CAPÍTULO 14
CAPÍTULO 14
Peach agarrou o braço de sua irmã com firmeza, plenamente consciente do quão teimosa Plub poderia ser. As chances de ela se levantar e causar uma cena eram extremamente altas, mas ele não podia deixar isso acontecer. Wivit era um mestre em manter as aparências, e se Plub perdesse a calma, ela seria a única a levar a culpa imediatamente.
— Nuch não contratou Peach até o final do projeto? — Um dos membros da equipe interrompeu, franzindo a testa em confusão. Eles haviam trabalhado com Peach várias vezes antes e achavam suas habilidades e atenção aos detalhes impecáveis. A ideia de substituí-lo nunca havia passado por suas cabeças.
— Nuch assinou um contrato apenas para a coleção de outono. — respondeu Wivit calmamente, exibindo seu largo sorriso característico. — O resto do projeto foi apenas um acordo verbal. Pensei que isso nos pouparia o trabalho de redigir novos documentos. Além disso, é mais econômico para a equipe se contratarmos um fotógrafo interno em tempo integral.
Ele deu um leve tapinha no ombro de Trend antes de passar o braço em volta dos ombros do jovem de uma maneira excessivamente familiar.
— Além disso, embora Trend pode não ter tanta experiência quanto Peach. — Continuou ele, seu tom pingando doçura condescendente. — Mas sua perspectiva e entusiasmo como parte da nova geração devem compensar isso. Eu agradeceria se todos dessem a ele uma chance justa antes de tirar conclusões precipitadas.
Pausando para efeito, Wivit fixou seu olhar em Peach, sua expressão meticulosamente polida, suave e profissional, mas transbordando de desafio silencioso.
— O Sr. Peachayarat é um fotógrafo conhecido com uma agenda lotada. — Acrescentou Wivit, suas palavras enganosamente gentis. — Tenho certeza de que é inconveniente para ele ser chamado o tempo todo. Afastar-se para deixar novos talentos assumirem este projeto não seria um fardo tão grande, seria?
Peach pressionou os lábios e estreitou os olhos ligeiramente. Mas, em uma fração de segundo, mascarou sua irritação com um sorriso calmo e casual, como se nada daquilo o tivesse perturbado nem um pouco.
— Não tenho problema nenhum. Fico feliz em apoiar novos talentos. — disse Peach suavemente. — Mas se você precisar de uma mão, sabe que estarei sempre aqui, tudo o que você precisa fazer é pedir, Sr. Wivit.
O sorriso do novo líder da equipe vacilou ligeiramente, seus olhos endurecendo por apenas uma fração de segundo antes de suavizar novamente. Não estrague isso... ou você está acabado.
Embora a reunião tivesse terminado oficialmente, aos olhos de Plub, tinha sido tudo menos pacífica. Se seu irmão não a tivesse segurado, ela já teria feito algo a respeito.
Ela o seguiu até o estacionamento, abaixando o telefone após uma ligação frustrante com sua ex-líder de equipe, agora dona de casa.
— Nuch disse que aquele bastardo já enviou a lista da equipe para a alta gerência. Ela só descobriu quando ele gritou pouco antes da reunião desta manhã. Ninguém conseguiu consertar a tempo.
Peach gentilmente deu um tapinha na cabeça dela, como se acalmasse um gato sibilando com o pelo eriçado. Ele sabia que Nuch tinha boas intenções. Originalmente, ela havia redigido um contrato cobrindo apenas a coleção de outono, esperando que, se o trabalho ficasse excelente, ela pudesse negociar uma taxa melhor para ele na próxima vez. Ninguém esperava que Wivit usasse isso como uma brecha.
Peach sabia exatamente o que Wivit queria, fazê-lo rastejar de volta, implorando pelo emprego. Mas Peach não estava tão desesperado. Ele não precisava de um emprego desesperadamente a ponto de se humilhar diante de alguém assim.
Ainda assim, uma pontada de arrependimento torceu em seu peito. O projeto que ele trabalhou tanto para construir do zero... se foi. Ele cerrou a mandíbula, a frustração fervendo sob sua pele, suprimida sem ter para onde ir.
— Vou falar com o chefe do departamento. — declarou Plub, determinação brilhando em seus olhos.
— Nem pense nisso, Plub. Deixa para lá. Fique longe desse cara.
Ele passou um braço em volta dos ombros dela e a guiou gentilmente até um banco próximo. Ajoelhando-se na frente dela, Peach pegou sua mão e a apertou gentilmente.
— Não desista, Peach. — implorou Plub. — Podemos não ter as conexões para lutar contra ele, mas não vou desistir tão facilmente.
— Plub, isso não é sobre ganhar ou perder. Aquele bastardo é um cachorro raivoso, e ele não vai parar de vir atrás de mim, não importa o quê. Mesmo sem esse trabalho, tenho muito trabalho pela frente. Você sabe disso.
Ele tentou manter a voz o mais firme possível. Podia ver o quão zangada ela estava, ele sentia o mesmo, mas não podia deixar essa bagunça arrastá-la para baixo também.
— Fique fora disso, Plub. Se ele me odeia, deixe-o vir atrás de mim sozinho. Se você tentar lutar contra ele, tenho medo que ele venha atrás de você também. Você é minha irmã... e eu já te causei problemas demais.
— Você é meu irmão também. — respondeu ela, a voz trêmula. — Por que eu deveria apenas ficar parada e ver alguém te machucar?
Lágrimas transbordaram e escorreram por suas bochechas. Ela estava furiosa com Wivit pelo que ele tinha feito e com ela mesma por não ser capaz de consertar.
Peach a puxou para um abraço apertado, pressionando o rosto dela gentilmente contra seu ombro enquanto passava os dedos por seu cabelo macio. Vê-la chorar fazia seu peito doer. Sempre foram apenas os dois contra o mundo, e agora ele tinha feito sua amada irmã chorar.
— Shhh... está tudo bem agora. — murmurou ele suavemente. — Não chore, querida. Se você chorar demais, seus olhos ficarão inchados... o que seu irmão fará se sua linda irmã não estiver tão bonita?
Ele a embalou gentilmente, acalmando-a como uma criança.
— Por que, Peach? Só porque não temos conexões como ele... é por isso que ele tem que te tratar desse jeito? — Sua voz quebrou. — O que você fez para ele? Por que ele simplesmente não te deixa em paz?
Peach não respondeu. Ele simplesmente depositou um beijo terno no topo da cabeça dela e continuou esfregando suas costas e ombros até que ela parasse de tremer. Quando ela finalmente pareceu calma o suficiente, ele gentilmente enxugou as lágrimas persistentes com a ponta dos dedos.
Plub conseguiu um sorriso pequeno e trêmulo antes de voltar para dentro. Peach ficou para trás, observando-a desaparecer na multidão antes de entrar no carro.
Peach encostou a cabeça no volante e soltou um suspiro longo e cansado. Seu peito parecia tão apertado e pesado quanto o de Plub devia estar. Mas como irmão mais velho dela, ele só podia forçar um sorriso e fingir que estava tudo bem.
Seu olhar vagou em direção ao telefone. Quando Plub mencionou “conexões”, sua mente involuntariamente recordou aquele homem, o herdeiro da máfia. Desde seu último encontro tenso, fosse o que fosse aquilo, não houvera uma única ligação ou mensagem do outro lado. Peach queria manter alguma distância, sentindo que talvez já tivesse cruzado linhas demais.
Pedir ajuda agora parecia... impensável.
Ele exalou bruscamente, tentando afastar esse pensamento. Ele não mentiu para Plub, Peachyarat era um dos melhores fotógrafos do país. Sua agenda estava lotada, provavelmente até o ano que vem. Ele não precisava se agarrar a nada ligado ao nome de Wivit.
Mas mesmo sabendo disso, a amargura ainda fervilhava sob sua pele, suprimida sem saída à vista.
…
Mok desempenhava o duplo papel de secretário pessoal e guarda-costas do presidente da Arseny Corporation, uma responsabilidade confiada a ele pelo próprio patriarca da família. Desde a infância, ele fora treinado para seguir e proteger o filho mais velho da família Arseny.
Além dos documentos relacionados ao conglomerado familiar russo que Theerakit tinha que comandar, havia também arquivos da empresa de fragrâncias na Tailândia, que Thee construiu do zero. Isso tornava a carga de trabalho de Theerakit muito mais pesada do que a de um presidente corporativo médio.
Normalmente, Mok organizava a papelada em quatro categorias principais:
1. Documentos não urgentes e não importantes.
2. Documentos urgentes.
3. Documentos importantes.
4. Documentos que eram tanto urgentes quanto importantes.
Na última semana, ele decidira mover o arquivo do projeto “All Seasons: One Word” para a categoria “importante”. A maioria dos guarda-costas, desconhecendo os detalhes mais refinados, presumiu que Mok havia movido o arquivo porque o último caso do presidente era um jovem modelo bonito.
Mas só ele sabia a verdade. Não era por causa do modelo; por que o novo brinquedo do presidente importaria, afinal? A verdadeira razão pela qual ele moveu o arquivo foi por causa de um certo fotógrafo cujo status em sua mente não era claro.
Naquele dia, novos documentos foram entregues. Mok abriu rapidamente o arquivo e notou o título do projeto, que ele já havia classificado como “Importante”. Ele decidiu lê-lo primeiro, seus olhos percorrendo as páginas enquanto uma leve carranca puxava sua testa.
Ele havia feito sua própria pesquisa sobre Peach e sabia exatamente quem era a ex-líder de equipe do fotógrafo. Ele também sabia que a renúncia dela havia entrado em vigor oficialmente ontem. Isso significava que a líder de equipe anterior, Sra. Nuch, só havia terminado seu trabalho há um dia.
No entanto, em suas mãos, ele segurava uma nova lista de equipe para o projeto, datada de dois dias antes. De alguma forma, o arquivo havia circulado pelos canais corporativos usuais, chegando à mesa do presidente muito mais rápido do que o normal.
Rápido demais para ter sido formalmente redigido. Rápido demais para que o documento tivesse sido submetido por meio de procedimentos oficiais, especialmente porque a assinatura da ex-líder de equipe estava visivelmente ausente.
Mok deixou de lado suas suspeitas crescentes e leu o arquivo com mais atenção. Ele virou para a última página, onde finalmente viu o que estava errado.
O nome do fotógrafo não estava em lugar nenhum.
Tendo servido ao presidente por tempo suficiente, Mok reclassificou imediatamente o arquivo como “Urgente e Importante” e até recuperou documentos relacionados anteriores para referência cruzada. Depois de organizar os papéis e deslizar a lista atualizada da equipe para o fundo da pilha, ele caminhou em direção ao escritório executivo e bateu firmemente na porta, solicitando permissão para entrar.
Theerakit estava sentado atrás de sua enorme mesa, vários gráficos de ações piscando na tela à sua frente. Um iPad cheio de documentos descansava ao lado dele, junto com uma grande pilha de arquivos impressos.
A atmosfera na sala era tensa, deixando claro que nenhuma pessoa sã se aproximaria voluntariamente.
No entanto, apesar da pesada carga de trabalho, o presidente do Grupo Arseny estava olhando fixamente para seu telefone, sua carranca profunda mostrando intensa concentração. O ar ao seu redor parecia opressivo, como se ele estivesse prestes a fechar um negócio de bilhões de dólares.
Mok não pôde deixar de balançar a cabeça levemente, não surpreso com a cena. Desde que relatara na noite anterior que havia deixado Peach em segurança, até mesmo inserindo as últimas palavras que Peach deixara para ele transmitir, seu chefe ficou assustadoramente silencioso. Desde então, Thee estava grudado no telefone, alternando entre olhar furtivamente para a tela e pegá-lo, apenas para colocá-lo de volta como se travasse uma batalha interna.
Mok nunca vira seu chefe assim antes, embora estranhamente, não parecesse tão fora de lugar agora.
— Sr. Thee, documentos urgentes para sua aprovação. — anunciou o secretário, dando um passo à frente para colocar os papéis na mesa, completamente imperturbável pela aura sufocante de seu empregador.
Thee murmurou em reconhecimento sem olhar para cima, poupando apenas um olhar fugaz antes de retornar sua atenção ao telefone como se ele guardasse os segredos do universo.
Pelo amor de Deus, se você quer ligar, apenas ligue logo. Mok pensou com leve exasperação. Por mais que estivesse tentado a deixar seu chefe cozinhar em sua própria bagunça por um tempo, o assunto em questão não podia esperar. Se Thee descobrisse mais tarde, acabaria culpando Mok pelo atraso.
— Chefe, esses documentos realmente precisam de sua atenção urgente. — Pressionou ele com firmeza.
Thee lançou-lhe um olhar agudo, ligeiramente irritado, antes de relutantemente desviar o foco de seu telefone para a pilha de documentos. Mok ainda tinha a lista antiga da equipe do projeto em mãos, esperando silenciosamente que Thee notasse que algo estava errado e pedisse o arquivo anterior ele mesmo. Se ele ignorasse a inconsistência e assinasse a aprovação cegamente, Mok teria que trazer o assunto à tona de qualquer maneira.
Mok, que já estava inclinado ligeiramente para o lado do fotógrafo em seu coração, combinado com os humores imprevisíveis de seu chefe, chegou a uma conclusão sólida: Se Thee não notasse o problema, ele teria que falar pelo bem de sua própria sobrevivência.
O jovem secretário permaneceu em silêncio, observando enquanto seu chefe revisava a pilha de documentos com eficiência praticada. As habilidades analíticas afiadas e a natureza decisiva de Thee permitiam que ele resolvesse problemas na velocidade da luz. Tudo estava indo bem até que ele chegou ao último arquivo da pilha.
Sua testa já franzida se aprofundou, e sua mão parou no meio da virada. Seus dedos traçaram os nomes listados no documento pela terceira vez, movendo-se mais rápido a cada passagem.
— Onde está o nome do Peach?
Mok suprimiu um sorriso de satisfação. Parecia que a importância do fotógrafo acabara de subir de nível novamente.
— O novo líder do projeto solicitou uma substituição. — respondeu Mok uniformemente, repetindo a linha exata do documento. — Eles propuseram usar o fotógrafo interno da empresa para cortar custos. — Sua voz era calma e desapegada, desprovida de qualquer emoção.
— Eu não aprovo isso! — A voz de Thee caiu perigosamente, um rosnado baixo que poderia congelar o sangue. — Aquele fotógrafo não pode simplesmente abandonar um projeto pelo qual é responsável. — Apesar da intensidade de seu tom frio e exigente, Mok nem piscou. Ele já passou por isso inúmeras vezes e já estava completamente dessensibilizado.
— Tenho certeza de que Peach não abandonaria seu trabalho. Eu verifiquei a agenda dele pessoalmente. Ele está livre pelos próximos três meses, ele limpou especificamente a agenda dele para este projeto. — afirmou Mok com firmeza. Ele havia verificado pessoalmente a disponibilidade do fotógrafo quando pesquisou seus antecedentes anteriormente.
A sala pulsava com uma tensão opressiva, o tipo que faria os joelhos da maioria das pessoas cederem de medo. Mas Mok, calejado por anos navegando pelos humores voláteis de seu chefe, permaneceu imperturbável.
— Quem sugeriu a mudança?
— O nome do novo líder da equipe é Wivit, senhor. O chefe de marketing já aprovou. Tudo o que falta é a sua assinatura para finalizar o documento.
— Congele todos os documentos do departamento de marketing. Diga ao chefe de departamento para me escrever uma explicação detalhada. — cuspiu Theerakit, sua voz afiada e implacável. Ele se levantou abruptamente, seus passos longos levando-o em direção à porta enquanto falava ordens para que o carro estivesse pronto.
Mok balançou a cabeça, meio divertido. Ainda bem que ele guardou aquele arquivo para o final. Ele imaginou que seu chefe não ficaria sentado e deixaria isso passar.
Talvez fosse hora de começar a redigir um aviso de recrutamento para o departamento de marketing, eles poderiam estar precisando de algumas novas contratações em breve.
FIM DO CAPÍTULO