CAPÍTULO 12
CAPÍTULO 12
Peach estava inquieto demais para dormir naquela noite, não de excitação, mas de pura ansiedade que fazia sua cabeça latejar.
Depois da festa, ele ficou ao lado de Plub, garantindo que sua irmãzinha não ficasse muito bêbada, sem mencionar uma única palavra sobre sua conversa com Nuch. Por volta das 23h, ele a cutucou gentilmente e sugeriu que fossem para casa. Plub, sempre tão despreocupada, acenou adeus e saiu sem fazer alarde.
Embora vivessem em condomínios separados, Plub havia escolhido um mais perto de seu escritório para evitar o trânsito infame da cidade, enquanto Peach preferia um lugar perto da estação BTS para flexibilidade em seu trabalho freelance. Apesar de morarem separados, eles tinham as chaves e cartões de acesso um do outro, em caso de emergência.
Depois de estacionar o carro sob o prédio dela, ele subiu com Plub até a unidade dela, certificou-se de que ela entrara em segurança e devolveu as chaves. Com um adeus final, desceu de volta, pronto para chamar um táxi para casa.
Mas no momento em que seu pé tocou o último degrau fora da entrada do condomínio, um carro preto elegante parou suavemente bem na frente dele.
Peach piscou, congelado por um segundo, antes de instintivamente dar três ou quatro grandes passos para trás, o coração batendo forte de suspeita. Seria algum tipo de esquadrão da máfia enviado para eliminá-lo depois do que aconteceu?
Bem nessa hora, a janela do lado do motorista abaixou, revelando um rosto familiar com um sorriso largo e amigável.
— Sr. Mok? — Peach cumprimentou o secretário que encontrou mais cedo naquela noite, ainda confuso. Então se deu conta, Mok trabalhava para aquele chefe da máfia, Arseny. Peach deu outros dois passos gigantes para trás sem pensar, fazendo Mok rir divertido, apesar de si mesmo.
Ele não conseguia decidir se elogiava Peach por seus reflexos impressionantes ou se ficava exasperado por seu chefe ter assustado tanto o pobre fotógrafo que ele estava pronto para fugir na hora.
— Boa noite, Sr. Peach. Voltando para o seu condomínio? — O jovem secretário ofereceu um sorriso pequeno e desarmante, esperando aliviar a tensão irradiada pelo fotógrafo.
Os ombros de Peach relaxaram ligeiramente, embora a suspeita ainda nublasse seus olhos.
— Sim... Você está apenas passando?
Ele perguntou cautelosamente, orando silenciosamente para que Mok dissesse que era coincidência, apenas um cumprimento amigável. Pena que o sorriso do secretário se alargou, e suas próximas palavras atingiram como um soco no estômago.
— Não, senhor. Meu chefe me mandou buscá-lo.
Peach empalideceu em um instante, sentindo-se tonto. Ele já podia se imaginar sendo arrastado para aquele carro preto elegante se não se movesse agora. O pensamento enviou uma nova onda de pânico através dele. Ele inalou bruscamente, forçando-se a permanecer consciente. Desmaiar não era uma opção.
— Por que ele está me procurando? Ele ainda está bravo com o que aconteceu mais cedo? — Peach disparou as perguntas, sua voz ficando mais frenética a cada segundo. — Sr. Mok, por favor, me deixe ir! Juro que não chegarei perto dele nunca mais!
Mok observou a ansiedade crescente de Peach e não pôde deixar de suspirar internamente. Ele rapidamente levantou as duas mãos em um gesto não ameaçador. Graças a Deus ele tinha vindo pessoalmente em vez de enviar outra pessoa, dane-se o pagamento de horas extras. Se isso ficasse mais confuso, ele estaria em sérios apuros.
— Por favor, acalme-se, Sr. Peach. Não estou aqui para machucá-lo. — disse Mok apressadamente, sua voz suave, mas firme. Vendo que Peach estava praticamente pronto para correr, ele fez o possível para encolher sua estrutura larga, tentando parecer o mais inofensivo possível.
— Por favor, não corra. Se você correr, estou morto. Estou implorando, não torne isso mais difícil para mim.
Peach olhou para o guarda-costas imponente, que agora parecia meio desesperado, meio suplicante. Ele não pôde deixar de soltar um suspiro pequeno e cansado. De volta ao trabalho.
Mok era sempre tão rígido e formal perto do Sr. Thee. Peach nunca imaginou que o cara pudesse ser... bem, assim. Ainda assim, o apelo exagerado funcionou, acalmou-o, mesmo que apenas um pouco.
O sorriso de Peach suavizou ligeiramente. Ele cautelosamente se aproximou do carro, mas não baixou a guarda completamente.
— Então... por que exatamente seu chefe mandou você me buscar?
— Ele estava preocupado com você indo para casa sozinho tão tarde. — respondeu Mok suavemente, sua expressão séria enquanto trabalhava para ganhar pontos para seu chefe. Cada palavra que saía de sua boca tinha sido cuidadosamente “revisada” da ordem original que recebera. — Ele me pediu para levá-lo para casa e também enviou este creme para hematomas como um pedido de desculpas.
Peach levantou uma sobrancelha, seus lábios se curvando em um sorriso ligeiramente mais largo. Claro, ele não acreditou em uma palavra daquilo. Preocupado? Isso é incrível. Pedindo desculpas? Não nesta vida. De jeito nenhum.
No entanto, ele não apontou as mentiras óbvias de Mok. Em vez disso, simplesmente sorriu fracamente, já calculando quanto dinheiro economizaria na tarifa do táxi. Como O Chefe não estava no carro, parecia seguro o suficiente... por enquanto. Com isso, abriu a porta do passageiro e deslizou para o assento sem mais alarde.
O silêncio dentro do carro era ensurdecedor, quebrado apenas pelo zumbido constante do ar condicionado. Peach sentou-se rigidamente, pressionado contra a porta como se estivesse pronto para abri-la ao primeiro sinal de problema. Enquanto isso, o jovem secretário debatia trancar as portas, mas se preocupava que isso pudesse assustar Peach. A última coisa que ele precisava era que o fotógrafo entrasse em pânico e pensasse que estava sendo sequestrado. Então, contentou-se em dirigir o mais cuidadosamente possível, mantendo uma velocidade moderada o caminho todo.
Quando o carro finalmente parou no meio-fio em frente ao condomínio de Peach, ele praticamente pulou para fora, ansioso para escapar. Mas assim que estava prestes a fechar a porta, algo puxou sua consciência. Ele hesitou, depois voltou-se para inclinar a cabeça educadamente em agradecimento.
Antes que Peach pudesse sair, Mok enfiou a mão no console e puxou um tubo caro de creme para hematomas, entregando-o com um sorriso tímido.
Peach hesitou, tentado a recusar, mas a expressão de Mok era tão sinceramente apologética que ele suspirou internamente e aceitou.
— Eu sei que exagerei um pouco sobre meu chefe. — Admitiu Mok com um sorriso pesaroso, claramente ciente de que sua história anterior havia sido fortemente embelezada. Ele só queria ajudar a ganhar alguns pontos. Mas imaginou que a pessoa ouvindo isso fosse inteligente demais para cair nessa. Honestidade assim era difícil de encontrar. — Mas é verdade que o Sr. Thee me disse para garantir que você chegasse em casa em segurança. — Acrescentou Mok seriamente. — E a parte sobre pegar o creme para hematomas... essa foi ordem dele também.
Peach baixou o olhar, seus pensamentos girando em um turbilhão caótico. Ele sempre pensou que aquele chefe da máfia intimidador não poderia possivelmente se importar com alguém como ele, alguém pequeno e insignificante. Thee parecia o tipo de homem de quem seria sábio ficar longe a todo custo.
Mas aquele olhar preocupado que Thee tentou esconder antes... Peach tinha notado. Ele não estava cego para isso.
— O Sr. Thee pode parecer assustador, mas não é uma pessoa ruim.
Peach levantou lentamente a cabeça, seus lábios se curvando em um leve sorriso. Não era tão brilhante quanto antes, mas o peso em seus olhos havia diminuído ligeiramente. Agora, ele tinha uma resposta, apenas para si mesmo.
— Eu não o odeio. — disse Peach com um encolher de ombros, seus ombros finalmente relaxando. — Mas se você está perguntando se tenho medo dele... sim, eu tenho. Só nos envolvemos por causa da situação do Aran. Pelo que posso dizer, as coisas parecem resolvidas agora. Não há razão para nos encontrarmos novamente.
Ele deu a Mok um aceno educado, uma despedida silenciosa, antes de se virar e voltar para seu apartamento. Mesmo tendo dormido a maior parte do dia, no momento em que fechou a porta, uma onda avassaladora de exaustão o atingiu. Talvez fosse o grande número de surpresas estressantes que enfrentara hoje, ou o quão tenso estivera o tempo todo. Seu corpo estava finalmente exigindo descanso.
Ele sentou pesadamente na beirada da cama, soltando um suspiro longo e cansado. As palavras de Mok ainda ecoavam fracamente em sua mente. E de vez em quando, ele não conseguia deixar de imaginar aquele homem alto e de rosto severo, com seus olhos penetrantes, tão intensos, tão intimidadores.
Não importava quantas vezes se encontrassem, Thee sempre seria aterrorizante. Demais, intenso demais, tudo demais.
Mas... ao mesmo tempo, Peach não podia negar que Thee havia amolecido em relação a ele mais do que ele jamais esperava. Amolecido o suficiente para Peach baixar momentaneamente a guarda... o suficiente para se perguntar se eles poderiam algum dia ser amigos.
Não seja ridículo. Uma fera perigosa nunca poderia ser amiga de um coelho tímido e indefeso.
Afastando o emaranhado de pensamentos, Peach levantou-se e foi para o chuveiro. Depois de vestir uma camiseta velha e larga e um par de shorts confortáveis, finalmente desabou na cama. Seus olhos vagaram em direção ao pequeno tubo de creme para hematomas em sua mesa de cabeceira... e demoraram lá mais tempo do que planejou.
O creme para hematomas era de uma marca premium, não excessivamente caro, mas definitivamente mais caro do que o que você encontraria em uma farmácia comum. Peach rolou o tubo entre os dedos, depois finalmente espremeu um pouco no pulso. Ele massageou suavemente o creme frio e calmante em sua pele até que desaparecesse.
Satisfeito, ele sorriu para o tubo. Tudo bem, vou usar... mas isso não significa que eu o perdoei.
O pensamento o fez rir. Ele sabia muito bem que Thee não se importaria se ele ainda estava bravo ou não. E honestamente, sua decisão de manter alguma distância não era sobre guardar rancor.
Com isso resolvido em sua mente, Peach se enrolou no cobertor, esperando por uma boa noite de sono.
Mas as palavras de sua ex-chefe, severas e cheias de avisos, continuavam ecoando implacavelmente em sua cabeça. Ele passou a noite se revirando, entrando e saindo de um sono inquieto. De manhã, finalmente se arrastou para fora da cama, grogue e desgrenhado, seu cabelo uma bagunça sem esperança. Sua cabeça doía, forçando-o a esfregar as têmporas com uma careta.
Pegando o telefone, fez um pedido rápido de café na cafeteria lá embaixo, depois cambaleou em direção ao banheiro para se refrescar. Após uma verificação final de suas coisas, trancou o apartamento e desceu para pegar sua bebida antes de ir direto para o escritório do Grupo Arseny.
Uma vez que estacionou e entrou, pegou o elevador para um andar familiar. Ele havia trabalhado em vários projetos com sua antiga líder de equipe, Nuch, e eles sempre usavam a mesma sala de reuniões. Nuch gerenciava quatro subequipes e frequentemente lidava com dois grandes projetos ao mesmo tempo, o que significava que Peach havia passado inúmeras horas lá. A essa altura, a maioria dos funcionários o reconhecia de vista.
Peach empurrou a porta da sala de reuniões e viu apenas algumas pessoas lá dentro. Aliviado, encontrou rapidamente um assento ao lado de sua irmã mais nova, Plub. Vendo-o entrar apenas com um copo de café, ela suspirou dramaticamente e vasculhou sua bolsa.
Quase uma hora se passou antes que a porta finalmente se abrisse, revelando Nuch, que parecia decididamente descontente. Peach não ficou surpreso. Nuch nunca se atrasava. Algo devia ter atrapalhado sua agenda e, conhecendo-a, ela provavelmente ainda estava chateada com isso.
A reunião começou com uma rápida atualização do projeto. Parecia que a coleção de outono estava quase completa, restava apenas a fase final de edição para os materiais promocionais. Nuch assentiu satisfeita, feliz que tudo estivesse progredindo conforme o cronograma.
Então, ela se endireitou, sua expressão mudando para algo mais sério, até um pouco inquieto. Finalmente, falou sobre o último item da pauta.
— Hoje será meu último dia trabalhando aqui. — Sua voz era firme, embora houvesse um sorriso levemente agridoce em seus lábios. — Quero dizer o quanto estou orgulhosa de cada um de vocês. Eu gerenciei quatro subequipes, e esta equipe sempre entregou os melhores resultados. Cada. Vez. Estou muito orgulhosa de nós.
Alguns membros da equipe enxugaram discretamente os olhos com lenços. Até Plub apertou a mão de Peach com força, embora ele simplesmente sorrisse, um sorriso caloroso e genuíno que raramente mostrava.
— Mas tudo o que é bom tem um fim. Após o processo de seleção da diretoria, eles nomearam um novo líder de equipe. Esta manhã, apresentei-os às outras três subequipes. Agora, é hora de todos vocês conhecê-lo.
Quase como uma deixa, a porta da sala de reuniões se abriu. Parecia que a pessoa do lado de fora estava esperando o momento perfeito.
Um homem alto e esguio entrou, sua pele notavelmente clara. Seu cabelo loiro mel, preso na altura dos ombros, brilhava sob as luzes fluorescentes. Seus olhos afiados, como os de raposa, curvavam-se sutilmente nos cantos, dando-lhe um ar de mistério. Seu rosto finamente esculpido era emoldurado por um sorriso suave e perpétuo que nunca vacilava.
O sorriso de Peach desapareceu lentamente, seu coração batendo forte de inquietação. Eu sabia. Eu tinha um pressentimento, mas não achei que seria realmente ele.
— Este é Wivit. Ele é atualmente o vice-líder da Subequipe Dois, então a maioria de vocês provavelmente já o conhece. — Nuch fez uma pausa, respirando fundo antes de dar o golpe final. — A partir de hoje, ele será seu líder de equipe. Ouçam-no e sigam sua liderança.
Alguns dos membros mais jovens da equipe murmuraram reconhecimentos educados, mas a equipe sênior permaneceu em silêncio, seus rostos abertamente hostis.
— Olá a todos. Meu nome é Wivit, mas sintam-se à vontade para me chamar de Vit. Estou muito animado com esta oportunidade de ser seu novo líder de equipe. Estou ansioso para trabalhar com todos vocês. — disse ele com um sorriso caloroso e ensaiado.
— Se você quiser dizer algo para a equipe, por favor, diga. Tenho que ir para outra reunião.
Nuch deu um pequeno aceno antes de recolher seus pertences. Assim que estava prestes a sair da sala, olhou para trás para Peach, clara preocupação em seus olhos. Ele rapidamente forçou um sorriso tranquilizador em troca, embora seu estômago se revirasse de inquietação.
— Certo, pessoal. Sei que o tempo de vocês é valioso, então serei breve.
Peach saiu de seus pensamentos e reorientou o olhar para a cabeceira da mesa, onde Wivit estava, exalando um ar de autoridade casual. Seus olhos se encontraram, intensos e deliberados, mas Wivit desviou o olhar rapidamente, fingindo que era apenas um olhar passageiro.
— Quero fazer uma reunião rápida antes de voltarmos ao trabalho. — Continuou Wivit suavemente. — Mudar de líder de equipe pode ser um ajuste, então vamos definir algumas expectativas claras para evitar qualquer... confusão.
Ele olhou para o relógio, fingindo leve surpresa, um gesto excessivamente ensaiado que soou falso.
— Teremos uma reunião conjunta com todas as quatro equipes na sala de conferências principal em uma hora. — Wivit fez uma pausa, seus lábios se curvando em um sorriso ligeiramente mais largo. — Apenas membros da equipe em tempo integral precisam comparecer. Part-timers e freelancers, vocês estão fora dos registros. Não diz respeito a vocês de qualquer maneira.
Peach cruzou os braços sobre o peito, os olhos se estreitando enquanto uma frustração quente como o verão começava a ferver sob seu exterior calmo.
Começando uma guerra logo de cara, hein?
FIM DO CAPÍTULO