CAPÍTULO 15
CAPÍTULO 15
Peach estava estirado na cama, com os braços e pernas esticados, olhando fixamente para o teto. Um vazio indescritível pesava em seu peito, deixando-o sentindo-se deslocado e exausto. A tempestade emocional de ontem havia diminuído, mas um peso persistente ainda se agarrava teimosamente ao seu peito, fazendo com que até o pensamento de se mover parecesse cansativo.
O contrato do projeto “All Seasons: One Word” tinha sido apenas um acordo verbal com Nuch, mas ele havia limpado toda a sua agenda de trabalho por três meses apenas para isso. Agora, com o projeto cancelado, ele não tinha absolutamente nada em sua agenda, uma realidade desconhecida e inquietante.
Ele poderia tentar reagendar trabalhos antigos ou aceitar novas tarefas, mas a simples ideia de trabalhar o abatia ainda mais. Com um longo suspiro de resignação, sua frustração derreteu em uma preguiça paralisante. Para ser honesto, ele não conseguia se lembrar da última vez que tinha estado genuinamente livre assim. Desde criança, trabalhava incansavelmente para sustentar a si mesmo e à irmã mais nova.
Talvez fazer uma pausa não fosse uma má ideia, afinal. Seus olhos vagaram para o calendário. Os espaços vazios o encaravam de volta, zombando dele. Ele se sentia perdido, como um carro forçado a frear bruscamente depois de correr rápido demais na estrada.
Pressionando os lábios, o olhar de Peach mudou para a estante contra a parede. Entre os livros de referência relacionados ao trabalho havia uma pilha de guias de viagem que Plub havia deixado para trás anos atrás.
Talvez... eu pudesse fazer uma viagem.
O pensamento trouxe uma leve sensação de alívio. Ele pegou o telefone e começou a procurar destinos em potencial, preferindo algum lugar relaxante e tranquilo. Não estava com disposição para nada aventureiro ou exigente, apenas uma escapada tranquila para limpar a mente.
A praia parecia perfeita.
Uma vez que Peach tomou sua decisão, começou a fazer as malas. Ele tirou roupas confortáveis que raramente usava e começou a planejar mentalmente sua viagem. Dirigir ao longo da costa com uma câmera na mão parecia a fuga de que precisava.
Ele tinha acabado de colocar o essencial na mala. Planejava pegar a estrada no dia seguinte quando, de repente, a campainha tocou.
Parando, ele saiu do quarto, franzindo a testa em confusão. Ele morava neste condomínio há anos e podia contar nos dedos de uma mão quantas vezes havia interagido com seus vizinhos, e mesmo assim, apenas de passagem com acenos educados. Quem diabos estaria tocando sua campainha agora?
Antes que pudesse entender, a campainha tocou novamente, desta vez com mais insistência. O som agudo o fez pular. Preocupado em perturbar os vizinhos, ele correu, praticamente correndo. Puxou a porta, esquecendo-se completamente de olhar pelo olho mágico.
A última pessoa que esperava ver era Thee, parado de forma imponente à porta, braços cruzados, com uma expressão sombria e inflexível.
— Sr. Thee? — Peach conseguiu suspirar, com a boca ligeiramente aberta. Antes que pudesse perguntar o que o homem estava fazendo ali, o chefe da máfia de rosto severo empurrou facilmente a porta, forçando sua estrutura larga para dentro.
Ainda atordoado, Peach só pôde olhar, congelado por um momento. Mas assim que viu Thee entrar em seu apartamento como se fosse o dono do lugar, a indignação explodiu.
— Sr. Thee, troque seus sapatos primeiro. — Deixou escapar Peach, sua voz carregando um toque de urgência. Ele estava com preguiça demais para esfregar o chão novamente se sujeira fosse trazida para dentro. Sem pensar, agarrou o braço de Thee, segurando-o com firmeza, sua mente inteiramente focada em encontrar um par de chinelos.
Thee olhou para a mão segurando seu braço, algo ilegível passando por seus olhos, embora sua expressão permanecesse neutra. Ele parou, silenciosamente divertido, embora sua voz permanecesse tão fria quanto sempre quando perguntou:
— Por que eu deveria?
— Seus sapatos estão sujos. Não vou limpar o chão de novo.
— Vou chamar um serviço de limpeza. — Thee permaneceu inexpressivo, já pegando o telefone como se falasse sério.
Peach então pegou um par velho de pantufas de sua irmã.
— Apenas troque seus sapatos, é só isso. Aqui, peguei os chinelos da minha irmã… — Peach parou, percebendo de repente que os chinelos eram rosa brilhante com um rabo de coelho fofo gigante na parte de trás.
Sua respiração parou ao olhar para Thee novamente, o coração pulando uma batida com o pensamento de fazê-lo usá-los. Sem perder o ritmo, jogou os chinelos para o outro lado da sala. Foi por pouco. Como se ele fosse deixar um chefe da máfia implacável usar aqueles chinelos. Isso certamente seria assinar sua própria sentença de morte.
— Apenas tire os sapatos, por favor. É muito mais fácil do que chamar um serviço de limpeza.
Theerakit hesitou, mas quando captou a expressão suplicante de Peach, suspirou e recuou, tirando os sapatos. Então, com o ar de quem era dono do lugar, caminhou para a sala de estar e se esparramou no sofá, colocando os pés na mesa de centro como se fosse seu lounge pessoal.
Discutir era inútil, então Peach correu para buscar um copo d’água, praticamente no piloto automático, e o colocou na frente de seu convidado importante.
— Por que você não me ligou?
A pergunta abrupta o congelou. No entanto, ele estava se acostumando com os interrogatórios aleatórios de Thee, então não deixou transparecer. Silenciosamente, colocou o copo na mesa antes de afundar na cadeira à frente dele.
— Eu não tinha motivo para ligar. — respondeu com um leve sorriso, baixando o olhar. — Eu não sabia o que diria.
O medo persistente daquele dia ainda se agarrava a ele.
Thee o estudou silenciosamente. Sua expressão era ilegível, menos fria e autoritária do que o habitual, quase... contida. Até sua voz estava mais baixa quando falou novamente.
— Por que você abandonou o projeto?
— Eu não desisti. A equipe me disse que não precisava mais de mim. O que mais eu deveria fazer? — Peach disse com um encolher de ombros, embora o aperto em seu peito tenha voltado. — Se você está preocupado com Aran, não fique. Parece que vocês estão lidando bem com as coisas sem mim. Podem continuar... Vou até te mandar o número dele.
— Não estou preocupado com Aran. Estou preocupado com você.
Peach congelou, levantando a cabeça para encarar o homem à sua frente em descrença. O rosto de Thee permaneceu ilegível, calmo como sempre, como se não tivesse acabado de soltar uma bomba. Seu tom era firme, inabalável, não havia suavidade em seu olhar, mas a intensidade carregava algo mais forte: determinação inabalável.
— Você não é do tipo que desiste facilmente. Aquele projeto era seu. Por que você não lutou por ele?
— Eu não podia... Eu não podia fazer nada. — A voz de Peach vacilou, falhando sob o peso das emoções que ele reprimiu por tanto tempo. Raiva não resolvida, ressentimento não abordado. Tudo esmagava seu peito, tornando difícil respirar. — Se eu tivesse revidado, Plub teria sido quem sofreria. Eles têm conexões... poder. Eu não podia deixar minha irmã se machucar por minha causa. Mas estou com tanta raiva, tão furioso que nem consigo pensar direito, mas eu era impotente.
— Então por que você não me ligou?
A mesma pergunta, novamente.
Peach paralisou, seus pensamentos dançando em torno de uma possibilidade que ele poderia ter entendido mal o tempo todo. Ele tinha assumido que Thee estava apenas bravo por não ter sido mantido informado sobre Aran, como sempre. Mas agora... parecia que o significado era mais profundo.
Era possível... acreditar que alguém realmente queria protegê-lo?
— Eu poderia... realmente ter te ligado? — Peach perguntou baixinho, sua voz distante. Desde que o Sr. Thee lhe dera aquele número, ele nunca considerou usá-lo, exceto para atender quando Thee ligava, exigindo atualizações ou emitindo ordens. Afinal, ele era um chefe da máfia. Como Peach poderia ter pensado que tinha o direito de pedir qualquer coisa?
— Há centenas, milhares de pessoas que matariam para ter meu número. — disse Theerakit, seu tom pingando arrogância. — Mas você? Você o tem esse tempo todo... o que significa que eu te dei permissão para me ligar.
Peach piscou, a mente girando. Um aperto se instalou em seu peito, emoções emaranhadas em um nó impossível.
— Se eu tivesse ligado... você teria me ajudado?
— Por que eu não te ajudaria? Você é meu. Ninguém mexe com o que é meu.
Peach congelou. O olhar de Thee permaneceu firme, inabalável, como se o desafiasse a questionar sua sinceridade. Sua voz carregava uma gravidade que parecia quase tangível, enraizando Peach no lugar. Não havia engano, apenas convicção resoluta, como uma árvore solitária permanecendo firme no coração de um oceano revolto.
— Eu... eu poderia realmente te ligar? Se eu ligasse, você realmente me ajudaria? Eu não teria que lutar sozinho mais? Eu não teria que ter medo das conexões daquele bastardo... Eu não teria que simplesmente aceitar?
Thee cruzou os braços e endireitou os ombros com um ar de superioridade, como se dissesse: Qual parte disso você não entendeu?
— Você é meu. Essa conexão não é suficiente? — Seus lábios se curvaram em um sorriso confiante, irradiando autoridade como se pudesse comandar o mundo com um simples estalar de dedos. — Mesmo que o céu caia, eu te ajudarei a carregá-lo, ou farei meus homens fazerem isso.
Suas palavras, tão tipicamente mafiosas, atingiram mais forte do que qualquer voto de proteção. As emoções que Peach lutara tão desesperadamente para suprimir surgiram, transbordando como espuma de cerveja de um copo cheio demais. Ele não conseguia falar, não conseguia desviar o olhar dos olhos resolutos de Thee. Seu peito arfou e, antes que percebesse, lágrimas quentes escorriam por suas bochechas.
Thee ficou rígido, surpreso, endireitando-se instintivamente. Suas sobrancelhas grossas franziram em frustração; estava claro que ele não estava acostumado a lidar com algo assim. Mas, no final, ele simplesmente ficou onde estava, deixando Peach chorar até que cada traço de angústia desaparecesse com suas lágrimas.
Fosse um truque de sua visão embaçada ou algo mais, Peach achou ter visto uma suavidade naqueles olhos cinza-fumaça familiares, uma ternura rara, escondida atrás de sua dureza habitual. Fosse o que fosse, pela primeira vez em muito tempo, Peach sentiu que estava em terra firme.
Depois de chorar copiosamente na frente de alguém pela primeira vez em sua vida, um colapso emocional que durou quinze minutos inteiros, Peach finalmente conseguiu se recompor. Murmurou um pedido de desculpas pela explosão e pediu licença para ir ao banheiro se limpar.
Thee não o abraçou, não tentou confortá-lo, não disse para ele parar de chorar. Ele simplesmente sentou lá, observando atentamente e esperando pacientemente, dando a Peach o espaço para liberar cada emoção reprimida que carregava. Estranhamente, aquele apoio silencioso o fez se sentir... melhor.
Peach enxugou o rosto manchado de lágrimas com uma toalha e voltou para a sala, apenas para encontrar o sofá vazio. Thee não estava em lugar nenhum. Franzindo a testa, olhou ao redor. Seu apartamento não era exatamente espaçoso; não havia muitos lugares para um chefe da máfia ir.
Assim que chegou ao quarto, viu Thee parado na porta, sua figura larga tensa, a expressão escura e tempestuosa. A presença calma e firme de antes havia desaparecido, agora, ele irradiava pura fúria, como uma tempestade se aproximando.
Que diabos agora?
— O que está acontecendo? — Peach perguntou cautelosamente, escolhendo as palavras com cuidado, apesar da confusão girando em sua mente.
Theerakit virou-se bruscamente, os olhos em chamas enquanto apontava um dedo trêmulo para algo dentro do quarto.
— Me diga, que diabos é isso? Você estava planejando fugir? Deixe-me deixar uma coisa bem clara: com a influência da família Arseny, você poderia voar para o outro lado do maldito planeta, e eu ainda te encontraria.
Peach piscou, perplexo, antes de se inclinar para ver o que havia desencadeado tamanha indignação. Seu olhar pousou em sua mala semiaberta e na pilha de roupas espalhadas pela cama. A compreensão surgiu instantaneamente.
— Eu não estava planejando fugir.
— Você não me ligou, mas seu primeiro pensamento foi fugir? Lembre-se disto: a única maneira de escapar de mim... é através da morte!
O jovem fotógrafo virou-se, fazendo um esforço monumental para não revirar os olhos. Ele vasculhou o cérebro, tentando lembrar se havia alguma novela popular no ar ultimamente que pudesse ter plantado outra ideia dramática na cabeça de Thee. Fez uma anotação mental para dizer a Mok para escolher programas melhores para o Sr. Thee, com enredos menos exagerados.
— Sr. Thee, acalme-se. Relaxe, ok? — Peach estendeu a mão e agarrou a mão larga de Thee, dando um aperto firme para garantir que tinha sua atenção. — Eu não estou fugindo. Não estou empacotando minhas coisas e me mudando nem nada disso. Só vou fazer uma viagem.
O chefe da máfia olhou para a mão esbelta segurando a dele. Instantaneamente, o ar ao redor dele pareceu clarear, a tensão sufocante se dissipando o suficiente para ele finalmente respirar corretamente de novo. Ele soltou um suspiro, prestes a puxar a mão, mas Thee a segurou com força em vez disso. Seus dedos traçaram preguiçosamente círculos nas costas da mão de Peach, como se ele estivesse gostando um pouco demais.
— Para onde você vai? Vou comprar um avião para você para que sua viagem seja muito mais fácil, vá e volte rápido.
Se controle, Sr. Thee!
FIM DO CAPÍTULO