincalhão. — Você não parece do tipo que chora, parece mais do tipo que faz os outros chorarem.
O olhar de Thee vagou para os lábios de Peach, ainda se movendo com seus comentários provocativos. Suas bochechas macias, espiando por baixo da toalha, tinham um leve rubor que sugeria timidez. Thee gostava dele assim, mais natural, menos amedrontado.
Percebendo que estava olhando para os lábios de Peach por muito tempo, Thee desviou o olhar rapidamente.
— Você quer voltar ao trabalho? — perguntou, seu tom sério enquanto tentava mudar a conversa para outro lugar. — Eu mesmo lidarei com seu líder de equipe. Você pode começar amanhã se quiser.
— Acho melhor deixar para lá por enquanto. — disse Peach, ajustando a toalha, virando-a para encontrar um lado mais frio antes de pressioná-la de volta. — Alguém como Wivit, se você derrubá-lo à força, ele apenas guardará rancor. Não quero que Plub seja arrastada para isso.
— E daí? Você não vai voltar ao trabalho? — A sobrancelha de Thee franziu, seu desagrado evidente.
Peach percebeu e não pôde deixar de rir, seus lábios se curvando em um sorriso travesso enquanto levantava uma sobrancelha em desafio brincalhão.
— Só se aquele cara implorar para eu voltar. Isso seria satisfatório.
Thee olhou para Peach e, em vez de achá-lo irritante ou arrogante, apenas pensou que ele parecia cativante. Cativante demais. Ele desviou o olhar, cruzando os braços para se impedir de estender a mão e tocar as bochechas macias e coradas de Peach.
Peach não era nem remotamente próximo do tipo usual de Thee — alto e magro com um rosto bem cuidado. Ele não era o tipo pequeno e doce, que ele normalmente se sentia atraído. E sua personalidade? Não poderia ser mais diferente. Mas de alguma forma, estar perto de Peach dava a Thee uma estranha sensação de tranquilidade que ele não conseguia colocar em palavras. Era um tipo de conforto que lhe permitia baixar a guarda, seguir o que Peach queria sem pensar demais. Parecia libertador, como se ele pudesse ser verdadeiramente ele mesmo.
E quando Peach não estava por perto, ele se sentia estranhamente irritado.
Ele parou, tentando fazer sentido disso em sua cabeça. Poderia ser que ele já considerasse Peach como um amigo? Com uma leve inclinação de cabeça, Thee decidiu que essa era a explicação mais razoável. Mentalmente, colocou Peach na categoria de um amigo de confiança.
Seu olhar demorou no sorriso astuto de Peach, na maneira como seus olhos brilhavam com qualquer travessura que ele estivesse planejando. Ele não parecia nem um pouco ameaçador. Na verdade, ele dava a Thee uma sensação estranha e calorosa por dentro.
Ele deveria mantê-lo como um amigo próximo.
— Então, qual é o seu plano?
Thee perguntou enquanto se sentava no sofá, cruzando uma perna sobre a outra em sua habitual maneira confiante. Ele entrelaçou as mãos, claramente interessado em qualquer bobagem que Peach estivesse prestes a sugerir. Mesmo que fosse apenas entretenimento inofensivo, Thee sentiu-se estranhamente inclinado a entrar na brincadeira.
— Estou pensando em fazer uma viagem de carro relaxada, apenas dirigindo para onde eu sentir vontade, parando para tirar fotos, aproveitando boa comida e depois dormindo onde quer que seja. — disse Peach, um sorriso suave nos lábios. Seus olhos brilharam. — Enquanto isso, darei ao novato uma chance de lidar com as coisas. Mas se o trabalho dele não estiver à altura, você provavelmente me chamará de volta para consertar de qualquer maneira.
Thee deu um leve sorriso. Era como ver uma criança pequena tentando planejar algo grande. Como um bom veterano, imaginou que deveria deixar o garoto assumir a liderança por uma vez.
— Sim, provavelmente haverá muitos problemas com aquele trabalho. — disse ele, concordando com a cabeça. Se Peach disse que haveria problemas, então era bom que realmente houvesse problemas!
— Mas não mexa muito com eles, ok? — Peach avisou, seu tom leve, mas firme. — Se eles fizerem um bom trabalho, dê-lhes crédito. Eles são apenas novatos, não têm ideia sobre todo esse drama. Além disso, um projeto como esse pode ser realmente importante para o portfólio deles.
Para o jovem fotógrafo, o verdadeiro alvo de sua frustração era Wivit. Ele não queria que o futuro de novos funcionários fosse arruinado por política de escritório mesquinha ou algum jogo de poder imaturo.
Thee não fez promessas. Em vez disso, seu sorriso se alargou ligeiramente, sugerindo pensamentos que ninguém conseguia adivinhar. Quem ousaria tentar entender a mente de um chefe da máfia? Quando se tratava de acertar as contas, ele não era do tipo que perdoava ou esquecia, nem mesmo um centavo de juros.
— Você decidiu para onde vai? — perguntou casualmente, embora em sua mente já estivesse calculando quanto tempo poderia deixar Peach ficar fora antes de precisar chamá-lo de volta. Ele não queria que o cara desaparecesse por muito tempo, mas imaginou que uma pequena pausa não faria mal, uma oportunidade de escapar do caos por um tempo.
— Estou pensando na praia. — disse Peach, tirando a toalha dos olhos e esfregando suavemente as têmporas. — Faz uma eternidade desde que fui. Imaginei apenas dirigir ao longo da costa, apreciando a vista, talvez tirando algumas fotos do pôr do sol. Soa legal, certo?
— Eu tenho um hotel à beira-mar. — O comentário casual fez Peach parar. Ele olhou para Thee com uma mistura de suspeita e leve exasperação, o que levou Thee a esclarecer rapidamente: — Sou co-proprietário. Posso te dar um desconto. Vai te economizar algum dinheiro.
— Para ser honesto, como um fotógrafo razoavelmente bem-sucedido, tenho uma quantia decente de economias. — respondeu Peach seriamente, embora parecesse que a implicação passou completamente despercebida por Thee. O que um hotel tinha a ver com economias, afinal?
— Por que você não simplesmente entra e solta meu nome? Ou melhor ainda, eu poderia ligar e reservar um quarto para você.
Peach balançou a cabeça firmemente, sua expressão tornando-se adoravelmente rabugenta.
— Esse é o seu privilégio, Sr. Thee. Eu não posso simplesmente sair por aí jogando seu nome assim.
A carranca do chefe da máfia se aprofundou, claramente confuso. Eu ofereci, então por que ele não pode?
Cruzando os braços, tentou pensar no que mais poderia fazer. Ele queria compensar todo o problema pelo qual Peach havia passado, tanto por causa dele quanto de sua empresa.
— Que tal eu apenas te dar meu cartão de crédito em vez disso?
— Sr. Thee!
Theerakit deixou o condomínio parecendo muito mais alegre do que quando chegou. Mok, esperando lá embaixo, sentiu uma onda de alívio ao vê-lo. Parecia que a conversa lá em cima tinha sido melhor do que ele temia.
A princípio, ele estava preocupado. Conhecendo a... maneira única de pensar de seu chefe e como ele podia facilmente interpretar mal as situações, Mok estava tenso, especialmente quando Theerakit entrou furioso mais cedo como uma nuvem de trovão furiosa. Mok não pôde deixar de se preocupar com a segurança do fotógrafo deixado sozinho naquele quarto. Ele até tentara seguir seu chefe para dentro, apenas para receber um olhar afiado e uma ordem silenciosa para esperar no carro lá embaixo.
Quatro horas depois, a discussão lá em cima parecia ter terminado. Mok fechou a porta do passageiro depois que seu chefe se acomodou no assento, depois mudou-se para o lado do motorista. Enquanto o carro rodava pela viela estreita em direção à estrada principal, os pensamentos de Mok vagavam.
O condomínio estava em uma localização privilegiada, próximo à estrada principal e bem ao lado da linha do BTS. Para um lugar como esse, o preço não era exorbitante.
— Talvez eu deva comprar um novo apartamento.
O comentário casual pegou o jovem secretário de surpresa, deixando-o piscando em confusão. Anos de trabalho para seu chefe excêntrico o haviam ensinado a manter a compostura, então ele se conteve para não frear em choque.
— Devo cancelar a papelada do departamento de marketing, então? — Mok decidiu mudar para um tópico mais seguro, convencido de que o comentário de Theerakit não era para provocar uma resposta real. Além disso, ele não estava particularmente ansioso para descobrir o porquê de seu chefe estar, de repente, interessado em comprar outro condomínio.
No entanto, a resposta que obteve apenas aprofundou sua confusão.
— Não. Não cancele.
— Espere, sério? Então... você vai simplesmente deixar o Sr. Peach ir?
— Peach vai sair de férias. — disse Theerakit simplesmente, esticando as pernas e cruzando preguiçosamente uma sobre a outra. Ele recostou-se no banco com a graça preguiçosa de um grande felino se acomodando para uma soneca, embora este felino em particular parecesse mais um leão do que um gato doméstico. — Mas acho que é hora de fazermos algumas mudanças na empresa.
A voz de Thee era calma, mas carregava uma autoridade silenciosa. Um leve sorriso brincava nos cantos de seus lábios, mas seus olhos afiados ardiam com um brilho ameaçador. O ar no carro ficou mais pesado, fazendo seu secretário se mexer desconfortavelmente no assento. Mesmo quando um predador parecia descansar suas garras e permanecer em silêncio, sob seus cuidados, ele ainda era um predador.
— Vamos começar fechando o Estúdio A para reformas. — Continuou ele em tom casual. — Parece que precisaremos de um orçamento considerável para renová-lo também. Acho que isso significa que não haverá fundos disponíveis para apoiar sessões de fotos por enquanto.
Os lábios de Mok se curvaram em um pequeno sorriso cúmplice, seus olhos cintilando brevemente com entendimento silencioso.
FIM DO CAPÍTULO